Bolsonaristas podem ficar fora das eleições municipais do ano que vem

Partido Aliança pelo Brasil só poderá participar do próximo pleito se o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) permitir a coleta eletrônica de assinaturas. Decisão sairá na terça

Por Maria Luisa de Melo

Com Flavio Bolsonaro, parlamentares do PSL que deverão formar o Aliança e apoiadores
Com Flavio Bolsonaro, parlamentares do PSL que deverão formar o Aliança e apoiadores -

O evento de lançamento do partido Aliança pelo Brasil, ontem, em Brasília, foi marcado pelo discurso do presidente da República, Jair Bolsonaro, e muitos flashes. Mas os bolsonaristas não esconderam uma preocupação. Caso a nova sigla não consiga a validação das 491.967 assinaturas até março, não poderá lançar seus candidatos a prefeito na eleição do ano que vem. Tudo depende de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) permitir a coleta eletrônica de assinaturas. Se isso não ocorrer, as apostas ficarão na mão do cacique do PSL, Luciano Bivar.

Em discurso, Jair Bolsonaro confirmou a preocupação. "Se for possível a (coleta) eletrônica (de assinaturas), a gente forma um partido para março. Se não, eu não vou entrar em disputas municipais no ano que vem. Estou fora", disse.

No Rio, a ala bolsonarista do PSL já está conformada. Marcelo do Seu Dino, Filippe Poubel e Alana Passos estão na lista dos possíveis concorrentes no ano que vem, em municípios como Duque de Caxias, São Gonçalo e Queimados. Uma fonte da coluna, que pertence aos quadros do partido, ameniza a preocupação. "A proposta do Aliança pelo Brasil transcende uma mera eleição municipal". Na próxima terça, a Justiça Eleitoral decidirá se aceita ou não a coleta digital.

No evento de ontem, Flavio Bolsonaro, que será o vice-presidente nacional da legenda, posou para fotos. Ao lado dele estava uma parte do PSL. Os estaduais fluminenses Alexandre Knoploch, Rodrigo Amorim, Gil Viana e Gustavo Schmidt não foram convidados. O quarteto permanecerá com Bivar.

O motivo para parte do PSL ser excluída do novo partido foi justamente a proximidade de alguns deles com o governador Wilson Witzel. A rivalidade foi lembrada por Jair Bolsonaro no evento de ontem. "O governador sabia que ia vazar e estava comemorando", disse o presidente sobre a divulgação de depoimento de uma testemunha da investigação da morte da vereadora Marielle Franco que citava seu nome. Mais tarde, Witzel rebateu. "Eu não manipulo a polícia do Rio".

JORGE FELIPPE NA PAUTA DO DIA

O presidente da Câmara, Jorge Felippe (MDB) - Renan Olaz/CMRJ

Todo o protagonismo da sessão de ontem, na Câmara de Vereadores, ficou com o presidente da Casa, Jorge Felippe (MDB). Ele usou a tribuna por 40 minutos e quebrou o silêncio sobre as denúncias feitas contra ele na Lava Jato. Apontado por Lélis Teixeira, ex-presidente da Fetranspor, como o vereador que mais recebia propina, Jorge Felippe se defendeu.

Disse que deferiu duas CPIs para investigar contratos entre a prefeitura e as empresas de ônibus. Mas um detalhe foi destacado pelos presentes: faltou pronunciar a frase "não recebi propina".

 

LIDERANÇA EVANGÉLICA?

O Democratas do Rio de Janeiro avalia a possibilidade de lançar o nome do deputado de reduto cristão Sóstenes Cavalcante.

 

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