Casimiro de Abreu - A Beira-Rio de Barra de São João, um dos cartões-postais mais movimentados de Casimiro de Abreu, vive dias de mudanças. A retirada dos decks de madeira, iniciada pela Prefeitura após recomendação da Defesa Civil, interrompe temporariamente um dos espaços mais procurados por moradores e turistas. A intervenção, embora considerada necessária por questões de segurança, ocorre justamente em uma das épocas de maior movimento do distrito e passou a dividir opiniões.
Durante as férias escolares e os finais de semana de inverno, a orla costuma receber centenas de visitantes em busca de descanso, gastronomia, passeios, pesca, contemplação da paisagem e momentos em família. Com a retirada das estruturas, parte desse cenário foi modificada, provocando reclamações de comerciantes, moradores e turistas que utilizavam diariamente o espaço.
Segundo a Secretaria Municipal de Obras, Habitação e Serviços Públicos, a decisão foi baseada em um laudo técnico elaborado pela Defesa Civil, que identificou deterioração avançada da madeira, comprometimento da base estrutural e risco real de acidentes. Os decks já estavam interditados antes do início da desmobilização.
Desmobilização dos decks altera cenário da Beira-Rio e provoca debate entre frequentadores sobre segurança e impacto no turismoFoto: Divulgação
Mesmo entendendo os motivos da intervenção, parte da população questiona o momento escolhido para a execução do serviço.
Marcelo Tavares, de 42 anos, afirma que a obra poderia ter sido programada para um período de menor fluxo turístico.
"Todo mundo entende que segurança vem em primeiro lugar. O problema é que isso aconteceu justamente nas férias, quando a Barra recebe mais visitantes. Muitas famílias vêm para passear, almoçar nos restaurantes e aproveitar a Beira-Rio. O impacto acaba sendo sentido por quem depende desse movimento para trabalhar", comentou.
Em contrapartida, há quem defenda a medida adotada pelo município. A dona de casa Lúcia Helena Martins, de 51 anos, frequenta a Beira-Rio há mais de duas décadas e acredita que o desconforto temporário é pequeno diante da necessidade de preservar vidas.
"Os decks já apresentavam sinais claros de desgaste. Eu mesma evitava passar em alguns trechos porque sentia insegurança. É melhor enfrentar alguns meses de obra do que lamentar um acidente grave depois. Se a reconstrução trouxer uma estrutura mais moderna e resistente, valerá a pena esperar", avaliou.
De acordo com a Prefeitura, os estudos técnicos para reconstrução da área já foram iniciados. O objetivo será substituir as estruturas antigas por novos decks com maior durabilidade, acessibilidade e melhores condições para receber moradores e visitantes.
A administração municipal também informou que busca alternativas para reduzir os impactos provocados pelo atracamento irregular de embarcações nos decks, prática apontada como um dos fatores que aceleraram o desgaste da estrutura ao longo dos anos. A proposta é desenvolver soluções que conciliem preservação ambiental, segurança e utilização adequada do espaço público.
Enquanto as obras avançam, a expectativa da população é que a nova Beira-Rio preserve uma das principais áreas de convivência e turismo de Barra de São João, conciliando infraestrutura moderna com a vocação turística que faz do local um dos destinos mais visitados do município.
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