Broche tinha números do candidato e câmera escondidaReprodução
PF investiga distribuição e uso de broches com câmera em Cabo Frio
Suspeita-se que os dispositivos seriam usados para gravar o voto dos eleitores na urna eletrônica
A Polícia Federal instaurou um inquérito policial para investigar a distribuição e o uso de dispositivos eletrônicos disfarçados de broches com câmera durante o pleito eleitoral em Cabo Frio. A suspeita principal é de que os equipamentos estivessem sendo utilizados para gravar clandestinamente o momento da digitação na urna, dentro do recinto reservado da cabine de votação. Os objetos, recolhidos originalmente pela Polícia Civil e encaminhados à autoridade federal, simulavam adereços comuns de campanha política, mas escondiam uma estrutura tecnológica projetada para o registro audiovisual de forma sigilosa.
Na parte frontal do dispositivo, o material exibia a propaganda ostensiva e a numeração oficial de um candidato que disputava a eleição. Na parte posterior, no entanto, os investigadores identificaram um adesivo estrategicamente posicionado para encobrir uma minicâmera conectada a uma pequena bateria. A apreensão ocorreu após um homem ser flagrado com o equipamento enquanto votava na Escola Municipal Alfredo Castro, localizada no bairro Jardim Excelsior. Além do broche adulterado, os agentes apreenderam o celular do suspeito, que foi conduzido à delegacia e optou por permanecer em silêncio durante o depoimento.
Perícia técnica e desdobramentos da investigação
Todo o material apreendido durante a diligência na seção eleitoral foi encaminhado ao setor de perícia criminal da Polícia Federal. Os peritos vão examinar a estrutura eletrônica dos adereços e extrair os dados contidos no celular com o objetivo de determinar se houve gravação efetiva de imagens dentro do recinto da urna eletrônica. As análises de laboratório também buscam identificar se existia um esquema estruturado de coação de eleitores ou compra de votos na região, além de rastrear a origem da confecção e do fornecimento desses equipamentos adulterados no município.
A legislação eleitoral brasileira proíbe estritamente o ingresso de celulares, máquinas fotográficas, filmadoras ou qualquer outro instrumento que possa violar o sigilo do voto quando o cidadão está diante da urna. A utilização de câmeras ocultas em adereços corporais representa uma tentativa de burlar a fiscalização e pode configurar crime eleitoral grave, punível com sanções criminais e eventual cassação do registro de candidatura ou mandato.
A reportagem entrou em contato com a Polícia Federal, a Polícia Civil e a Justiça Eleitoral para obter atualizações sobre o andamento das investigações e aguarda posicionamento oficial; o espaço segue aberto. O candidato cujo número aparecia estampado na parte frontal do broche apreendido não se manifestou até a publicação desta matéria, e a reportagem mantém o espaço aberto para a manifestação de sua defesa ou esclarecimentos sobre o caso.

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