Ranulfo Vidigal destaca que Campos ocupa a quinta colocação no estado do Rio de Janeiro em empregabilidade Foto Gomes/Divulgação
Setor de Serviços dá "injeção" nos cofres municipais
Contratações temporárias no comércio varejista e avanço na arrecadação de ISS em Campos causam impactos positivos constantes
Campos - A massiva concentração de contratações temporárias no setor de Serviços - que capturou 99,47% das admissões dessa modalidade no Brasil - desenha um cenário de forte dinamismo e previsibilidade fiscal para a economia de Campos dos Goytacazes (RJ). E os impactos são constatados sucessivamente.
No plano macroeconômico local, esse movimento atua como uma via de mão dupla de alta eficiência: ao mesmo tempo em que injeta poder de compra imediato no comércio varejista de bairros centrais e de polos comerciais como a Pelinca, ele turbina de forma direta a arrecadação do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS), o principal tributo municipal de competência própria voltado ao desenvolvimento urbano.
O fortalecimento do varejo campista ocorre pelo chamado efeito de circulação imediata de renda. Está estabelecido que, ao ingressar no mercado de trabalho por meio de contratos temporários, o trabalhador é amparado pelos mesmos direitos previdenciários e salariais proporcionais garantidos por lei.
A garantia proporciona ao terceirizado converter quase a totalidade de seus rendimentos em consumo de bens não duráveis e serviços essenciais dentro do próprio município. Trata-se de um fluxo contínuo de novos salários circulando no comércio de Campos, o que estabiliza o faturamento de lojas diversas nos períodos que costumam desaquecer o varejo entre as grandes datas comemorativas do ano.
Com o varejo aquecido (setores de vestuário, supermercados e eletroeletrônicos) pelo consumo dessas famílias, o empresariado local ganha a confiança necessária para planejar investimentos de médio prazo, gerando um ciclo virtuoso no qual o emprego temporário de hoje sustenta a manutenção e a abertura de vagas definitivas amanhã.
EMPREGABILIDADE - Diretor de Indicativos Econômicos e Sociais de Campos, o economista Ranulfo Vidigal observa que o município se caracteriza como a capital dos serviços do Norte Fluminense, pela força dos segmentos de educação pública e privada superior, bem como pela grande oferta no setor de saúde.
“A renda interna de uma cidade-polo de mais de quinhentos mil habitantes e a demanda externa oriunda de profissionais empregados em Macaé e no Porto do Açu (em São João da Barra) reforçam essa característica positiva da cidade”, pontua, assinalando que as contratações temporárias são a porta de entrada para futuros contratos trabalhistas definitivos.
“Isso acontece na medida em que a experiência e a destreza da força de trabalho se intensificam, gerando ganhos de produtividade”, realça o economista. Ele aponta que, quanto ao quesito empregabilidade, Campos ocupa a quinta colocação no estado do Rio de Janeiro, tendo como base números apresentados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) até julho.
AUTONOMIA MAIOR - Para o segundo semestre de 2026, Vidigal diz que a expectativa é de contratação crescente no setor de comércio, em decorrência das datas comemorativas que se encerram no Natal, em dezembro. Paralelamente, a proliferação desses contratos e o avanço das empresas prestadoras de serviços geram um impacto altamente positivo nos cofres da prefeitura de Campos por meio do recolhimento do ISS.
Como as contratações temporárias são obrigatoriamente intermediadas por empresas de trabalho temporário devidamente registradas, toda a taxa de agenciamento e prestação de serviços dessas companhias sofre a incidência do imposto municipal. Uma das conclusões lógicas é que o incremento na arrecadação do ISS confere maior autonomia financeira à gestão pública.
Com mais recursos próprios em caixa provenientes do setor de serviços, o governo municipal amplia sua capacidade de investir em infraestrutura urbana, saneamento e desburocratização, devolvendo os impostos recolhidos na forma de uma cidade mais atraente para novos investimentos privados. “Campos é referência em abertura de novas empresas e em geração de empregos”, reforça o economista.

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