Na operação dessa quarta-feira, os policiais encontraram carcaças e várias peças de veículos desmanchados Foto 8º BPM/Divulgação
Polícia fecha central de "desmanches" de veículos em Campos
Operação aconteceu no subdistrito de Guarus, com apreensões de estruturas pertencentes a carros de luxo com registros ativos de furtos
Uma operação conjunta entre o 8º Batalhão de Polícia Militar (BPM) e a 146ª DP desarticulou, nesta quarta-feira (9), um centro clandestino de desmanche e armazenamento de autopeças ilegais no Parque São Silvestre, no subdistrito de Guarus, em Campos dos Goytacazes.
A ação integra a estratégia das forças de segurança do Norte Fluminense para sufocar o braço financeiro de organizações criminosas especializadas no furto e roubo de veículos, bloqueando os canais de receptação e comércio ilegal. A localização do espaço ocorreu por meio de informações dos setores de inteligência.
Na área externa do galpão, os policiais encontraram duas carcaças totalmente desmontadas e um vasto inventário de autopeças. Segundo os investigadores, a quadrilha tinha como alvo preferencial veículos de luxo. A perícia técnica confirmou o vínculo da central com crimes recentes na região.
Entre as estruturas identificadas, estavam os chassis de uma Toyota Hilux SW4 — com registro ativo de furto — e de um Jeep Compass. Peritos papiloscopistas recolheram impressões digitais no local para tentar identificar os executores do corte e os responsáveis pelo imóvel.
RIGOR LEGAL - Os componentes formalmente identificados foram apreendidos e encaminhados à 146ª DP (Guarus), que conduz o inquérito. As peças sem identificação imediata ficaram custodiadas no galpão sob monitoramento. A investida contra o comércio ilegal na região Norte e Noroeste do estado baseia-se nas diretrizes da Lei Federal nº 12.977 (Lei do Desmonte).
A legislação exige o rastreamento rigoroso de componentes seminovos por meio de etiquetas e códigos de barras vinculados ao chassi de origem. O texto legal determina que qualquer empresa do setor emita nota fiscal de entrada assim que o veículo ingressa no estabelecimento, proibindo o desmonte antes da baixa definitiva do registro nos órgãos de trânsito.
Quatro eixos estratégicos sustentam o combate aos desmanches clandestinos na região. A Operação Desmonte Permanente é coordenada pelo Detran-RJ em parceria com as Polícias Civil e Militar; as ações contínuas abrangem o interior do estado, resultando em frequentes interdições de ferros-velhos irregulares em Campos e Macaé. Os estabelecimentos sem credenciamento são lacrados e as peças sem comprovação de origem, recolhidas.
CRUZAMENTO DE DADOS - Outro foco é o comercial, com a fiscalização do comércio regularizado de autopeças e oficinas mecânicas. No caso de Campos, programas como o Centro Mais Seguro realizam vistorias conjuntas com a Guarda Municipal e agentes de Posturas nas proximidades do Mercado Municipal e em áreas comerciais para identificar estabelecimentos que atuam como receptadores de peças furtadas.
A aplicação da Lei do Desmonte e Rastreabilidade também compõe a estratégia, exigindo a procedência comprovada de toda peça comercializada por meio de sistemas de etiquetas e códigos de barras vinculados ao chassi do veículo de origem.
Outra medida é a localização de galpões e centrais clandestinas de desmonte — frequentemente situados em bairros periféricos de Guarus —, que ocorre por meio do cruzamento de denúncias anônimas. A Polícia Civil trabalha agora para identificar os proprietários do galpão estourado nesta quarta-feira e rastrear a cadeia de receptadores que financia o esquema na região.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.