'Queremos sair do jogo do ódio', diz Lupi sobre Ciro à Presidência em 2022

Para presidente nacional do PDT, governo Bolsonaro "é uma onda". "Começou grande e acabará pequenininho, só fazendo espuma", provocou. Ele defendeu políticos presos

Por CÁSSIO BRUNO

Presidente nacional do PDT, Carlos Lupi
Presidente nacional do PDT, Carlos Lupi -

Carlos Lupi, presidente nacional do PDT, apostará novamente em Ciro Gomes à Presidência, em 2022, como alternativa “razoável e lúcida”. Segundo ele, Ciro será o caminho para “quem odeia Lula e quem ama”, mesmo sem apoio do PT. "O governo Bolsonaro é uma onda. Começou grande e acabará pequenininho, só fazendo espuma", provoca.

À Coluna, Lupi afirma querer lançar Martha Rocha à prefeita do Rio em 2020, mas a deputada não decidiu. Ele defendeu ainda os políticos do PDT que estão presos suspeitos de corrupção. "Não há hipótese", diz sobre expulsá-los.

O DIA: O PDT terá candidato a prefeito do Rio em 2020?

CARLOS LUPI: Tenho trabalhado desde o fim das eleições (de 2018) para a (deputada estadual) Martha Rocha aceitar. Ela tem perfil. É mulher, experiente, conhece a segurança pública porque já foi delegada, sabe como integrar com a guarda municipal. Ela aceitou pôr o nome à disposição. Vamos avaliar com pesquisas. Não vamos jogá-la numa aventura.

Então dependerá das pesquisas?

Não só. Depende do momento político. Na minha cabeça, já está definido. Mas ela quer ver a fotografia do momento.

Visitou o deputado Luiz Martins na cadeia?

Não posso. Não sou advogado. Só a família. Falei com a esposa dele. Só agora ela conseguiu visitá-lo após 70 dias. Independentemente do mérito, vejo um momento de autoritarismo.

Por quê?

A família não tem direito de visitar? Mesma situação a do (prefeito de Niterói) Rodrigo (Neves). A esposa dele demorou 52 dias. Não sou jurista. Mas impedir a família de visitar é grave. Estamos retrocedendo no âmbito dos direitos humanos, do respeito à cidadania e à individualidade.

Os dois serão expulsos do PDT?

Não há hipótese. Não tenho receio de fazer o debate sobre as duas situações. Primeiro, há o preceito constitucional que é sempre a presunção de inocência. Vamos aguardar o direito de defesa porque senão rasgaremos a constituição brasileira.

Os deputados presos devem tomar posse?

Os que foram eleitos têm a legitimidade do voto popular. Não se pode aguardar o processo legal da condenação impedindo a posse. Isso é impedir o manifesto da população. Claro, não vão poder exercer porque estão presos. Agora, impedir a posse não vejo como.

Dar posse para ficarem presos?

Estão para sair os habeas corpus.

Qual será o papel do Ciro Gomes?

Fazer do Ciro uma alternativa razoável, lúcida, para um projeto nacional. Queremos sair do jogo do ódio. De quem odeia o Lula e de quem ama.

Como unir a esquerda? O PT não abre mão do Lula.

Problema do PT. Antes, o PT era três vezes a nossa bancada (no Congresso). Hoje, é uma vez e meia.

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