Fiscalização ambiental realizou vistorias em pontos críticos e flagrou a supressão de vegetação nativa Foto Inea/Divulgação
Força-tarefa contra desmatamento tem impacto histórico
Mobilização estadual usa embargos remotos por satélite, aplica mais de R$ 800 mil em multas e mira crimes ambientais no interior do Rio
Campos/Região – Com impacto severo sobre o Norte e o Noroeste Fluminense, regiões que concentram ecossistemas valiosos e sofrem forte pressão de degradação ambiental, uma força-tarefa formada no Estado do Rio de Janeiro deflagrou a maior mobilização de sua história contra o desmatamento na Operação Mata Atlântica em Pé 2026.
A mobilização envolveu o Ministério Público (MPRJ), a Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade (Seas), o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), além de administrações municipais. Foram fiscalizados 168 alertas em 64 municípios fluminenses ao longo de todo o mês de agosto, em uma ofensiva considerada histórica.
Somente em multas aplicadas por supressão ilegal de vegetação nativa, o resultado chegou a mais de R$ 800 mil, registrando um balanço expressivo de 314 hectares vistoriados e 225 medidas administrativas adotadas. O avanço tecnológico foi o grande motor desse salto operacional, em comparação com o ano de 2025.
De acordo com o relatório, o total de alertas atendidos cresceu aproximadamente 366,7%, a cobertura territorial saltou 357,1% (de 14 para 64 cidades) e a área fiscalizada expandiu 209,6%. No interior fluminense, com o monitoramento via satélite do programa Olho no Verde e cruzamentos de dados do MapBiomas, os órgãos ambientais miraram vários alvos estratégicos.
A iniciativa estadual, que completa uma década utilizando imagens de alta resolução, constatou que o desmatamento ilegal costuma ser impulsionado pela expansão da fronteira agropecuária, loteamentos irregulares e extração mineral. No Noroeste, municípios conhecidos pelo histórico de supressão de mata nativa entraram no radar da fiscalização.
O levantamento aponta com destaque São José de Ubá (historicamente o ponto crítico mais severo da região), Itaperuna, Natividade e Bom Jesus do Itabapoana. Já no Norte Fluminense, a mobilização se concentrou em cidades de grande extensão territorial e ricas em áreas de preservação e restinga, como Campos dos Goytacazes, São Francisco de Itabapoana, São Fidélis e Macaé.
MULTICRIMES - Os casos classificados como mais graves pelas equipes de campo envolveram grandes extensões de corte raso de mata fechada em propriedades particulares para abertura de pastagens e os chamados multicrimes, com derrubada da floresta, queimadas e movimentação irregular de solo.
Nessas intervenções combinadas, os agentes também encontraram barramento de cursos hídricos e perfuração de poços artesianos sem outorga, provocando danos cumulativos severos às bacias hidrográficas locais e elevando o valor das autuações. Um dos exemplos mais emblemáticos monitorados foi detectado na região do Noroeste.
Constatou-se que, em períodos recentes, em São José de Ubá, uma única propriedade foi multada em R$ 250 mil após destruir 21 hectares de floresta nativa com desvio de rios. Para resguardar o sigilo das investigações criminais conduzidas pelo MPRJ e evitar a fuga de infratores, a identidade das fazendas e as coordenadas exatas não foram divulgadas.
ANO MARCANTE - Das áreas monitoradas, 33 foram tratadas exclusivamente por meio de embargo remoto, cruzando as coordenadas de desmatamento detectadas por satélite com o Cadastro Ambiental Rural (CAR), o que permitiu punir o proprietário digitalmente sem o deslocamento de viaturas.
Outros 62 pontos críticos, onde as imagens indicavam uso de maquinário pesado ou flagrantes de invasão, receberam vistorias administrativas presenciais diretas de fiscais do Inea e de policiais militares ambientais. Por fim, 73 alvos passaram por análises combinadas.
Para dar conta da escala recorde da operação, a preparação e consolidação de toda a força-tarefa demandaram mais de 60 horas de inteligência técnica, com impactos bastante satisfatórios, marcando 2026 como o ano de tolerância zero contra os crimes ambientais no bioma da Mata Atlântica.

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