'Vamos pôr na cadeia bandido de distintivo e de farda', diz vice-governador do Rio

Cláudio Castro afirma que governo não compactuará com responsáveis por atrapalharem as investigações do assassinato da vereadora Marielle Franco

Por CÁSSIO BRUNO

Rio de Janeiro - 23/05/2019 - O vice Governador Cláudio Bomfim de Castro e Silva durante entrevista para o reporter Cassio. Foto: Luciano Belford/Agencia O Dia
Rio de Janeiro - 23/05/2019 - O vice Governador Cláudio Bomfim de Castro e Silva durante entrevista para o reporter Cassio. Foto: Luciano Belford/Agencia O Dia -
RIO - Vice-governador improvável pelo PSC (era vereador quando foi convidado para formar chapa com Wilson Witzel, então candidato lanterna nas pesquisas), o advogado Cláudio Castro, de 40 anos, é músico católico. Em entrevista à Coluna, ele detalha o trabalho de auditorias em contratos do governo. Sobre a Polícia Federal ter concluído que as investigações da morte da vereadora Marielle Franco (Psol) foram obstruídas, afirma: “Vamos pôr na cadeia bandido de distintivo e de farda”. Castro se referiu ao senador Flávio Bolsonaro (PSL), enrolado com a Justiça e Ministério Público, como “grande aliado”. Admitiu que o governador não decidiu quem apoiará para prefeito do Rio, em 2020.

O DIA: Por que o governo está fazendo auditoria nos contratos?

CLÁUDIO CASTRO: A população falava de corrupção o tempo todo. Você teve secretários presos, deputados presos, governador preso. Não tinha como a gente entrar e não auditar, fingir que nada aconteceu.

Em quais?

A CGE (Controladoria Geral do Estado) tem feito o trabalho. Às vezes, leva-se mais de um ano para auditar tudo: Detran, DER (Departamento de Estradas de Rodagem), Secretaria de Transportes, Secretaria de Obras. As auditorias começaram pelos órgãos onde tínhamos denúncia de complicadores.

Que tipo de irregularidades foram encontradas?

Teria que ver a questão mais técnica. Mas eu sei que alguns contratos foram encerrados. N Encerrados por quê? L Às vezes, uma licitação que não passou pelo TCE (Tribunal de Contas do Estado), falhas na contratação. Muitos contratos emergenciais. Por exemplo: no Detran, a maioria das coisas estava sendo paga por TAC (Termo de Ajustamento de Conduta). Nem emergencial tinha. É totalmente contra qualquer norma de direito administrativo. O governador mandou acabar com esses TACs.

Mas as auditorias não atrasam o pagamento de fornecedores?

Atrasam. Mas faz parte do início de governo. É de praxe.

Quanto já foi economizado com as auditorias?

Só no Detran, de janeiro a abril, foram R$ 200 milhões. No DER, de R$ 70 milhões a R$ 80 milhões. Na Fundação Leão XIII, R$ 15 milhões. Só com ajustes e cortes.

As milícias estão espalhadas pelo estado. O governador não apresentou um trabalho efetivo.

O governador tem falado muito que há dois grandes vieses. O da repressão, combate, enfrentamento, o que realmente está dando mais burburinho. Mas ele criou o maior departamento de combate à lavagem de dinheiro. E as investigações estão muito avançadas. A gente crê que, nos próximos meses, teremos grandes operações mostrando o quanto esse dinheiro do tráfico e da milícia flutua e vai irrigando toda essa política.

Mas não há um trabalho específico contra as milícias. Pelo menos a população não tem essa percepção.

Mas está acontecendo. Talvez não tenha visto resultado ainda. Não completou nem o quinto mês de governo. E o problema é de, pelo menos, uma década. Sabia-se que seria difícil. O nosso conselho de segurança tem trabalhado com a Polícia Rodoviária Federal, Polícia Federal e Ministério Público. Temos que impedir que o armamento, a droga, o dinheiro cheguem. Enquanto você não fizer isso tudo, é enxugar gelo.

A Polícia Federal concluiu que houve obstrução nas investigações do caso Marielle. Como avalia?

O governador já falou: não passa a mão na cabeça de bandido nem na rua, nem de farda, nem de distintivo. Se tiver bandido dentro (das polícias Civil e Militar), a gente vai punir severamente. Vamos pôr na cadeia bandido de distintivo e de farda.

O Witzel já tem candidato a prefeito do Rio, em 2020, para apoiar? Como tem tratado o assunto?

Temos um grande parceiro que é o PSL. O senador Flávio Bolsonaro foi um grande aliado. Hoje, temos também o PSD e o Solidariedade. Entendemos que tem de ser feito um estudo das 92 cidades. De quem terá o melhor nome de acordo com o que a gente entende de política. O que a gente ouve é que o candidato do PSL hoje seria o deputado Rodrigo Amorim.

Martelo batido?

Não. Só será batido na convenção do ano que vem.

A relação do Witzel com a Alerj não está confortável. Os deputados querem mais espaço no governo.

Ninguém consegue governar sozinho. Acho até que a relação está muito tranquila perto do que a gente não dá para eles, da mudança tão brusca de paradigma.

Por que o Pastor Everaldo tem tanto poder no governo Wilson Witzel?

Não acho que tenha tanto poder. Ele é presidente nacional do nosso partido. É alguém que conhece a estrutura do estado, mas mal o vejo no Palácio Guanabara. Eu nunca soube dele entrando em nenhum órgão. É mais a questão de expectativa de que ele tenha. Ele já está nisso desde o Garotinho.

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