Aliados e adversários avaliam que Witzel cometeu erro em debates na TV

Mudança de postura do ex-juiz teria ajudado Eduardo Paes a reduzir a diferença de intenção de votos

Por PAULO CAPPELLI

Witzel e Paes no derradeiro debate da TV Globo. Juiz trocou postura incisiva por tom mais ameno
Witzel e Paes no derradeiro debate da TV Globo. Juiz trocou postura incisiva por tom mais ameno -

Rio - Políticos neutros, adversários e até mesmo aliados de Wilson Witzel (PSC) avaliam que o postulante ao governo cometeu um erro grave nos debates na televisão em especial, no último da Rede Globo. "O tom monocórdio, morno e a postura retraída soaram diferentes do Witzel combativo do primeiro turno. Ele deixou de ser o que era para adotar propostas de candidatos que não foram ao segundo turno", diz um parlamentar do PSD que apoia o ex-juiz.

"O jeito arrojado do Witzel no primeiro turno fez o eleitor associá-lo ao Jair Bolsonaro (PSL). Mais representativa do que qualquer declaração de apoio era a postura do Witzel, que se assemelhava à do Bolsonaro. Isso colava no eleitor. No segundo turno, o Witzel murchou, e o Eduardo Paes (DEM) ocupou muito bem esse posto de ser o cara combativo", avalia, desta vez, um integrante da campanha de Paes.

Curiosidade

Três dias após Witzel superar os adversários com 41% dos votos no primeiro turno, o ex-juiz se encontrou com a Coluna para gravar o programa Jogo do Poder, na CNT. Na ocasião, o candidato brincou dizendo que o Informe havia sido seu 'coaching' na campanha.

Segue

Isso porque, um dia depois da estreia do ex-juiz em debates na TV, na Band, em agosto, a Coluna fez uma avaliação de todos os participantes. Sobre Witzel, escreveu: "Tem algumas propostas, mas lhe falta tempero. Desconhecido do grande público, precisa arriscar mais". Depois da crítica, Witzel foi nitroglicerina pura no primeiro turno.

Outra opinião

Aliado de Witzel, Pedro Fernandes (PDT) minimiza a mudança de tom que amansou o ex-juiz no segundo turno: "A ideia do Wilson é discutir propostas para o Rio de Janeiro. Infelizmente, a outra candidatura está desesperada e apela de todas as formas."

Divergência interna?

Um político com trânsito no PSL afirma que há um certo mal estar entre o senador eleito Flávio Bolsonaro e Gustavo Bebianno, presidente nacional do PSL e braço direito do presidenciável Jair Bolsonaro. Uma das consequências da rusga teria sido o fato de Flávio liberar sua imagem para uso na campanha de Wilson Witzel dias após Bebianno dizer que votaria em...Eduardo Paes.

Calculadora

Após analisar as últimas pesquisas Ibope e Datafolha, a campanha de Paes avalia que ele está 800 mil votos atrás de Witzel. Portanto, para o empate, calcula que precisa reverter 400 mil.

Guerra (nada) santa

A disputa de Paes e Witzel pelos votos de fiéis de igrejas evangélicas tem sido uma briga de foice.

Justiça

A pedido da artista Paula Toller, o juiz coordenador de Fiscalização de propaganda eleitoral, Mauro Nicolau Junior determinou que a campanha de Fernando Haddad (PT) suspenda o uso, nas redes sociais, da música 'Pintura íntima'. Aquela que diz: "Amor com jeito de virada."

Rua, rua, rua...

Tanto Paes quanto Witzel planejam passar o dia hoje, último antes da eleição, pelo máximo de regiões possível, com carreatas e caminhadas.

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