Veterinária Raíssa Natali é especializada em pets não convencionais Arquivo pessoal

Mais lembrados na Páscoa, os coelhos também conquistam espaço como animais de companhia. Cheios de personalidade, podem reconhecer a voz e o cheiro dos tutores, seguir seus passos pela casa e demonstrar afeto quando se sentem seguros. Para garantir o bem-estar, porém, é preciso conhecer as necessidades específicas da espécie.
A alimentação é um dos principais cuidados. O feno deve ser a base da dieta e oferecido à vontade, contribuindo para o funcionamento intestinal e o desgaste dos dentes, que crescem continuamente. Ração de qualidade, verduras e legumes seguros complementam a alimentação.
“Um dos maiores estereótipos é imaginar que o coelho come principalmente cenoura. Ela pode ser oferecida em pequenas quantidades, mas não deve ser a base da alimentação”, explica a veterinária Raíssa Natali, especializada em pets não convencionais do Hospital Veterinário Taquaral.
Dentes exigem atenção
Os dentes crescem cerca de 1 centímetro por mês. Quando não há desgaste adequado, podem surgir problemas como má oclusão, crescimento excessivo e lesões na boca.
Dificuldade para mastigar, perda de apetite, salivação, queixo molhado, perda de peso e redução das fezes são sinais que precisam ser investigados.
“Coelhos costumam esconder sinais de dor. Por isso, uma mudança pequena no comportamento ou na alimentação já merece atenção. Se o animal deixa de comer, não é indicado esperar para ver se melhora”, alerta Raíssa.
Ambiente adequado é fundamental
Uma gaiola pequena não atende às necessidades do animal. O espaço deve permitir que o coelho fique esticado, pule, corra e explore. Túneis, caixas de papelão e esconderijos ajudam no enriquecimento ambiental.
Também é necessário proteger fios elétricos, plantas tóxicas e objetos que possam ser roídos. Como a espécie é sensível ao calor, o ambiente deve ser ventilado e protegido do sol direto.
Reprodução exige planejamento
Machos e fêmeas podem atingir a maturidade sexual por volta dos 4 aos 6 meses. A gestação dura cerca de 30 a 32 dias e a fêmea pode engravidar novamente pouco depois do parto.
Por isso, quando não houver intenção de reprodução, os animais devem ser separados antes da maturidade sexual. A castração também pode ajudar a evitar ninhadas e prevenir doenças do aparelho reprodutivo, conforme avaliação veterinária.
Consultas preventivas com profissionais que tenham experiência em coelhos e pets não convencionais ajudam a acompanhar dentes, alimentação, peso, comportamento e demais aspectos da saúde.
“Não devemos esperar o animal apresentar sintomas para procurar atendimento. A consulta preventiva ajuda a identificar alterações e orientar os cuidados de acordo com cada animal”, destaca a veterinária.
Falta de apetite, prostração, salivação excessiva, abdômen abaulado ou redução da produção de fezes exigem atendimento rápido.
Afeto construído com confiança
Apesar de serem considerados reservados, coelhos podem criar vínculos fortes com os tutores. Alguns seguem as pessoas pela casa, deitam-se por perto ou lambem seus companheiros humanos.
“Quanto mais o tutor aprende a ‘falar a língua’ do coelho, mais próxima tende a ser essa relação. Alguns são brincalhões e expansivos; outros, mais reservados. O vínculo é construído com confiança”, conclui Raíssa.