Suzy Brasil estreia na direção teatral em comédia estrelada por Fábio de Luca, Xande Valois e Berg BharusckDivulgação
Suzy Brasil estreia como diretora em comédia sobre sexo e preconceito
Com Fábio de Luca, Xande Valois e Berg Bharusck, espetáculo mistura humor ácido, desejos escondidos e conflitos familiares em uma viagem aos anos 2000
Quem está acostumado a ver Suzy Brasil arrancando gargalhadas com suas tiradas afiadas vai conhecer uma nova faceta da artista. Desta vez, ela não será a responsável pelas piadas diante da plateia, mas por comandar o que acontece no palco. Marcelo Souza, que dá vida à irreverente drag queen, estreia na direção teatral com a comédia Belos, do Babado e do Lar!, escrita por Hugo Leandro. A montagem reúne Fábio de Luca, Xande Valois e Berg Bharusck e será apresentada no dia 4 de novembro, às 20h, no Teatro Miguel Falabella, no NorteShopping, no Rio de Janeiro.
A história leva o público de volta a 2002, um ano que ficou marcado na memória dos brasileiros pela conquista do pentacampeonato mundial de futebol. Mas, enquanto o país inteiro celebrava os gols da Seleção, havia também quem estivesse lutando por outras conquistas, como o direito de viver a própria sexualidade sem medo do julgamento alheio.
É nesse contraste que a comédia encontra seu ponto de partida. Em meio à Parada do Orgulho Gay de Copacabana, três homens que aparentemente não têm nada em comum acabam cruzando seus caminhos. O encontro, que poderia terminar tão rapidamente quanto começou, dá origem a uma amizade construída entre diferenças, segredos e situações que prometem colocar a plateia para rir.
Rodrigo tem dinheiro de sobra e não vê problema em pagar para satisfazer seus desejos sexuais. Marcel, um fuzileiro naval, enfrenta uma realidade bem diferente: rejeitado pelo próprio pai, acaba colocado para fora de casa. Fernando, por sua vez, vive entre personagens e aparências. Garoto de programa, sustenta uma imagem de heterossexualidade enquanto também se apresenta como drag queen.
São três trajetórias marcadas por contradições. De um lado, o dinheiro como instrumento para conseguir prazer. De outro, a rejeição dentro da própria família. E, no meio disso tudo, a necessidade de esconder parte de quem se é para sobreviver ao preconceito.
A peça transforma essas diferenças em combustível para o humor, sem deixar de abordar uma questão que continua atual: até que ponto as pessoas precisam representar papéis para serem aceitas pela sociedade?
Uma nova fase para Suzy Brasil
A estreia na direção marca mais um passo na trajetória de Marcelo Souza, que construiu uma carreira nos palcos com a personagem Suzy Brasil. Conhecida pela língua afiada, pelo improviso e pelo humor sem muitas cerimônias, a drag queen conquistou espaço com espetáculos como Uma Noite Horripilante, Bye-Bye Bangu e Made in Brasil.
Agora, em vez de conduzir as gargalhadas diretamente, Suzy assume o desafio de trabalhar o humor por meio de outros intérpretes. E o universo escolhido para essa estreia não poderia estar mais próximo de sua trajetória artística: uma comédia que aborda sexualidade, identidade, preconceito e as dificuldades enfrentadas por quem não se encaixa nos padrões impostos pela sociedade.
O texto é assinado por Hugo Leandro, dramaturgo com experiência em comédias populares e trabalhos para a televisão, incluindo os humorísticos Treme-Treme e Ai Eu Vi Vantagem, exibidos pelo Multishow.
Três atores e personagens nada convencionais
O elenco também chama atenção pela mistura de experiências. Fábio de Luca, conhecido pelos trabalhos no Porta dos Fundos, no Parafernalha e no Amigos da Luz, leva para o palco a experiência acumulada no humor. O ator também esteve recentemente na novela Êta Mundo Melhor!, da TV Globo, interpretando o detetive Sabiá.
Xande Valois, que começou a carreira ainda criança, já passou por novelas como Malhação, Joia Rara, Babilônia e Êta Mundo Bom!. No cinema, interpretou Cebola em Turma da Mônica Jovem, ampliando uma trajetória que inclui televisão e cinema.
Com mais de duas décadas de carreira, Berg Bharusck completa o trio. O ator participou de produções como Vai na Fé e Todas as Flores, além de acumular experiência em comédias teatrais e no humorístico Treme-Treme.
Juntos, os três terão a missão de transformar os conflitos dos personagens em uma história que equilibra situações absurdas, momentos de afeto e críticas aos costumes de uma época em que falar abertamente sobre determinadas questões ainda provocava escândalo.
O passado que ainda incomoda
Embora ambientada há mais de duas décadas, a comédia encontra no presente boa parte de sua força. A rejeição familiar, o preconceito contra pessoas LGBTQI+ e a pressão para esconder a própria identidade não ficaram presos aos anos 2000.
A montagem também resgata referências da cultura pop, da televisão e da vida noturna daquele período, quando a sigla GLS ainda era amplamente utilizada para identificar espaços e manifestações ligados à diversidade sexual.
Mas a proposta não é transformar o palco em uma aula sobre comportamento. O humor aparece justamente nas contradições dos personagens, nas confusões que surgem desse encontro improvável e na maneira como cada um tenta lidar com seus próprios desejos e inseguranças.
No centro da história está uma ideia simples: família nem sempre é aquela em que se nasce. Às vezes, ela surge justamente entre pessoas que se encontram por acaso e descobrem umas nas outras o acolhimento que não tiveram em casa.
Com apresentação única e duração de 70 minutos, Belos, do Babado e do Lar! aposta na comédia para revisitar uma época em que muita gente precisava esconder quem realmente era. E, sob a direção de Suzy Brasil, o passado promete voltar ao palco com boas doses de ironia, confusão e algumas verdades que ainda incomodam.



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