Léo Dias pediu desculpas após fala sobre Virginia e passou a ser alvo nas redesFoto: reprodução

Léo Dias errou. E errou feio. A frase usada para falar de Virginia Fonseca foi vulgar, desnecessária e de uma infelicidade monumental. Ele próprio reconheceu o erro e pediu desculpas. Até aqui, nenhuma passada de pano.
O problema começa quando entra em cena o Supremo Tribunal Federal das Redes Sociais, aquele onde todo mundo é juiz, promotor, desembargador e, curiosamente, ninguém tem antecedentes.
Eu mesmo vivi algo parecido nos últimos dias. Entrevistei Mara Maravilha e disse que tive satisfação, enquanto jornalista, em entrevistá-la. E reafirmo: tive. Se Mara anda perturbando o juízo de Xuxa, isso é problema de Mara e Xuxa. Como jornalista de entretenimento, eu quero mais é assunto. E digo isso sendo fã de Xuxa a ponto de ter ficado gelado quando a entrevistei.
Pois bastou elogiar Mara para aparecerem fãs de Xuxa nas minhas redes e nas publicações de O DIA distribuindo ataques. Cadê o amor? Cadê a cordialidade? Na hora de cobrar respeito, a régua aparece. Na hora de praticá-lo, ela misteriosamente some da gaveta.
Voltando a Léo: nada disso transforma uma frase absurda em frase aceitável. Virginia tem todo direito de se indignar e de procurar a Justiça. Mas também não precisamos canonizar uma pessoa para crucificar outra.
A internet criou uma curiosa indústria de santos instantâneos e pecadores vitalícios. Um erro não apaga uma trajetória inteira, assim como uma trajetória inteira não absolve um erro.
Léo Dias pode ter crucificado muita gente ao longo da carreira. Mas ele, como tantos outros colunistas de entretenimento, também já poupou muito mais gente do que o público imagina. Porque, se jornalista de bastidor resolvesse abrir a boca sobre tudo o que sabe, muita celebridade teria bem menos pose e muito mais explicação para dar. Embora, claro, nada disso justifique erro algum. É apenas um pensamento em voz alta, daqueles que talvez ajudem a lembrar que, nesse meio, quase nunca existe santo de um lado e demônio do outro.
E, convenhamos: Léo Dias está longe, muito longe, de ser uma santidade. Mas boa parte dos moralistas da internet também não tem moral nenhuma para falar de ninguém. A diferença é que alguns têm microfone. Outros, apenas Wi-Fi e memória curta.