Debate entre Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad na Band foi marcado por confusão nos bastidores Foto: reprodução Band

A Globo mandou embora o cinegrafista que prestava serviço temporário à emissora e que deu uma cabeçada no jornalista Igor Carvalho, do Brasil de Fato, na noite de domingo (9), na sede da Band, em São Paulo, pouco antes do primeiro debate entre os candidatos ao governo paulista. Segundo o relato do jornalista, houve uma sequência de trombadas e troca de ofensas. Quando ele se abaixou para pegar algumas anotações, levantou a cabeça e levou a cabeçada. Caiu desorientado e precisou ser atendido. A Globo repudiou a violência e rescindiu o contrato do profissional. E, antes que alguém misture as coisas, cabeçada é agressão física e ponto.
Mas o episódio me lembrou que o jornalismo também distribui pancada sem precisar encostar um dedo em ninguém. Nesse pouco mais de dois meses em que passei batendo perna por ruas, eventos e bastidores fazendo reportagens para o Portal Felipe Campos, antes de assumir esta coluna impressa de O DIA, conheci muita gente bacana, educada e generosa. Mas conheci também umas figuras que fariam Miranda Priestly pedir licença.
Um repórter de rua de um famoso programa nacional de entretenimento, por exemplo, não faz a menor questão de ser simpático. Direito dele. Ninguém é obrigado a distribuir sorriso como panfleto. O problema é quando a antipatia ganha requintes de crueldade. Uma jornalista que recentemente ficou ainda mais famosa depois de uma treta em rede nacional com o próprio chefe já foi apelidada por esse tal repórter de “diaba loira”. Um primor de delicadeza.
Tem ainda um repórter de rua de um conhecido portal de entretenimento que, na minha experiência, parece ter feito do leva e traz uma especialização. A informação entra de um jeito e, quando chega ao outro lado, já ganhou roteiro, figurino e trilha sonora. Intriga, versão atravessada, inverdade e conversa torta também podem virar instrumento de assédio moral. Não deixam galo na testa, mas deixam ambiente de trabalho em carne viva.
Aquela cabeçada foi explícita, filmável e fácil de condenar. O resto costuma circular pelos corredores, coletivas e eventos com crachá no peito e sorriso na foto. Seja bem-vindo, caro leitor, ao mundo nu, cru e, às vezes, bem mal-educado do jornalismo.