Wanessa CamargoAlexandre Pio / Divulgação

Teve polícia em cima do trio, show interrompido e confusão no meio do Carnaval de São Paulo. Lembram desse imbróglio? Wanessa Camargo e seu bloco Xainirô, em 2023, já viraram caso de Justiça, mas agora a coluna Daniel Nascimento revela, com exclusividade, um capítulo que ninguém tinha contado: a defesa da empresa acusa a filha de Zezé Di Camargo de agir de má-fé no processo.
Eles afirmam que a cantora realizou o show normalmente no dia 12 de fevereiro de 2023, na capital paulista, contrariando a versão de que a apresentação teria sido interrompida por problemas técnicos no veículo. Na ocasião, o trio chegou a ser interrompido por agentes policiais e impedido de seguir o trajeto.
Segundo a defesa, o trio elétrico Twister cumpriu integralmente o contrato firmado, incluindo o tempo previsto de 1h30 de apresentação. As empresas sustentam que vídeos, fotos e publicações nas redes sociais comprovariam que a artista cantou durante todo o período combinado e chegou a agradecer ao público pela participação no bloco Xainirô, o que, na avaliação dos réus, contradiz a alegação de cancelamento antecipado.
Outro ponto da suposta divergência diz respeito às participações especiais. Na ação, os advogados de Wanessa afirmam que artistas convidadas, como Francinne, Lia Clark e Aretuza Lovi, não puderam se apresentar em razão dos supostos problemas no trio elétrico, o que teria gerado constrangimento à cantora, que precisou pedir desculpas às convidadas.
Já a empresa, por meio de seus advogados, contesta essa versão e anexou aos autos registros de redes sociais que, segundo sustenta, demonstram a realização das participações. Entre os materiais apresentados, há imagens e vídeos em que aparecem, no topo do trio, nomes como Vitão, Luiza Possi, Pepita, além das próprias Lia Clark, Francinne e Aretuza Lovi, cantando com Wanessa. Para os empresários envolvidos na ação, os registros contradizem a tese de que as apresentações teriam sido canceladas.
Os socios da empresa também rejeitaram a tese de falha mecânica ou falta de condições de tráfego. De acordo com a contestação, o veículo passou por vistorias técnicas, possuía laudos de aptidão e havia sido utilizado sem problemas no dia anterior por outra atração. Os réus sustentam, ainda, que não houve embargo oficial por autoridades e que a Polícia Militar atuou apenas na segurança do evento, sem determinar a paralisação do trio.
Na ação, a cantora pede cerca de R$ 125 mil por danos materiais e morais, alegando prejuízos financeiros e constrangimento público. A defesa, porém, afirma que não houve descumprimento contratual nem dano comprovado, já que o serviço teria sido prestado integralmente e o show realizado conforme o acordado.
Em tom duro, a empresa chegou a acusar a artista de litigância de má-fé, alegando que a ação se baseia em fatos "inverídicos" e teria como objetivo obter vantagem indevida. Com versões opostas e provas baseadas, sobretudo, em registros do próprio evento, o caso agora aguarda análise do Judiciário.
Em movimentação recente, em 27 de fevereiro de 2026, o Tribunal de Justiça de São Paulo, por meio do Foro Regional de Santo Amaro e Ibirapuera, encaminhou os autos do processo ao Tribunal de Justiça da Bahia, com destino ao setor de distribuição cível de Salvador (SECODI Cível), após declínio de competência do juízo paulista.