Coordenador da Lava Jato diz ter 'quantidade grande de informações' para mais prisões no Rio

Segundo procurador Eduardo El Hage, que comanda força-tarefa há três anos, operações vão avançar em 2019

Por CÁSSIO BRUNO

Procurador Eduardo El Hage: 'O estado do Rio foi infestado por esse fenômeno da corrupção, mas pouco a pouco temos conseguido combater'
Procurador Eduardo El Hage: 'O estado do Rio foi infestado por esse fenômeno da corrupção, mas pouco a pouco temos conseguido combater' -

Rio - O coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato no Rio, procurador Eduardo El Hage, de 38 anos, diz que, em 2019, as ações contra os corruptos no estado continuarão. "Temos grande quantidade de informações", revela.

El Hage lidera uma equipe com 11 procuradores. O trabalho completa três anos. Só em 2018, a turma mandou sete deputados estaduais para Bangu 8. Revelou corrupção no Sistema S e na Fecomércio, na Secretaria de Administração Penitenciária e na área de saúde. E levou à prisão o ex-governador Luiz Fernando Pezão quando ele estava no cargo.

O DIA: Como avalia o trabalho da Lava Jato, no Rio, em 2018?

EDUARDO EL HAGE: Avançou no desmantelamento da organização criminosa de Sérgio Cabral. Dando continuidade à Operação Calicute, foram deflagradas novas fases. Todas foram exitosas e renderão frutos em 2019.

Quais as características principais usadas nos crimes praticados por políticos do Rio?

Corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Foi a espinha dorsal que tomou conta do estado por décadas. Desvio de dinheiro público feito de forma organizada e profissional com a sua posterior ocultação, seja por meio de contratos simulados no Brasil ou operações dólar cabo para envio da propina para paraísos fiscais. Felizmente, a capacidade investigatória do MPF, que tem feito uso de modernas ferramentas, tem sido capaz de avançar no desmantelamento e recuperação do produto dos crimes.

O ex-governador Cabral negocia mesmo delação premiada?

Qualquer negociação de colaboração premiada é, por lei, sigilosa. Não é possível confirmar ou negar qualquer contato a esse respeito, seja com Cabral ou com qualquer outro denunciado.

Como seria a Lava Jato sem as delações?

Por não deixar qualquer rastro e ter a propina negociada a portas fechadas, é complexo de se investigar. A dificuldade é ainda maior quando é cometida por organizações sofisticadas e aparelhadas. A colaboração premiada, nesse contexto, foi fundamental para que o Brasil começasse a virar a página de sua história no tocante aos crimes de colarinho branco. No entanto, não é demasiado lembrar que a colaboração de nada vale sem provas e é apenas uma das ferramentas que têm sido utilizadas para investigação. Além dela, a parceria entre órgãos do Estado foi a pedra de toque da Lava Jato até então.

Seria possível levar políticos à cadeia sem as delações?

Com certeza, não. Sem a colaboração premiada, a sofisticação dos delitos praticados não permitiria que os órgãos de controle chegassem até onde chegaram.

O que a sociedade pode esperar da Lava Jato, no Rio, em 2019?

O desafio é enorme. Os esquemas estão sofisticados. A força-tarefa do Rio fará três anos, em 2019. Está de posse de uma quantidade grande de informações que nos possibilitarão avançar. 

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