Em viatura do Corpo de Bombeiros, o cortejo saiu do Trianon, acompanhado por dezenas de carros, até ao Cemitério do Caju Foto Divulgação
Ex-prefeito Arnaldo Vianna é sepultado em clima de muita comoção
Velório aconteceu desde às 6h, aberto à população, no Teatro Trianon; dezenas de simpatizantes foram dar o último adeus
Campos – “Com o coração partido e ainda sem acreditar que chegou o dia mais doído da minha vida, despedir do meu pai, meu amigo, meu herói, comunico o falecimento do meu pai”. Com estas palavras, o deputado federal Caio Vianna comunicou, na noite desse domingo, o falecimento do ex-prefeito de Campos dos Goytacazes (RJ), Arnaldo França Vianna, aos 78 anos de idade, sepultado na tarde desta segunda-feira.
Médico humanitário, Arnaldo não conseguiu superar problemas graves de saúde; ele estava internado desde outubro do ano passado na Beneficência Portuguesa. O velório aconteceu desde às 6h, no Teatro Trianon e o sepultamento, às 17h, no Cemitério do Caju. “Sua dedicação à saúde e à política deixará saudades eternas. Que Deus o receba com luz e conforte nossos corações”, se despediu Caio.
“Meu pai foi reconhecido como o melhor prefeito de Campos. Era um ser humano que vivia praticando o bem”, comentou o deputado recordando: “Ele me orientava sempre: ‘Primeiro faça tudo com o coração; depois com a cabeça; nada sairá perfeito se não for com o coração’. Que pai que eu tive, que ser humano! E é isso que eu procuro fazer”.
As manifestações nas redes sociais, no velório e no sepultamento refletem o quanto Arnaldo era querido. O prefeito de Campos, Wladimir Garotinho, decretou luto oficial por três dias no município: “Descanse em paz Doutor Arnaldo Vianna, o corpo vai, mas a história permanece. Tive o privilégio de lhe dar bons abraços, dividir histórias e risadas desde a infância e, por último, fazer a reconciliação das nossas famílias depois de um longo período rompidas”.
Wladimir lembrou ter agendado o reencontro de Vianna como com seu pai , o ex-governador Anthony Garotinho: “No dia não pude estar presente por compromissos de trabalho, mas soube que os dois se emocionaram e isso mostra que qualquer diferença que um dia existiu tinha verdadeiramente ficado pra trás. Muita força e fé a todos, em especial à sua atual companheira Edilene e ao seu filho Caio Vianna”.
Ex-prefeito Alexandre Mocaiber: “É com muita tristeza que recebo a notícia da morte do meu amigo Arnaldo. Nossa vida foi entrelaçada durante muito tempo: estudamos juntos no primário, no Liceu de Humanidades , depois da Faculdade de Medicina. Quando prefeito, fui seu secretário de Saúde durante seis anos. Me apoiou para vereador, depois para prefeito... Recebo com muito pesar essa notícia”.
MÉDICO HUMANISTA - Anthony Garotinho (ex-governador e ex-prefeito de Campos): “Com a morte de Arnaldo, ele leva uma parte da nossa história. Ele era médico da minha mãe; olhava de uma forma especial para os pacientes; esteve comigo na luta pela reabertura do Ferreira Machado, depois o escolhi para ser meu vice prefeito. Tivemos divergência; porém, nos reencontramos no ano passado e demos muitas risadas juntos. Guardo os bons momentos que tivemos juntos”.
José Roberto Crespo (Sindicato dos Médicos): “Arnaldo sempre esteve ligado aos movimentos sociais, era um médico humanista, que deixa uma história de lutas e desprendimento; sempre trabalhou para a melhoria da nossa cidade. Trabalhamos juntos durante cerca de 20 anos no Posto de Urgência (PU) da Saldanha Marinho e depois em movimento político. Vai ficar no coração de quem conviveu com ele”.
Ex-presidente da Câmara de Campos, Nelson Nahin: “As pessoas falam que todo mundo é bom depois que morre; não é o caso de Arnaldo; ele era uma pessoa ímpar, espetacular, uma pessoa de paz. Deixa um legado invejável, como médico humanista e político. Não tenho dúvida de que foi embora um homem bom. Oramos muito por ele; mas, temos certeza de que prevaleceu a vontade de Deus”.
SÍMBOLO DA VIDA – Mauro Silva (Relações Institucionais do governo de Campos): “Doutor Arnaldo era um ser humano diferenciado, que demonstrava prazer em fazer o bem; não apenas um neurocirurgião renomado; mas, também, humanitário. Na vida pública, realizou muito por Campos, sendo, inclusive, responsável pela construção do Hospital Geral de Guarus (HGG), além de tantos outros feitos. Com certeza, ele parte levando um beijo no coração de todos nós”.
Edilene Vianna (viúva): “Arnaldo era uma pessoa sempre comprometida com a população; não deixava de atender ninguém, em Campos, nem em São Francisco de Itabapoana, nem em São João da Barra, onde ele vinha atuando como médico. Arnaldo acolhia as pessoas; proporcionou muitas coisas boas, principalmente para os mais vulneráveis. Sempre cumpriu as obrigações dele. Meu companheiro de trabalho, de vida, vai fazer muita falta”.
Helio Cordeiro (ex-secretário de Comunicação): “Doutor Arnaldo costumava dizer que o coração não era apenas o símbolo da sua campanha; mas, sim, o símbolo da sua vida. A última vez que nos falamos foi há cerca de oito meses, durante uma consulta médica; ele abordou a satisfação de ter reatado a amizade com Anthony Garotinho, de ver Wladimir prefeito e do orgulho do filho (Caio) como cidadão e homem público. Deixa um legado e tanto. Que Deus o tenha.
TRAJETÓRIA POLÍTICA - Arnaldo Vianna completou 78 anos em novembro de 1947. Vice de Anthony Garotinho, assumiu o governo de 1998 a 2004, o então titular renunciou para ser candidato a governador do Estado do Rio de Janeiro. Na eleição seguinte, se elegeu no primeiro turno. No curso do mandato, sofreu um aneurisma, sendo operado no Rio de Janeiro por Paulo Niemeyer Filho.
Formado pela Faculdade de Medicina de Campos, em 1972, Arnaldo era membro da Academia Brasileira de Neurocirurgia; além de conceituado, era humanitário conhecido em vários municípios fluminenses. Antes de iniciar efetivamente a carreira política, foi diretor-clínico da Beneficência Portuguesa e diretor-geral do Hospital Ferreira Machado.
De 1993 a 1996 ocupou uma cadeira na Câmara de Vereadores. Na sequência, vice-prefeito (1993 a 1996); prefeito (1996 a 1998); reeleito prefeito em 2000; deputado federal (2007 a 2011). Fora da vida pública, Arnaldo Vianna voltou a exercer a medicina com frequência, apostando na vocação política do filho, que estava na suplência de deputado federal, atualmente ocupando uma cadeira na Câmara dos Deputados, pela segunda vez.

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