MP investiga versão de Romário para acidente de trânsito

Após a batida, o senador saiu pela porta do motorista, mas afirma que funcionário de seu gabinete dirigia o Porsche

Por PAULO CAPPELLI

Marcelo Tocão e Romário
Marcelo Tocão e Romário -

O Ministério Público do Rio apura se o senador Romário (Pode) dirigia o carro que se envolveu em um acidente com um motociclista em 16 de dezembro, na Barra da Tijuca. Em depoimento, o ex-jogador afirmou que Marcelo Antonio Soares Wagner estava ao volante. Marcelo Tocão, como é conhecido, é lotado no gabinete de Romário no Senado desde outubro de 2017 e presta serviço em escritório no Rio. O Porsche Macan Turbo é registrado no nome da irmã de Romário, Zoraidi Faria, que não estava no local na hora da batida. Detalhe: por não assoprar o bafômetro em blitz da Lei Seca, o senador, pré-candidato ao governo do Rio, está judicialmente impedido de dirigir desde março de 2016.

Logo após o acidente, porém, Romário foi visto deixando o carro pela porta do motorista, como relataram testemunhas. O senador confirma. Diz que, por conta da batida, "a porta do carona travou" e que, portanto, saiu pela da esquerda para prestar socorro à vítima. Ernesto Gill da Silva, de 42 anos, estava em uma moto Kawasaki Ninja e se submete a sessões de fisioterapia para se recuperar das lesões.

De quem é a culpa?

O Ministério Público também tenta identificar qual veículo (o carro ou a moto) foi responsável pelo acidente, que ocorreu em um cruzamento na altura do shopping Barra Garden. Segundo o MP, "há conflitos de versões".

'Inovação artificiosa'

De acordo com o MP, em caso de depoimento mentiroso, Romário e Marcelo Tocão teriam praticado crime contra o artigo 312 do Código de Trânsito Brasileiro. A pena varia de pagamento de multa a um ano de detenção.

Sigilo

O inquérito é mantido sob sigilo. Segundo a Promotoria de Justiça, a medida é necessária para o sucesso da investigação.

Complexo

Não há previsão para a conclusão do inquérito. "Aguardamos respostas em relação às diligências já determinadas, que irão implicar na realização de outras diligências", diz o MP.

Restrição

Partidos como PDT, PPS e PV têm imposto uma condição para conversar sobre apoio a Eduardo Paes (DEM) ao governo: que o MDB fique fora da coligação. Presidente nacional do PDT, Carlos Lupi é enfático: "Não participaremos de aliança em que o MDB esteja. Até porque o nosso discurso nacional é muito claro (contra o MDB de Temer). O Ciro Gomes dirá isso com muita clareza".

Campo popular

Já o pré-candidato Anthony Garotinho (PRP) mantém um flerte com o PT. O ex-governador tem conversado com Gleisi Hoffmann, presidente nacional petista, com Washington Quaquá, presidente do PT-RJ, e com o senador Lindberg Farias.

Cimento liberado

Foi publicada no Diário Oficial de ontem autorização da Câmara Municipal para a prefeitura "realizar ações de melhorias habitacionais em áreas carentes com ocupação consolidada". Trata-se do 'abre-te Sésamo' para a volta do programa Cimento Social, menina dos olhos de Marcelo Crivella (PRB). Essa autorização foi um pré-requisito exigido pelo Tribunal de Contas do Município.

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