Denise Frossard - Elza Fiúza / Agência Brasil
Denise FrossardElza Fiúza / Agência Brasil
Por Cassio Bruno (interino)

Rio - Convidada para ser candidata do PPS ao governo do Rio, a juíza aposentada Denise Frossard, de 66 anos, não quer saber de política. Derrotada no segundo turno por Sérgio Cabral, em 2006, ela passa por uma temporada em Portugal e estará longe da eleição fluminense.

Denise, que mandou para a cadeia a cúpula do jogo do bicho, é fã de montanhismo. Em agosto, em plena campanha, ela escalará o monte Elbrus, entre a Rússia e a Georgia. No mês seguinte, quando os eleitores forem às urnas, a juíza estará no Ártico em busca da aurora boreal.

O DIA: Por que a senhora não quis ser candidata ao governo do Rio?

Senti-me honrada com a indicação. Ao aposentar-me, concorri, em 2002, a deputada federal. Julgo ter retribuído às expectativas. Foi uma época conturbada, com a CPMI do Mensalão. Em 2006, foi uma surpresa chegar ao segundo turno. Meu opositor (Cabral) tinha zero de responsabilidade, como como hoje ficou comprovado. Apaixonei-me pelo montanhismo e hoje saio pelo mundo em busca do mistério dos seus tetos.

Ficou algum trauma das eleições de 2006?

Nunca foi minha intenção perpetuar-me como candidata. Mas a campanha de 2006 mostrou-me a importância de uma reforma política, que ainda não veio, mas já começou. Sem ela, a população continuará refém dos partidos. Não houve trauma. Considero cumprida a missão. Há agora, além do montanhismo, o projeto de um livro.

Vai votar em quem?

O meu partido tem pré-candidato, o sociólogo Rubem Cesar, que conhece os problemas do Rio. Um bom pré-candidato. Lamento não votar. Estarei caçando a aurora boreal.

Qual será o maior desafio para o próximo governador?

Consertar as lambanças dos últimos governos. O nosso povo foi levado pelos descalabros, à quase que completa dessensibilização do conceito de ilicitude e, por que não dizer, de desvalor de uma conduta. Resgatar isto não vai ser fácil.

Como a senhora vê a prisão do ex-governador Sérgio Cabral?

Como sou juíza e a toga é a segunda pele, o artigo 36 da Lei Orgânica da Magistratura proíbe o juiz de manifestar-se.

Em 1993, a senhora condenou a cúpula do jogo do bicho no Rio. O que está achando da Operação Lava Jato?

Quando condenei, não tínhamos sequer fax, internet e que dirá uma legislação adequada. Não se tinha como investigar com profundidade e acho que o Ministério Público conseguiu muito. Mas o principal foi que, a partir daí, juízes, promotores e intelectuais comprometidos com a quebra da impunidade deram início a uma modernização da nossa legislação. O Congresso respondeu à pressão e passou a votar uma verdadeira revolução legislativa que permitiu que a Lava Jato venha sendo coroada de êxitos. É um marco dessa nova mentalidade. Os juízes Sérgio Moro e Marcelo Bretas passarão o bastão aos que virão. Assim como passamos a eles há 25 anos.

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