Gustavo Oliveira, diretor da IMM, empresa responsável pela realização da Rio Fashion Week, falou com exclusividade ao titular desta coluna, Andrei Lara, sobre a ambição do evento de recolocar o Rio de Janeiro no centro da moda mundialFoto: arquivo pessoal
Gustavo Oliveira: A Rio Fashion Week vem sendo desenvolvida desde 2021, quando a Prefeitura do Rio de Janeiro, por meio da sua Secretaria de Turismo, liderada pela secretária Daniela Maia, nos procurou pela primeira vez com a ambição de trazer um grande evento de moda para a cidade. Naquele momento, sentimos que o timing ainda não era o ideal, então realizamos estudos aprofundados enquanto mantínhamos um diálogo próximo com a prefeitura.
No ano passado, o projeto foi oficialmente aprovado em estreita colaboração com a secretária Daniela Maia e o prefeito Eduardo Cavaliere, marcando um momento decisivo para reposicionar o Rio novamente como um destino global de moda.
Andrei Lara: Como a IMM enxerga a relação entre Rio Fashion Week e São Paulo Fashion Week: complementaridade estratégica, divisão de calendário ou construção de polos com identidades muito próprias?
Gustavo Oliveira: Enquanto São Paulo é o principal hub de negócios da moda no Brasil, o Rio de Janeiro ocupa um papel preponderante e estratégico.
O Rio é a capital do lifestyle. É onde a moda se conecta com entretenimento, turismo e comportamento. A cidade traduz tendências em experiência e projeta o estilo de vida brasileiro para o mundo. Temos acompanhado de perto o crescimento da cidade como um polo de grandes eventos internacionais, junto com a maturação da sua indústria de moda local.
Andrei Lara: O Rio sempre teve uma força natural para a moda, mas perdeu protagonismo institucional por alguns anos. O que mudou agora para que esse retorno aconteça com outra ambição?
Gustavo Oliveira: Nos últimos anos, o fortalecimento do calendário de grandes eventos e o apoio da Prefeitura, por meio da Secretaria de Turismo, ajudaram a criar uma base sólida para o retorno de uma semana de moda dessa dimensão. Além disso, a moda carioca amadureceu. O evento nasce com visão de longo prazo, com o objetivo de se consolidar no calendário da moda mundial e fortalecer a indústria continuamente.
Andrei Lara: A presença de nomes internacionais e conversas sobre desenvolvimento de novos talentos sugere que o evento quer disputar relevância também no campo da formação e da influência. Isso faz parte de um plano de internacionalização mais amplo?
Gustavo Oliveira: No curto prazo, nossa ambição é que a Rio Fashion Week se torne uma das principais semanas de moda do mundo. Embora já faça parte do calendário de moda brasileiro, estamos fortalecendo rapidamente sua presença internacional. A recepção até agora tem sido extremamente positiva, o que reforça tanto a demanda existente quanto o enorme potencial do Rio de Janeiro como uma plataforma global para moda, entretenimento, criatividade e experiências voltadas ao destino.
Andrei Lara: Quando se fala em economia criativa, há uma cadeia muito maior do que a passarela. Como a IMM pretende conectar moda com turismo, hotelaria, audiovisual, serviços, educação e empreendedorismo local?
Gustavo Oliveira: Além dos desfiles, estamos ativando a cidade como um todo. A Rio Fashion Week se estende a restaurantes, hotéis e colaborações com marcas, criando um ecossistema dinâmico de experiências. De exposições e intervenções culturais a música, festas e um momento de tapete vermelho que reúne personalidades influentes, o evento foi pensado como uma plataforma completa de cultura e entretenimento.
Andrei Lara: O evento nasce com o discurso de que veio para ficar. O que precisa acontecer nesta primeira edição para que o mercado enxergue o Rio Fashion Week como projeto recorrente e não como uma estreia de impacto isolado?
Gustavo Oliveira: Na IMM, estamos destacando não apenas a escala da Rio Fashion Week, mas também a força e a consistência do que entregamos em nosso portfólio global. Estamos reunindo marcas líderes, modelos de destaque e parceiros comerciais sólidos, com o apoio de instituições importantes como a Prefeitura do Rio e o Senac.
Combinado ao apelo global do Rio de Janeiro como destino, sua infraestrutura, relevância cultural e experiência na realização de eventos de grande porte, isso cria uma proposta altamente atrativa para compradores internacionais, mídia e parceiros estratégicos. Posiciona a Rio Fashion Week não apenas como um evento de moda, mas como parte de uma plataforma global mais ampla de experiências premium ao vivo.
Andrei Lara: Qual é a vocação que você imagina para o Rio Fashion Week dentro do mapa da moda brasileira: vitrine de lifestyle, plataforma de negócios, laboratório criativo ou ponto de conexão internacional?
Gustavo Oliveira: O Rio de Janeiro sempre foi um grande celeiro de marcas e uma referência global de lifestyle. A cidade exporta comportamento, estética e cultura para o mundo. Nos últimos anos, o fortalecimento do calendário de grandes eventos e o apoio da prefeitura, por meio da Secretaria de Turismo, ajudaram a criar uma base sólida para o retorno de uma semana de moda dessa dimensão, com o patrocínio de instituições como o Senac.
Além disso, a moda carioca amadureceu. O evento nasce com visão de longo prazo, com o objetivo de se consolidar no calendário da moda mundial e fortalecer a indústria continuamente.
Andrei Lara: Você acredita que o Rio Fashion Week pode ajudar a profissionalizar e dar escala a talentos fluminenses e cariocas, ou esse ainda é um desafio para as próximas edições?
Gustavo Oliveira: O Rio Showroom é estruturado para reunir marcas brasileiras que já exportam ou têm interesse em expansão para o mercado internacional. Reunimos 30 marcas com perfil premium, criando um ambiente altamente qualificado e direcionado ao mercado multimarcas, incluindo lojistas internacionais que estamos trazendo. Ele funciona como uma plataforma real de negócios, criada para facilitar conexões, iniciar negociações e gerar pedidos durante o evento. Outro foco importante é fortalecer o ecossistema local de moda, criando oportunidades, visibilidade e desenvolvimento de longo prazo para a indústria no Rio de Janeiro.
Andrei Lara: Se você tivesse que resumir em uma frase o principal legado que o Rio Fashion Week precisa deixar para a cidade, para a moda e para a economia criativa, qual seria?
Gustavo Oliveira: O Rio é a vitrine global do lifestyle: uma cidade que se reinventa constantemente e lidera tendências. A moda no Rio nasce em todos os lugares: na rua, na comunidade, na praia. Por isso, a cidade clamava por um grande evento de moda à altura dessa potência criativa.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.