Oneide de Figueiredo Ortolan, de 86 anos, encontrada morta na piscina de uma casa de repouso em Cabo FrioFoto: Reprodução
Família cobra câmeras após idosa com Alzheimer morrer em piscina
Parentes questionam versão de instituição sobre queda de Oneide Ortolan, de 86 anos, no bairro Jardim Excelsior,em Cabo Frio
A família da idosa Oneide de Figueiredo Ortolan, de 86 anos, morta na manhã da última quinta-feira (15) no interior da piscina de uma casa de repouso em Cabo Frio, cobra esclarecimentos oficiais e o acesso às imagens do sistema de monitoramento por câmeras de segurança. O trágico caso ocorreu na Pousada da Terceira Idade Sonho Meu, localizada na Avenida Excelsior, no bairro Jardim Excelsior, e segue sob apuração das autoridades policiais da Região dos Lagos.
De acordo com as informações registradas junto à polícia, uma técnica de enfermagem da instituição notou a ausência de Oneide no momento em que faria a administração matinal de medicamentos. Durante o vasculhamento pelo imóvel, a profissional avistou a idosa boiando na piscina. A funcionária declarou ter utilizado uma rede de limpeza para retirar a vítima da água e que tentou realizar manobras de ressuscitação cardiorrespiratória, mas não obteve êxito. O Corpo de Bombeiros Militar foi acionado para a ocorrência e atestou o óbito ainda no local.
Contestações dos parentes e versão do estabelecimento
Parentes da vítima relataram que a direção do estabelecimento apresentou a versão de que a idosa teria ficado agitada durante a noite anterior, observado o momento em que uma funcionária guardava a chave e conseguido abrir sozinha o cadeado que restringe o acesso à área da piscina. No entanto, os familiares contestam a narrativa, apontando que a idosa sofria da Doença de Alzheimer, possuía perda de visão em um dos olhos e não sabia nadar, o que inviabilizaria tal ação sem o auxílio ou a omissão de terceiros.
Em depoimento prestado à polícia, a técnica de enfermagem informou que a responsabilidade por trancar a porta de acesso ao espaço recreativo na noite anterior cabia a outra cuidadora de plantão, declarando que acreditava que a estrutura estivesse devidamente trancada.
Contraponto institucional e investigação policial
A Polícia Civil abriu um inquérito na 126ª Delegacia de Polícia (Cabo Frio) para apurar a dinâmica exata dos fatos, determinar como a idosa conseguiu chegar até o reservatório de água e verificar se houve conduta culposa ou falha no dever de vigilância por parte dos funcionários.
Em nota oficial encaminhada à imprensa, a Pousada da Terceira Idade Sonho Meu lamentou profundamente a morte da residente e ressaltou que atua há seis anos no município sem nenhum registro prévio de ocorrência similar. O estabelecimento informou que possui todas as licenças operacionais em dia, incluindo o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) vigente, e reforçou que a área da piscina conta com grade de proteção devidamente aprovada pelas autoridades. A direção declarou que prestará irrestrita colaboração às investigações policiais e repudiou manifestações de difamação quanto aos serviços prestados na unidade.
A reportagem buscou contato com a defesa da família de Oneide de Figueiredo Ortolan e com a Polícia Civil para verificar o andamento da perícia técnica nas câmeras de segurança e aguarda retorno; o espaço permanece aberto para manifestação.

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