Presidente do TRE-RJ não vê 'solução mágica' para impedir tráfico e milícia nas eleições

Magistrado promete fazer um trabalho sério de prevenção e já pediu apoio às Forças Armadas

Por CÁSSIO BRUNO

 Presidente do TRE-RJ, desembargador Carlos Eduardo da Fonseca Passos
Presidente do TRE-RJ, desembargador Carlos Eduardo da Fonseca Passos -

RIO - O presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ), desembargador Carlos Eduardo da Rosa da Fonseca Passos, afirmou não existir "solução mágica" para impedir a atuação de milicianos e traficantes nas eleições do Rio. Mas o magistrado, que tomou posse no cargo em dezembro do ano passado, prometeu fazer um "trabalho sério" de prevenção. Ele já pediu apoio das Forças Armadas.

Além do crime organizado, Passos afirma que há preocupação também com a exploração de centros sociais e o abuso do poder religioso pelos políticos durante a campanha no estado. A equipe do desembargador criou ainda um núcleo de inteligência para combater a proliferação das fake news (notícias falsas).

O DIA: Qual será o principal desafio na campanha eleitoral deste ano?

Nossa atuação se concentrará, principalmente, no combate à influência do crime organizado, à exploração da miséria através dos centros sociais, ao abuso do poder religioso e à propaganda irregular.

Como o TRE-RJ enfrentará a onda das notícias falsas?

Formamos um núcleo de inteligência, com profissionais especializados, servidores e magistrados. A equipe é gerenciada pelos juízes Daniel Vargas, responsável pela fiscalização da propaganda virtual, e Mauro Nicolau Júnior, juiz coordenador da fiscalização da propaganda. A atuação tem sido pautada em ações estratégicas e compartilhamento de informações com órgãos públicos, com foco na prevenção.

O senhor pediu apoio das Forças Armadas?

O auxílio das tropas federais será essencial para garantia da normalidade das eleições este ano, tanto que já foi solicitado (o apoio) aos órgãos competentes.

Mas já há um planejamento com os militares da intervenção federal?

Foram realizadas algumas reuniões tanto com o general Braga Netto, interventor federal no Rio, quanto com o general Richard Nunes, secretário de Segurança. Evidentemente, por questões de sigilo e segurança, eu não posso torná-las públicas.

Haverá algum trabalho especial nas áreas de milícias e do trafico?

Foi costurada uma coalizão com a participação do Poder Judiciário, do Ministério Público e das polícias, permeada por ações estratégicas. Não existe solução mágica para problemas complexos. Mas acredito no trabalho sério de prevenção e repressão dos ilícitos.

O senhor já sabe quem são os políticos que usarão a estrutura das milícias e do tráfico?

Não posso tornar públicas informações sobre possíveis políticos envolvidos sob o risco de comprometer o trabalho já realizado.

Os pré-candidatos fazem campanha a todo vapor. Como a fiscalização tem atuado?

Montamos uma estrutura de coleta de informações e de atividades de fiscalização e de repressão. Estamos prontos para agir. O balanço das atividades será oportunamente divulgado, mas já posso adiantar que a atuação da equipe de fiscalização tem se dado de forma eficiente e com presteza.

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