Na Polícia Civil, não há sequer reagente para realização de exames de DNA

Em conversa com a coluna, peritos revelam ainda que a falta de produtos químicos também impossibilita o exame de alcoolemia, obrigatório nos casos de acidente de trânsito com mortes.

Por Maria Luisa de Melo (interina)

Num governo em que tanto se fala em combater o crime, o investimento em polícia técnica parece um objetivo longe de ser alcançado. Em conversa com a coluna, peritos relataram que, este ano, ainda estão processando laudos de DNA do ano passado. Faltam reagentes para a realização dos exames, o que atrasa as investigações. A falta de produtos químicos também impossibilita o exame de alcoolemia, obrigatório nos casos de acidente de trânsito com mortes. Não há sequer detergente para lavar os vidros onde são preparadas as reações químicas. “Não é só comprar viaturas e armas que é importante”, criticou uma perita.

'Mães ficam dias esperando no IML'

Nos postos dos Institutos Médicos Legais (são 19, além da sede), as necrópsias só podem ser feitas durante o dia, por falta de iluminação adequada. Os peritos revelam ainda que a Polícia Civil comprou 20 scanners de raio x para laudos periciais, com o custo de cerca de R$ 1 milhão cada um, mas as unidades do IML não podem usá-los porque rede elétrica antiga não suporta a demanda por energia. Em audiência pública na Alerj, na última sexta-feira, uma perita da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) desabafou. “As mães ficam esperando por dias os corpos de seus filhos serem liberados do IML, porque não há reagentes para realização de exames. Não temos laboratórios de análises clínicas e nem como descobrir quem foi o autor de um disparo. Se foi polícia ou vítima, num caso de auto de resistência”, afirmou Janaína Matos.

Secretário ainda não cumpriu melhorias

Ainda de acordo com relato dos peritos, o secretário de Polícia Civil, Marcus Vinícius Braga, visitou os institutos do Departamento Geral de Polícia Técnica quando tomou posse. Na ocasião, prometeu melhorias. A reportagem procurou a Polícia Civil, que não retornou até o fechamento desta edição.

Na Câmara, Marielle presente
No plenário da Câmara do Rio lotou, sexta-feira, durante a entrega da Medalha Pedro Ernesto ao vice-governador Cláudio Castro. O deputado estadual pelo PSL Rodrigo Amorim (foto) não perdeu a chance de subir ao púlpito. E passou constrangimento. Teve que discursar na tribuna que exibe a placa em homenagem a Marielle Franco. Logo ele, que ficou conhecido após quebrar uma placa que exibia o nome da vereadora assassinada.

OAB discute pacote anticrime
O pacote do ministro Sergio Moro que promove a alteração de 14 leis será discutido amanhã, na sede da Ordem dos Advogados do Brasil, com a presença de familiares de vítimas de violência.

Excludente de ilicitude
Na ampliação do excludente de ilicitude proposta por Sérgio Moro em seu pacote anticrime foi alvo de duras críticas do desembargador Alcides da Fonseca Neto, em evento sobre milícias na Escola de Magistratura.

Atirar sob forte emoção
Pela proposta, seriam perdoados policiais que aleguem forte emoção ao atirar em alguém. Moro comentou, no Twitter, que isso já existe na Alemanha. Neto nega, veementemente, que isso valha para a polícia de lá.

Menos grana para a limpeza
Entre 2009 e 2018, a cidade do Rio teve uma redução de 66% na liquidação de ações de limpeza e coleta de resíduos nas comunidades carentes. Passou de R$ 44,9 milhões (2009) para R$ 15,3 milhões (2018).

Comlurb vai apurar
Para este ano, a dotação é de apenas R$ 7 milhões. O levantamento é do gabinete da vereadora Teresa Bergher (PSDB), que questionou o presidente da Comlurb, Tarquino Prisco. Ele prometeu apurar o caso.

Comentários