Por PAULO CAPPELLI

Rio - Com as mudanças na Segurança ocorridas por conta da intervenção federal, o coronel Márcio Vaz Lima, de 56 anos, assumiu, em março, o posto de corregedor da Polícia Militar. Visto na corporação como discreto e atuante, Lima, que já foi diretor de Ensino e Instrução da PM, concede sua primeira entrevista à frente da corregedoria.

O DIA: Quais as principais investigações em andamento tocadas pela corregedoria?

As relacionadas a enriquecimento ilícito de (policiais) oficiais e praças por meio de envolvimento com a contravenção (jogo do bicho) ou com o tráfico de drogas. Essas são as principais investigações e já estão mais adiantadas. Acredito que, antes de chegar ao final do ano, a gente consiga apresentar um resultado legal sobre isso daí. Vai ser uma bomba violenta.

Quantos suspeitos são investigados?

Não quero entrar em detalhes para não comprometer a investigação, mas seguramente há no mínimo uns dez inquéritos em andamento (em cada um pode haver mais de um PM investigado). Há inquéritos que também apontam o envolvimento de policiais e ex-policiais militares com a milícia, mas esses ainda estão um pouco crus. Demandam uma investigação minuciosa. Torço para que (desvendemos) no nosso período na corregedoria, mas talvez fique para o meu sucessor.

Até quando o senhor pretende ficar à frente da corregedoria?

Só até o final do ano, filho. Mesmo porque eu já estou cansado, com 34 anos de serviço. Quando eu ia entrar de férias, já com as malas prontas para viajar, veio o coronel Laviano (comandante-geral da PM) e me chamou: "Tô aqui com um pepino para você. Aceita?" Aí agora estou aqui. Não sei se o Laviano vai ficar ou não após a intervenção federal. Eu não vou. Estou aqui para colocar algumas coisas nos trilhos e passar o bastão.

Quando diz "colocar algumas coisas nos trilhos", a que se refere?

Alavancar a corregedoria com medidas estruturantes. Hoje a cabeça da corregedoria funciona no Quartel-General (no Centro do Rio), e o corpo, o setor administrativo, funciona em Neves (em São Gonçalo). Queremos um local único. Será em um prédio em Benfica, que era da Cedae. É um prédio bom, de três andares, mas que, por ser antigo, precisa de reforma. Caso o dinheiro não demore a ser liberado, tenho esperança de que faremos a mudança ainda este ano. Já conversamos sobre essa questão, via Estado Maior e Diretoria de Logística, com a cúpula da intervenção.

Qual a importância de centralizar a corregedoria em um único local?

Toda! Essa divisão que ocorre hoje dificulta e torna o trabalho mais lento. Ao centralizar, você tem como direcionar as demandas e, ao mesmo tempo, ter o contato físico com o seu demandado.

Que outra medida o senhor pretende implementar até o fim do ano?

Em visita à Polícia Militar do Distrito Federal, em abril, conhecemos um programa de computador que permite concentrar todas as atividades da corregedoria: auto de prisão em flagrante, processos, procedimentos, audição... É só digitar o nome do investigado que aí aparecem todas as informações. Hoje nós temos os nossos processos, mas eles não se falam. E o melhor dessa novidade é que não haverá custos para implementar, já que a Polícia Militar de Brasília disponibilizou esse software para a gente.

 

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