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Guilherme Boulos diz que Sérgio Moro fez política ao condenar Lula

Pré-candidato do Psol à Presidência também afirmou que, se eleito, revogará medidas implementadas por Temer

Por PAULO CAPPELLI

Guilherme Boulos
Guilherme Boulos -

Rio - O entrevistado de hoje é Guilherme Boulos, pré-candidato do Psol à Presidência da República. Membro da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), diz que Moro fez política ao condenar Lula e que, se eleito, revogará medidas implementadas por Temer.

O DIA: A esquerda se uniu contra a prisão de Lula (PT) e pelo direito de ele se candidatar. Mas há diferentes candidaturas nesse campo colocadas para a Presidência. Haverá confluência em torno de um único nome?

Boulos: O que está colocado hoje é uma unidade democrática diante dos vários retrocessos que o pais tem vivido. A esquerda está junta quando se trata de defender a democracia, mas preserva a sua diversidade. Existem projetos distintos, pontos de vista distintos no interior da esquerda. Isso é legítimo e saudável.

Sua filiação no Psol foi avalizada pelo Lula, com quem o senhor tem uma ótima relação. É mais fácil o PT apoiá-lo à Presidência ou o senhor apoiar um nome do PT?

Minha ida ao Psol não foi avalizada pelo Lula. Foi avalizada pelo Psol e pelo MTST, que compõe, junto com outros movimentos e setores da sociedade, a aliança que sustenta a nossa candidatura. PT e Psol têm candidaturas próprias à Presidência.

Por que o senhor quer ser presidente?

O Brasil vive uma crise profunda. Queremos levar a voz da nossa indignação para dentro desse sistema político. A voz daqueles que não se sentem representados. A nossa candidatura representa uma aliança não com os velhos partidos, mas com movimentos sociais, intelectuais e artistas para um projeto de sociedade. Respeitamos as candidaturas de esquerda, mas existem diferenças. Somos os únicos do campo progressista que não participamos dos 13 anos de governo do PT.

Quais os erros do PT?

Reconhecemos que houve avanços nesse período, mas também muitos limites, dentre os quais, não enfrentar a estrutura oligárquica do sistema político brasileiro. Aliás, muitos que participaram dos governos do PT não foram ao Sindicato dos Metalúrgicos no gesto de solidariedade contra a prisão do Lula. Nós não estivemos no momento da distribuição do poder, mas estávamos no momento da solidariedade.

Se eleito, qual a primeira medida que adotará?

No dia 1º de janeiro de 2019, vamos convocar um plebiscito para revogar as medidas tomadas pelo governo ilegítimo de Michel Temer (MDB). Medidas que não tiveram o aval e a aprovação do povo brasileiro e que representam retrocesso profundo, como a nova legislação trabalhista.

O senhor é crítico da Lava Jato. Vê algum ponto positivo na operação?

O problema da Lava Jato não é se dispor a investigar a corrupção. Esse é o seu mérito. O problema é politizar as investigações. O caso do Lula é uma expressão evidente disso. Condenação que foi feita para retirá-lo do processo eleitoral. Quando o juiz resolve fazer política, a democracia fica ferida. É preciso respeitar as garantias constitucionais, o amplo direito de defesa e que se condene com base em provas.

A atuação do MTST é vista como radical por parte da população. Como convencer o eleitorado da causa que o senhor defende?

Essa eleição vai fazer uma oportunidade de desfazer preconceitos. A luta por moradia no Brasil é uma luta digna e necessária. Temos mais de seis milhões de famílias sem casa e, ao mesmo tempo, mais de sete milhões de imóveis abandonados. Tem mais casa sem gente do que gente sem casa no país. Acreditar que isso é coisa de vagabundo, que alguém quer levar vantagem com isso, é uma profunda insensibilidade.

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