Samir Xaud, presidente da CBF, está no centro de uma polêmica que mistura denúncias, viagens internacionais e bastidores do futebol brasileiro. O dirigente viu seu nome ganhar destaque nacional após novas revelações sobre sua rotina fora dos gramadosFoto: reprodução Instagram
Amantes, viagens de luxo e gastos milionários: a crise que engoliu Samir Xaud na CBF
Presidente da entidade virou alvo de denúncias envolvendo Camila Cristina Andrade, Tatá Barcellos, hospedagens caras, jantares badalados e despesas questionadas; CBF nega irregularidades
A bola rolou para escanteio e a crise entrou em campo com chuteira de travar o gramado.
O presidente da CBF, Samir Xaud, virou o personagem central de uma polêmica que mistura viagens internacionais, hotéis de luxo, jantares caros, mulheres citadas em denúncias e uma conta que, segundo informações divulgadas, pode chegar perto de R$ 1 milhão.
No centro da história aparecem dois nomes: Camila Cristina Andrade, empresária fitness de Roraima, mesmo estado de origem de Samir, e Tamires Fernandes Barcellos, a Tatá Barcellos, influenciadora que ganhou destaque no episódio envolvendo uma viagem ao Catar.
Camila é citada no capítulo de Nova York. Segundo as denúncias, ela teria ficado hospedada no Hyatt Regency Grand Central, em Manhattan, entre os dias 2 e 10 de junho, em uma reserva vinculada ao presidente da CBF. A conta da hospedagem teria chegado a R$ 59.424,81. E não parou no hotel.
No dia 3 de junho, Camila teria sido vista com Samir Xaud em um jantar no Harry Cipriani, restaurante badalado e conhecido por seus preços nada modestos em Nova York. Nas imagens comentadas, o clima chamou atenção pela proximidade dos dois e pelo padrão do local.
Ainda segundo o material divulgado, depois do jantar, Camila teria deixado o restaurante no mesmo veículo alugado que atendia o dirigente durante sua estadia na cidade.
A cronologia também virou assunto. Camila teria deixado Nova York no dia 10 de junho. No dia seguinte, a esposa de Samir teria chegado ao México, onde o dirigente acompanharia compromissos ligados ao futebol. Nos bastidores, a sequência de datas não passou despercebida.
Mas a crise não ficou só em Manhattan.
Tatá Barcellos aparece no capítulo do Catar. Segundo as denúncias, ela teria viajado para Doha durante compromisso internacional ligado ao futebol e ficado hospedada no The Ritz-Carlton Doha. A hospedagem, ainda segundo as informações divulgadas, teria passado de R$ 17 mil.
Imagens mostram Tatá em áreas de acesso restrito e ambientes frequentados por familiares de jogadores e convidados especiais. Em um dos registros, ela aparece ao lado de Carolina Lima, conhecida do público por sua relação com o jogador Léo Pereira.
O nome de Tatá rapidamente virou um dos mais comentados da polêmica. Pouco conhecida do grande público até então, ela passou a despertar curiosidade justamente por aparecer em um ambiente reservado e ligado ao alto escalão do futebol.
Outro episódio que aumentou a temperatura da crise foi um vídeo atribuído a Samir Xaud em um grupo interno da CBF. Na gravação, ele aparece falando com mulheres e oferecendo um “presente do presidente” ou dinheiro para quem participasse regularmente de partidas de futebol.
A explicação apresentada pela CBF foi de que o vídeo era antigo, feito em tom de brincadeira e direcionado a um grupo privado. Ainda assim, o conteúdo pegou mal e ampliou o desgaste.
Também vieram à tona relatos sobre comentários atribuídos ao dirigente em rodas de amigos, nos quais ele trataria conquistas amorosas com expressões ligadas ao futebol, como se estivesse “marcando gol”.
A crise ficou ainda mais delicada porque a CBF tenta sustentar um discurso de transparência, inclusão e modernização. E tudo isso acontece em um momento em que o futebol feminino ganha cada vez mais visibilidade no país.
Em nota oficial, a CBF afirmou que rejeita “as informações de suposto uso indevido de verbas da entidade” e declarou que “as despesas realizadas pela entidade são vinculadas exclusivamente às atividades institucionais da CBF”.
A confederação também informou que “despesas particulares dos dirigentes são arcadas pelos próprios” e reforçou que a atual gestão tem como pilares “a transparência, a responsabilidade administrativa e o compromisso com a integridade”.
Mesmo com a resposta oficial, o estrago já está feito nos bastidores. A crise colocou Samir Xaud sob pressão e abriu uma pergunta que ainda deve render muito: quem pagou a conta dessa história toda?

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