Projeto Campos Leite atende a pecuaristas, oferecendo assistência técnica uma vez ao mês e resfriadores. Foto Secom/Divulgação
Norte e Noroeste no ranking dos maiores produtores de leite do estado
Com bacia leiteira robusta ancorada no agronegócio familiar, municípios como Campos e Itaperuna elevam a produtividade regional
Diante de um mercado consumidor exigente, que anualmente demanda um volume bilionário de lácteos muito superior à capacidade interna de abastecimento, a produção de leite e derivados no interior do Rio de Janeiro se consolida como um dos pilares mais vitais para a economia e para a segurança alimentar fluminense. Campos dos Goytacazes aparece com destaque.
A atividade ganha contornos estratégicos no mapa rural, com as regiões Norte e Noroeste se destacando de forma expressiva, embora o Sul Fluminense tradicionalmente retenha a liderança no volume total de captação de litros. No entanto, o diferencial está no percentual de produtores no quadro geral.
Os levantamentos apontam que são as pastagens do Norte e do Noroeste que abrigam a maior densidade de trabalhadores da atividade, concentrando mais de 55% de todos os produtores de leite do estado do Rio de Janeiro. Nesse caso, a cadeia produtiva se sobressai.
Trata-se de uma constatação fortalecida pela presença da agricultura familiar e de pequenas e médias propriedades, transformando a rotina do campo - no Norte e Noroeste do estado - em um motor de geração imediata de emprego e renda, refletindo nos principais municípios envolvidos.
A realidade mostra que o leite ordenhado diariamente nas duas regiões não apenas supre demandas de consumo direto de fluidos, mas também abastece uma rede crescente de agroindústrias locais dedicadas à fabricação de derivados, cuja qualidade é também outro ponto de destaque.
Maior potencial do Norte
A produção regional de queijos artesanais, como o Minas Padrão e o Frescal, além de iogurtes, muçarela e doce de leite, representa um avanço crucial para agregar valor comercial ao produto e garantir margens de lucro mais competitivas aos produtores locais. No caso de Campos, o município aparece entre os produtores de maior potencial e expressão no Norte Fluminense.
A região mantém-se com solidez no topo do ranking estadual, travando historicamente uma disputa direta pelas primeiras posições com grandes polos produtores fluminenses, a exemplo de Resende (na região Sul) e Valença. No mesmo mapa de expansão regional, São Francisco de Itabapoana e São Fidélis também pontuam.
Dados da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio de Janeiro (Emater-Rio) mostram esses municípios com forte tradição na pecuária e despontando como polos promissores para o desenvolvimento de derivados de laticínios de alta qualidade.
Por meio da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Pesca, o governo de Campos implantou há cerca de quatro anos o projeto Campos Leite, que atende a pecuaristas oferecendo assistência técnica uma vez ao mês e resfriadores. O município produz em média 90 mil litros de leite por dia, consolidando-se como uma das maiores bacia leiteiras do estado do Rio de Janeiro.
O peso de Itaperuna
Na opinião do secretário Almy Júnior, não existe outra alternativa a não ser a capacitação no campo: “A assistência técnica tem feito diferença; é um dos principais programas da nossa agropecuária. Campos historicamente lidera a produção por município na região, mas já foi três vezes maior; o município sempre foi um grande fornecedor de leite para todo o estado”, resumiu ao avaliar o quadro regional.
Já no Noroeste, Itaperuna registra expressivos 30 milhões de litros ao ano. A justificativa promissora do setor itaperunense é que, para sustentar esse crescimento e minimizar o impacto de períodos de severa estiagem comuns à região, o amparo técnico tornou-se indispensável, e a presença da prefeitura é ressaltada.
A prefeitura apoia os produtores com auxílio para o cultivo de alimentos voltados à ração animal (como milho e cana), realização de concursos leiteiros e de curral, manutenção de estradas rurais para escoamento e parcerias com a Emater-Rio. No âmbito geral, a conclusão é que as iniciativas públicas estruturadas têm redesenhado os índices de produtividade municipais.
Na retaguarda da esfera estadual, o Programa Rio Leite fomenta o acesso às linhas de crédito e novas tecnologias de manejo. O apoio técnico complementar da Emater-Rio é voltado ao melhoramento genético do rebanho. Com isso, é facilitado aos produtores do Norte e Noroeste Fluminense avançar na eficiência do campo, impactando positivamente na pecuária de leite do Rio.

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