Ex-vereadora Gladys Pereira Rodrigues da CostaReprodução/PM
De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, a então parlamentar teria organizado um sistema de arrecadação ilegal de parte — ou até da totalidade — dos salários de assessores nomeados em seu gabinete. Após o pagamento dos vencimentos pela Câmara, os valores eram sacados em dinheiro e repassados à vereadora, tanto em espécie quanto por meio de depósitos bancários.
A pedido do Ministério Público, a Justiça expediu mandados de prisão e de busca e apreensão contra a ex-vereadora. As ordens judiciais foram cumpridas por promotores do GAECO/MPRJ e agentes da Coordenadoria de Segurança e Inteligência do Ministério Público do Rio de Janeiro, no município de Armação dos Búzios, na Região dos Lagos.
As investigações apontam que, entre 2017 e 2019, foram realizados 87 depósitos em espécie na conta da denunciada, que juntos somam R$ 206.013,37. A movimentação financeira foi analisada pela CSI/MPRJ e considerada incompatível com os rendimentos declarados à época.
Entre as provas reunidas estão depoimentos de ex-assessores, que relataram a exigência sistemática dos repasses como condição para permanecerem nos cargos comissionados. Segundo o Ministério Público, a prática era recorrente e fazia parte do funcionamento do gabinete durante o período investigado.
O inquérito também identificou a nomeação de familiares para cargos na estrutura do gabinete parlamentar. Ainda conforme o MPRJ, parte dos investigados — incluindo assessores — confessou a participação no esquema e firmou Acordos de Não Persecução Penal, colaborando com as apurações.
A denúncia agora será analisada pelo Judiciário, que decidirá sobre o recebimento da ação penal e os próximos desdobramentos do caso.

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