Frederico Paes (o terceiro) destaca a parceria com a Acic e as vantagens que os trabalhadores passam a receber Foto César Ferreira/Divulgação

O empreendedorismo comunitário e da cultura ganha força em Campos dos Goytacazes (RJ), a partir de investimentos estruturais do governo municipal na Economia Solidária. O programa é vinculado à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Energia e Inovação, em parceria com a Associação Comercial e Industrial de Campos (Acic).
Nessa segunda-feira (28), no Palácio da Cultura, o prefeito Frederico Paes anunciou a confecção de 100 barracas padronizadas exclusivas para os artesãos do município. A medida atende a um sonho antigo da categoria, que depende de estruturas emprestadas pela Secretaria de Agricultura, Pecuária e Infraestrutura Rural para expor seus produtos.
Com as novas instalações próprias, os profissionais ganharão mais autonomia e visibilidade em feiras e eventos regionais. O anúncio das barracas coroou a entrega das 300 primeiras Carteiras Municipais da Economia Solidária, documento instituído pelo Decreto nº 302 e publicado no Diário Oficial em 25 de agosto deste ano.
De acordo com a Secretaria de Desenvolvimento, a iniciativa vale para artesãos, profissionais de gastronomia artesanal, agricultores familiares, agroecologistas, pescadores artesanais e catadores de recicláveis. Frederico ressalta o papel dos trabalhadores como geradores de emprego e renda: “A gente pretende aumentar esse reconhecimento cada vez mais", declara.
O prefeito destaca que a emissão do documento só foi possível graças a uma articulação da Gerência de Economia Solidária com a Acic, que custeou a confecção das carteiras e oferecerá vantagens robustas aos cadastrados, incluindo descontos no comércio parceiro e a isenção na primeira certificação digital para quem precisa emitir nota fiscal.
Critério de inscrição
O presidente da entidade, Maurício Cabral, assinala que o objetivo é integrar fornecedores e compradores por meio de condições especiais, estimulando a circulação de recursos financeiros dentro do próprio município. A primeira profissional em atividade a receber o documento foi Maria da Penha Nogueira Silva.
A beneficiada mantém um ponto de venda na Rodoviária Roberto Silveira e atua no segmento há três décadas. Emocionada, ela afirma que a identificação trará facilidades imediatas na compra de insumos para o seu trabalho.
Pelos critérios, para obter o benefício, os interessados devem se inscrever no Sistema Municipal de Informações da Economia Solidária (Simesol). O cadastro é realizado presencialmente na Gerência de Economia Solidária, localizada nos altos da Rodoviária Roberto Silveira, com atendimento de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.
Crescimento expressivo
O secretário Felipe Knust explica que o mapeamento permite aproximar o poder público dos cidadãos, oferecendo qualificação profissional, dignidade e ferramentas reais para alavancar as vendas da categoria. O gerente de Economia Solidária, Pedro Barcelos, realça que o crescimento do setor no município é expressivo.
“O mapeamento detalhado das necessidades, residências e técnicas dos profissionais fez o número de artesãos cadastrados saltar de 120, em 2025, para mais de 900 na atual gestão”, aponta Barcelos, frisando que essa organização garante a eficiência das políticas públicas, fazendo com que o suporte chegue diretamente a quem precisa.
Na opinião da presidente da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima, Patrícia Cordeiro, a escolha do Palácio da Cultura para a entrega das credenciais consolida o vínculo direto entre a identidade cultural e a economia solidária. Ela adianta que os jardins do Palácio da Cultura receberão, em breve, uma feira de artesanato.