Washington Fajardo - Reprodução do Facebook
Washington FajardoReprodução do Facebook
Por CÁSSIO BRUNO
Washington Fajardo, de 47 anos, tenta se viabilizar eleitoralmente para concorrer à Prefeitura do Rio, em 2020. Atualmente, é filiado à Rede Sustentabilidade, de Marina Silva. O urbanista e arquiteto já trabalhou nas gestões de Eduardo Paes (DEM), quando foi assessor especial para assuntos urbanos e responsável pelo patrimônio cultural, e de Lindbergh Farias (PT), em Nova Iguaçu, também cuidando de projetos urbanísticos. Fajardo mora hoje nos Estados Unidos, onde é pesquisador em Harvard. Retornará ao Rio em janeiro. Em entrevista à Coluna, ele diz conhecer gestão pública e relembra o Favela-Bairro e seu idealizador, o ex-prefeito Luiz Paulo Conde, também arquiteto.
O DIA: O senhor é pré-candidato à Prefeitura do Rio pela Rede?
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WASHINGTON FAJARDO: Não está definido ainda. Estou filiado à Rede desde o ano passado e conversando. Estou à disposição do partido e da cidade.
Então, o senhor quer mesmo concorrer.
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Quero ser candidato. Sinto-me preparado e, ao mesmo tempo, com energia para
contribuir. Como arquiteto e urbanista, eu enxergo uma dimensão técnica do planejamento da cidade e de alguns problemas de desenvolvimento que me deixam muito preocupado.
Por exemplo?
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É o momento de cuidar do Rio. Isso é um pouco do resultado de um balanço que eu acho que todos os cariocas já sabem: a administração do Marcelo Crivella. Tivemos um período de preparação olímpica onde a cidade conseguiu conquistar uma infraestrutura nova e ele não entendeu isso. A população
de rua cresce em progressão geométrica. A rede de saúde está abandonada.
Mas o senhor já conversou com a Marina Silva sobre seu plano?
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Ainda não. Estou tentando. Converso muito com todos os quadros do partido no Rio. Também tive uma conversa com o Avante.
Além da Rede e do Avante, tem algum partido ao qual o senhor apresentou o projeto eleitoral?
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Tive diálogo com outras legendas. Mas procurei a Rede para me filiar. É um partido que me identifico. É uma legenda que tem força no Rio e é onde desejo continuar. Mas a vontade de contribuir é com a cidade. Vai além da dimensão da legenda. Fui filiado há muito tempo ao PV para tentar contribuir com a cena política. Nunca pensando em alçar um voo desse tipo. E, em 2016, me filiei ao MDB. Foi a pedido do Eduardo Paes. Depois desse período, procurei a Rede.
Como o senhor tem buscado a viabilidade eleitoral para 2020?
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O que eu estou apresentando são ideias para a cidade. A gente fica discutindo a polarização do país e não olhamos aspectos da cidade que estão promovendo o fracasso da experiência humana no Rio. Tenho procurado me tornar viável em um campo que eu domino: o planejamento e desenvolvimento urbano e ambiental. De como a gente aplica no Rio conceitos que outros lugares estão fazendo e conseguiram se transformar. A ideia de urbanismo social, a experiência de Medellín, de urbanismo inclusivo. Ou seja: a gente tem uma urgência de inaugurar um período novo na história da cidade. Não podemos discutir Bolsonaro ou Lula Livre tendo um contingente humano sem sonhos, sem perspectiva de vida, sem possibilidade de viver o dia a dia. Conheço bem esse cotidiano. Tenho uma visão técnica da cidade. Estou oferecendo essa visão nas conversas políticas.
Mas a prefeitura mal tem dinheiro para pagar as contas. É possível?
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Totalmente possível. A Prefeitura do Rio fez o programa Favela-Bairro na década de 1990 quando o país estava saindo do período de hiperinflação. A economia não avançava, a desigualdade crescia. Mas o mundo inteiro reconheceu como visionário o Favela-Bairro. Tivemos o período olímpico após a crise
financeira de 2008. A cidade conseguiu se estruturar para realizar um grande evento. Agora, é necessário assumir um compromisso com as comunidades e fazer com que o orçamento trabalhe em função delas. Temos que romper a lógica pela qual o orçamento trabalha em função do interesse privado.A prefeitura vende terrenos públicos para imobiliárias fazerem apartamentos para ricos. E, ao mesmo tempo, a população vive em moradias precárias em
áreas de risco, sem nenhuma política (habitacional). Precisamos também ter um prefeito comprometido com política de segurança pública.
O Eduardo Paes poderá ser o seu adversário.
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O meu espírito não é contra ninguém. Sou a favor da cidade. Meu nome, apesar de ser uma novidade, conheço a gestão pública. Conheço bem como funciona a prefeitura. Sou a novidade experiente. Sou um arquiteto urbanista. Temos a história do (ex-prefeito Luiz Paulo) Conde. A cidade melhorou naquele momento. Precisamos ter uma administração mais técnica.
O deputado Marcelo Freixo (Psol) quer o apoio da Rede à candidatura dele.
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Conversei com ele, mas não neste sentido. Não podemos continuar a transformar o Rio num laboratório de testes ideológicos.