Da Bacia de Campos sai o combustível para abastecer a economia do Estado do Rio de Janeiro e de vários municípios. Foto Agência Petrobras/Divulgação

A maior extensão territorial do Estado do Rio de Janeiro é ocupada por Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense. São cerca de 4.032 quilômetros quadrados, abrigando uma população de aproximadamente 480 mil habitantes, unindo a calmaria das planícies ao dinamismo de uma verdadeira metrópole regional.

De solo fértil, faz lembrar a célebre frase "em se plantando tudo dá", resumida do trecho da famosa carta que Pero Vaz de Caminha escreveu ao rei D. Manuel I em 1º de maio de 1500, logo após a chegada da esquadra de Pedro Álvares Cabral ao litoral sul da Bahia.

Uma constatação é a força na produção de cana-de-açúcar. Essa força econômica desdobrada nas moendas das usinas já não tem o mesmo potencial; porém, no auge, fez o presidente Getúlio Vargas - ao realizar uma visita oficial histórica ao município em 1936 - apelidar Campos de "o espelho do Brasil".

A marca de maior produtora de cana-de-açúcar do Brasil em seus tempos áureos não ficou isolada no histórico do desenvolvimento campista: em 1883, a cidade tornou-se a primeira da América Latina a receber iluminação pública elétrica, iluminando o continente a partir do interior fluminense.

As páginas brilhantes da história local têm volumes inigualáveis paralelos ao poder econômico ao longo do tempo, pontuando uma participação ativa e pioneira nos movimentos abolicionistas, simbolizada em José do Patrocínio, o "Tigre da Abolição", até a assinatura da Lei Áurea, em 13 de maio de 1888.

Expressividade na política

O "Espelho do Brasil" é marcante também na política, tendo cruzado as fronteiras estaduais e moldado os rumos da República, orgulhando-se de ter colocado o filho da terra, Nilo Peçanha, na Presidência da República (de 1909 a 1910), além de tê-lo como governador.

Outros nomes da região também alcançaram destaque na política estadual, como Togo de Barros, Celso Peçanha, Teotônio Ferreira de Araújo, Anthony e Rosinha Garotinho. Sobram conteúdos marcantes e o turismo e a cultura são outros potenciais campistas no mapa fluminense.

Quem caminha pela região central, por exemplo, pode constatar, entre tantas outras obras-primas de cunho religioso, a Catedral de Santíssimo Salvador. A arquitetura neoclássica da Casa de Cultura Villa Maria, outra joia de um acervo que preserva a identidade e o charme dos séculos, simboliza as demais preciosidades históricas.

A transição para a modernidade pode ter desacelerado o ciclo da cana-de-açúcar, mas uma nova riqueza foi proporcionada a Campos: o petróleo. A importância do município nessa nova era é tanta que, embora extensiva a todo o Estado do Rio de Janeiro, a Bacia leva o nome de Campos. A extração do produto transformou a arrecadação local e de cidades vizinhas por meio dos royalties e atraiu indústrias de ponta.
Lado a lado com a nova descoberta caminha um renovado potencial agrícola, por meio da diversificação de culturas e da agropecuária tecnológica. Na sustentação está o polo universitário, referenciado por instituições públicas e privadas de excelência, como a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf).

Ecoturismo e futebol

Embora seja de planície, a diversidade territorial goitacá no mapa turístico não se sobressai somente nas heranças coloniais: os amantes da natureza e dos esportes de aventura têm no Morro do Itaoca um mirante natural perfeito para o voo livre e o montanhismo.

Contudo, o ecoturismo vai além, transitando pela imensidão da Lagoa de Cima (liberada ao lazer em família e esportes náuticos), chegando à Região do Imbé, repleta de cachoeiras cercadas pela Mata Atlântica, e se estendendo à Praia do Farol de São Tomé, que atrai veranistas e surfistas com seus ventos fortes e culinária litorânea marcante.

A diversificada riqueza de Campos faz a cidade ser também reconhecida como celeiro de craques para o futebol brasileiro. Dos gramados tradicionais do Americano, do Goytacaz e do Rio Branco surgiram talentos que encantaram o mundo e vestiram a camisa da Seleção
Brasileira.

Nomes como Didi ("o Folha Seca"), Amarildo ("o Possesso"), Acácio, Edevaldo e Odvan são exemplos de figurinhas carimbadas de um álbum de glórias garantidas ao futebol brasileiro pelos gramados campistas, que mantêm a safra com tantas outras promessas. Não há dúvidas de que a energia e o talento de Campos se manifestam fazendo a diferença.