Witzel critica 'péssimo governo', mas vereadora ligada a Crivella festeja com selfie

Do mesmo partido do prefeito e ex-líder da bancada no Parlamento, Tânia Bastos, vice-presidente da Câmara, não hesitou em postar foto com governador eleito

Por PAULO CAPPELLI

Selfie indigesta
Selfie indigesta -

A vereadora Tânia Bastos (PRB) postou nas redes sociais uma selfie com Wilson Witzel (PSC) após o sucesso do ex-juiz nas urnas. Não haveria problema, caso o governador eleito não tivesse dito, em pleno debate da TV Globo, às vésperas da eleição, que o prefeito Marcelo Crivella (PRB) faz "um péssimo governo".

Tânia é do mesmo partido do prefeito e contou com o apoio de Crivella para se eleger e para ocupar a vice-presidência da Câmara. Antes de assumir o posto, era líder do PRB no Parlamento carioca. Outros vereadores aliados de Crivella também festejaram Witzel mesmo após a crítica do futuro governador ao prefeito. Entre eles, o ex-secretário municipal de Saúde Carlos Eduardo (SD) e o tucano Felipe Michel (PSDB), que tem aparecido em agendas com Crivella.

Selfie indigesta

Tânia Bastos respondeu, via assessoria, que esteve com Witzel na condição de presidente municipal do PRB e que o partido decidiu apoiar o ex-juiz após a saída de Anthony Garotinho (PRP) do pleito.

'Coisas da campanha'

Já Carlos Eduardo, ex-secretário de Saúde de Crivella, encontrou-se com Witzel em agenda na Barra após a eleição. Ele minimizou a crítica do futuro governador a Crivella: "São coisas da campanha. Torço e espero que agora haja uma sinergia entre os governos estadual e municipal para a melhoraria da qualidade dos serviços."

Dois pra lá, dois pra cá

Parece haver um ruído de comunicação entre Carlos Eduardo e seu partido, o Solidariedade. É a segunda vez que o vereador apoia um candidato de fora da coligação. Em 2016, fez campanha para Crivella enquanto o SD apoiou Pedro Paulo (DEM). Agora, ficou com Witzel enquanto a legenda caminhou com Eduardo Paes (DEM).

Resumindo

Carlos Eduardo pode ser rebelde. Mas é pé quente.

'Não' aos conglomerados

O peso das coligações nas eleições majoritárias está cada vez menor. No Rio, Eduardo Paes e Cesar Maia, que contaram com o apoio de 12 partidos, não se elegeram para o governo e o Senado. Na disputa pela Presidência, Geraldo Alckmin (PSDB), que contava com o apoio de nove legendas, sequer foi para o segundo turno.

O plano para a Saúde

Ao Informe, o governador eleito Wilson Witzel revelou ideia para a Saúde: pretende trabalhar em parceria com a rede privada. "Hoje, muita gente não tem condição de pagar plano de saúde. Por que o governo não contrata um próprio plano de saúde para operar essa rede de acesso? São ideias que a gente tem que desenvolver para lançar os editais em janeiro. É usar a iniciativa privada como parceira, sem privatizar a Saúde."

CPI da Lei Rouanet

O deputado federal eleito Carlos Jordy (PSL) articula para ser um dos autores da CPI da Lei Rouanet: "Essa caixa-preta tem que ser aberta. Chega de mamata e de partidarizar a cultura."

Carroça na frente dos bois

Otimista com as pesquisas iniciais, um político que almejava ser secretário em um eventual governo Paes chegou a criar um grupo no WhatsApp no qual incluiu membros da 'futura equipe'.

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