Nesta quarta, Lula participou de uma agenda com artistas no Centro do RioReprodução / Youtube

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta quarta-feira (23), que está ganhando do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em uma guerra de narrativas. A declaração foi feita em uma agenda de campanha com artistas no Rio. "Eu não quero fazer guerra com ele, quero ganhar na narrativa e estamos ganhando na narrativa", declarou Lula.

O presidente ainda fez uma comparação entre o discurso dele e o de Trump na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), que ocorreu na terça-feira, 22. Na fala de Lula, ele mandou recados aos EUA ao defender o Pix, a soberania brasileira no combate ao crime organizado e os riscos de ingerência americana nas eleições presidenciais.

"O importante foi comparar o meu discurso com o discurso do Trump. É comparar o discurso de um País em desenvolvimento e outro que começa dizendo que tem o maior exército, marinha, foguetes, bombas e que é o país mais forte do mundo. Ele fala isso em toda reunião, como se estivesse ameaçando todo mundo", declarou.

Nesta quarta, Lula participou de uma agenda com artistas no Centro do Rio para tentar angariar votos a partir do setor cultural. Ao lado dele, estiveram presentes nomes como os cantores Chico Buarque, Daniela Mercury, Lulu Santos, Paulinho da Viola, Tony Bellotto e Zeca Pagodinho, as atrizes Malu Mader, Marieta Severo e Cissa Guimarães.
Lula diz que ONU vive momento mais crítico desde 2003
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse na terça-feira (22) que a Organização das Nações Unidas (ONU) vive, desde 2003, seu momento mais crítico. "A ONU está falhando em uma de suas missões mais elevadas: a de livrar a humanidade do flagelo da guerra. Sua credibilidade nunca esteve tão baixa".
O sentimento que me move hoje é o da indignação", disse . "A capacidade da ONU de proteger os mais vulneráveis, os que não têm exércitos nem arsenais, nunca foi tão pequena", completou.
A declaração foi feita durante a abertura do debate geral da 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Em sua fala, Lula lembrou que essa é a 10ª vez em que abre o debate geral e, da tribuna, voltou a criticar especificamente o trabalho do Conselho de Segurança da organização.

"Somos todos reféns do imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre o seu papel", disse. "Em 1946, já na primeira sessão dessa assembleia, o Brasil alertava para o alto preço que a comunidade internacional pagaria pelo direito de veto. Esse vício conferiu às grandes potências o privilégio da insensatez".

Antes do pronunciamento, Lula se reuniu com o secretário-geral da ONU, António Guterres. O presidente brasileiro subiu à tribuna logo no início da sessão, antes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Na segunda-feira (21), Lula se reuniu, já em Nova York, com o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, e com o senador americano Bernie Sanders.
Lula também criticou o conflito no Oriente Médio. Ele afirmou que "famílias em todo o mundo pagam pelo aumento do preço dos combustíveis" e que o "estreito de Ormuz se transformou em trincheira da guerra, quando deveria ser uma passagem vital para o comércio".