Demitido por Pezão, ex-procurador-geral do Rio diz que não guarda mágoas

Leonardo Espíndola fala pela primeira vez sobre o episódio que levou à sua saída do cargo, em novembro de 2017

Por Paulo Capelli

Leonardo Espíndola
Leonardo Espíndola -

RIO - Pela primeira vez desde que deixou o governo Pezão (MDB), em novembro de 2017, o ex-procurador-geral do estado Leonardo Espíndola fala com a imprensa. Ele foi demitido pelo governador ao se recusar a defender a nomeação do deputado estadual Edson Albertassi (MDB) para vaga de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado. Segundo Espíndola, a vaga deveria ser preenchida por um concursado, como acabou acontecendo. Uma semana depois, Albertassi foi preso pela Lava Jato.

O DIA: Como ficou a sua relação com o governador Pezão após a saída do governo em novembro do ano passado? O senhor ainda fala com ele?

Leonardo Espíndola: Houve um afastamento natural em razão de eu ter deixado de exercer a função de procurador-geral do estado, mas há cerca de dois meses o governador me ligou. Conversamos de maneira muito franca e leal. Ficamos de almoçar. Eu não guardo mágoa nem ressentimento em relação ao que aconteceu. São circunstâncias da política.

De certa forma, a sua posição de confronto com o governo naquela ocasião se assemelha à de Marcelo Calero (PPS) quando deixou de ser ministro da Cultura do governo Temer (MDB). O senhor pensa em se candidatar a algum cargo? Calero disputará a Câmara dos Deputados...

Não. Não alimento nenhuma pretensão política e nem sou filiado a nenhum partido. O meu interesse sempre foi apenas o de tentar ajudar o Estado do Rio de Janeiro. E ainda tenho esse interesse, de ajudar da melhor forma que eu puder.

A prisão de Edson Albertassi (MDB) reforça o seu sentimento de ter tomado a atitude correta na questão envolvendo a nomeação para o TCE?

Não faço nenhum juízo de valor a respeito disso. O que avaliei naquela ocasião não foram as pessoas, mas o fato jurídico colocado. A questão da legalidade a respeito de uma decisão que não me parecia correta. Mas não tenho nenhum juízo de valor a respeito das pessoas que acabaram sendo presas.

O senhor acredita na inocência do governador Pezão? Refiro-me às denúncias que aparecem nas delações...

O que posso falar é da convivência que tive com o governador Pezão quando fui secretário da Casa Civil e procurador-geral do estado. Não presenciei nada que pudesse desabonar a conduta dele. O Pezão sempre teve uma postura republicana na relação comigo. O episódio que redundou na minha saída foi oriundo de um assunto pontual. Avaliei que, do ponto de vista da legalidade, eu não poderia ter adotado outra posição.

O senhor é concursado. Como tem sido a sua rotina na procuradoria?

Trabalho normalmente na procuradoria. Voltei a ter a atividade de procurador, administrando 1.200 processos, tentando contribuir da melhor maneira. Não mais na função de procurador-geral, mas com os afazeres com os quais eu me comprometi quando fiz o concurso público no ano 2000. 

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