'Precisamos de todo mundo', diz deputado sobre possível ajuda de Garotinho a Witzel no interior

Líder do PSC na Alerj, o estadual Bruno Dauaire tenta costurar alianças para o governador no interior do estado, onde mantém sua base eleitoral. O foco é a eleição municipal do ano que vem

Por Maria Luisa de Melo

Projeto é de autoria do deputado Bruno Dauaire
Projeto é de autoria do deputado Bruno Dauaire -
Um dos deputados estaduais mais votados das regiões Norte e Noroeste do estado, Bruno Dauaire é líder do PSC na Alerj e tornou-se o principal nome, junto ao governador Wilson Witzel (PSC), com a missão de fazer alianças pelo interior do estado. O foco são as eleições municipais do ano que vem. Para tal, não descarta o apoio do ex-governador Anthony Garotinho, a quem classifica como "grande entendedor do estado do Rio". Apesar de citar a crise financeira do Rio para defender mais alianças que poderiam ajudar o estado, é defensor de benefícios concedidos a parlamentares, como o auxílio-moradia: "É direito e obrigação do próprio Executivo repassar essa verba para a Alerj como faz com outras instituições".
O DIA: O senhor se filiou ao PSC, partido de Wilson Witzel, depois que ele já havia vencido as eleições para o governo. Acabou acusado de oportunismo. No que se identifica com o partido?
BRUNO DAUAIRE: O partido pelo qual fui eleito (PRP) não atingiu a cláusula de barreira. Por isso, foi extinto e teve uma fusão com outro partido. As normas programáticas desse novo partido (Patriota) eu não concordo e foi por isso que eu fui para o PSC. É um partido que eu me alinho ideologicamente, é o partido do governador que eu tenho uma confiança tremenda e uma expectativa grande de ele dar jeito no estado do Rio de Janeiro. E eu quero fazer parte desse novo contexto do estado. Ajudando não só o partido, mas a sociedade a se livrar dessa crise de autoridade e financeira. Acho importante estar na base do governo, liderando o partido do governador por tudo que eu vivi aqui na Assembleia como opositor ao governador Pezão.
Esse rompimento com grupos políticos que, segundo a Justiça, cometeram algum tipo de irregularidade contra o estado do Rio de Janeiro, de fato aconteceu? Semana passada noticiamos que há pessoas ligadas ao Garotinho trabalhando no governo Witzel...
O rompimento está acontecendo, é um processo. Sou fã do governo do Garotinho e não acho que seu governo teve qualquer ato que o desabonasse. Essa é uma posição minha. O Garotinho foi muito importante para o interior do estado. Para a minha região (São João da Barra), foi muito importante com obras, benefícios e trazendo desenvolvimento. Mas o rompimento com esses grupos faz parte de um processo, não posso dizer que há um rompimento total. Mas acredito que a intenção do atual governador e do staff que o cerca é justamente romper com isso. O grande segredo para a gente começar a reconstruir o estado dentro do âmbito do desenvolvimento, da geração de empregos, atração de indústrias é rompendo e trazendo de novo a credibilidade que o estado precisa. Mas desconheço essa participação do Garotinho no governo Witzel. Não teria problema em falar, porque acho que ele é um grande entendedor do estado do Rio.
Como está ajudando o governador a trabalhar pelo interior - onde fica sua base eleitoral - para as eleições municipais do ano que vem?
Eu tenho a opinião de que o governador será o grande eleitor do ano que vem, até pela votação que ele teve, inclusive se tratando do interior. Eu tenho tentado ajudar o governador e o próprio partido a consolidar apoios em pessoas que tenham dentro do seu histórico o que o governador exige, que é a honestidade, a vontade de fazer pelo interior. Eu tenho tentado ajudar o governador nesse sentido, até porque a gente sabe que nenhum prefeito do interior o apoiou.
Vocês contam com apoio de Garotinho para o fortalecimento de Witzel no interior?
Não posso falar pelo Garotinho. Mas meu trabalho vai ser para que as pessoas que pensem pelo bem do estado estejam juntas para melhorá-lo. Diante do potencial econômico e energético que nós temos aqui, estamos muito aquém dos outros estados. Precisamos de todo mundo para o estado voltar a se desenvolver e crescer.
Você é um deputado estadual jovem, seu currículo fala em renovação. Mas a Alerj parece ter mudado muito pouco. Falamos em estado falido, mas os parlamentares mantém diversos benefícios...
Primeiro, tem que deixar claro que os orçamentos são diferentes. A Alerj é um poder, que está dentro do repasse garantido pela Constituição. Então, comparar a Alerj com o governo do Estado nesse quesito é um pouco temerário.
Mas, de qualquer forma, o dinheiro vem do Executivo...
Sim, mas através de duodécimos. É direito e obrigação do próprio Executivo repassar essa verba para a Alerj como faz com outras instituições que estão dentro do contexto constitucional do repasse obrigatório do duodécimo. A Alerj hoje gere o seu próprio orçamento, assim como o governo do estado tem o seu próprio orçamento. Essa comparação é um pouco complicada por nós termos o nosso próprio orçamento e a nossa maneira de nos organizar. Temos deputados aqui, como eu, que moram a mais de 100 km da cidade. Tem uma vida quase dupla porque a gente fica no dia de semana praticamente na cidade do Rio e no final de semana volta para a base.
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