Da Bacia de Campos sai o combustível para abastecer a economia do Estado do Rio de Janeiro e de vários municípios. Foto Agência Petrobras/Divulgação
De solo fértil, faz lembrar a célebre frase "em se plantando tudo dá", resumida do trecho da famosa carta que Pero Vaz de Caminha escreveu ao rei D. Manuel I em 1º de maio de 1500, logo após a chegada da esquadra de Pedro Álvares Cabral ao litoral sul da Bahia.
Uma constatação é a força na produção de cana-de-açúcar. Essa força econômica desdobrada nas moendas das usinas já não tem o mesmo potencial; porém, no auge, fez o presidente Getúlio Vargas - ao realizar uma visita oficial histórica ao município em 1936 - apelidar Campos de "o espelho do Brasil".
A marca de maior produtora de cana-de-açúcar do Brasil em seus tempos áureos não ficou isolada no histórico do desenvolvimento campista: em 1883, a cidade tornou-se a primeira da América Latina a receber iluminação pública elétrica, iluminando o continente a partir do interior fluminense.
As páginas brilhantes da história local têm volumes inigualáveis paralelos ao poder econômico ao longo do tempo, pontuando uma participação ativa e pioneira nos movimentos abolicionistas, simbolizada em José do Patrocínio, o "Tigre da Abolição", até a assinatura da Lei Áurea, em 13 de maio de 1888.
Expressividade na política
Outros nomes da região também alcançaram destaque na política estadual, como Togo de Barros, Celso Peçanha, Teotônio Ferreira de Araújo, Anthony e Rosinha Garotinho. Sobram conteúdos marcantes e o turismo e a cultura são outros potenciais campistas no mapa fluminense.
Quem caminha pela região central, por exemplo, pode constatar, entre tantas outras obras-primas de cunho religioso, a Catedral de Santíssimo Salvador. A arquitetura neoclássica da Casa de Cultura Villa Maria, outra joia de um acervo que preserva a identidade e o charme dos séculos, simboliza as demais preciosidades históricas.
A transição para a modernidade pode ter desacelerado o ciclo da cana-de-açúcar, mas uma nova riqueza foi proporcionada a Campos: o petróleo. A importância do município nessa nova era é tanta que, embora extensiva a todo o Estado do Rio de Janeiro, a Bacia leva o nome de Campos. A extração do produto transformou a arrecadação local e de cidades vizinhas por meio dos royalties e atraiu indústrias de ponta.
Ecoturismo e futebol
Contudo, o ecoturismo vai além, transitando pela imensidão da Lagoa de Cima (liberada ao lazer em família e esportes náuticos), chegando à Região do Imbé, repleta de cachoeiras cercadas pela Mata Atlântica, e se estendendo à Praia do Farol de São Tomé, que atrai veranistas e surfistas com seus ventos fortes e culinária litorânea marcante.
A diversificada riqueza de Campos faz a cidade ser também reconhecida como celeiro de craques para o futebol brasileiro. Dos gramados tradicionais do Americano, do Goytacaz e do Rio Branco surgiram talentos que encantaram o mundo e vestiram a camisa da Seleção
Brasileira.
Nomes como Didi ("o Folha Seca"), Amarildo ("o Possesso"), Acácio, Edevaldo e Odvan são exemplos de figurinhas carimbadas de um álbum de glórias garantidas ao futebol brasileiro pelos gramados campistas, que mantêm a safra com tantas outras promessas. Não há dúvidas de que a energia e o talento de Campos se manifestam fazendo a diferença.

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