'Rola química entre Freixo e Benedita', diz Lindbergh Farias sobre aliança no Rio

Ex-senador petista diz que Benedita da Silva não quer ser pré-candidata no Rio e que Lula virá à cidade no próximo dia 18

Por Maria Luisa de Melo e Gabriela Oliva*

26/09/2018 - Eleição 2018 - Entrevista com o senador Lindbergh Farias, do PT, candidato ao Senado Federal pelo Rio de Janeiro. Foto de Alexandre Brum / Agência O Dia - POLITICA CIDADE ELEIÇÃO VOTO PLEITO GOVERNO ESTADO ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CARGO URNA TSE TRE DEPUTADO FEDERAL SENADO CONGRESSO NACIONAL PARLAMENTAR
26/09/2018 - Eleição 2018 - Entrevista com o senador Lindbergh Farias, do PT, candidato ao Senado Federal pelo Rio de Janeiro. Foto de Alexandre Brum / Agência O Dia - POLITICA CIDADE ELEIÇÃO VOTO PLEITO GOVERNO ESTADO ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CARGO URNA TSE TRE DEPUTADO FEDERAL SENADO CONGRESSO NACIONAL PARLAMENTAR -
Ex-senador, o petista Lindbergh Farias é um dos que tentará ocupar uma cadeira na Câmara do Rio no próximo pleito. Ele conta que o partido deverá abrir mão de ser cabeça de chapa, cedendo a vez para o federal Marcelo Freixo (PSOL), que tem mais chances, e confirma que a ex-governadora Benedita da Silva (PT) deve vir como vice do psolista. Condenado por improbidade administrativa por ter usado o símbolo de sua gestão na Prefeitura de Nova Iguaçu em produtos distribuídos à população, ele minimiza o fato. E diz que o PDT não participará da aliança iniciada entre PT e PSOL porque "Ciro está de marcação contra a esquerda".

Quais são os planos do PT para a eleição municipal de 2020?

A gente tem um nome que é o nome da Benedita da Silva. Ela é uma mulher que tem uma história. Negra, favelada, foi governadora do Rio, senadora e ministra do Lula. É o nome que estamos apresentando para discutir uma chapa majoritária. A gente tem conversado bastante com o Marcelo Freixo (PSOL) e com o PC do B e vemos a necessidade de formar um campo de unidade na esquerda. O nome do Freixo, que foi para o segundo turno (nas eleições municipais de 2016), é o que me faz acreditar em uma chapa dele com a Benedita para a Prefeitura. Ele tem força para lutar contra o governo Bolsonaro. Essa aliança traz para o Freixo uma coisa que ele não tinha: um tempo grande de televisão. Ele tinha segundos, enquanto o PT tem a maior bancada de deputados (e, consequentemente, o maior tempo de TV). Lula fala com os setores mais pobres e este voto somado com o do Freixo pode ser decisivo.

E como está sendo a construção do nome da Benedita?

A Benedita é o nosso nome na costura. Não como pré-candidata à Prefeitura, mas é a melhor vice para o Freixo. Ela é capaz de buscar um outro voto que não iria necessariamente para o Freixo. Seria o equilíbrio entre classe média e setor popular; entre universidade e favela. Até no público evangélico dá para entrar. Já falei com o Freixo que é o ideal. Nosso papel não é lançar ninguém, é construir. Nosso caminho é outro. Eu sei que a química entre Freixo e Benedita está rolando. Ela não quer ser pré-candidata, prefere ser nome nesta frente. Alguns setores do PT podem cismar com isso, mas a decisão dela é por não dividir a esquerda. Se dividir, a esquerda pode ficar fora do segundo turno.

Qual tem sido o seu papel nessa "aliança progressista" costurada por Freixo?

A ideia não é fazer uma chapa PT e PSOL, mas sim uma frente mais ampla. Estamos procurando a Rede, o Partido Verde, o PC do B e dialogando com o PSB. O Rio era um estado que votava com a esquerda, agora tem Witzel, Crivella e Bolsonaro. Se a gente não entender que precisa de uma unidade mais ampla neste campo progressista, a gente não entendeu nada. Eu serei candidato a vereador pelo PT no Rio, assim como Reimont e Luciana Novaes (que tentarão reeleição) , Edson Santos (ex-deputado federal) e a Erika Takimoto.

Mas, nesta formação de uma aliança de esquerda, o PDT não participaria...

O ideal seria fechar uma chapa entre PSOL, PT, PC do B, PSB, PV e até o PDT. Mas o PDT não vem porque o Ciro está na marcação de campo contra a esquerda em tudo que é lugar. A candidatura da Martha Rocha (PDT) não é de esquerda. Ela foi delegada da Polícia Civil e vai ter um problema para explicar em campanha porque ela trabalhou no governo Sérgio Cabral. Não coloco fé nela, mas tenho esperança quanto ao Molon para estar junto conosco.

Que papel Lula deverá desempenhar nas eleições do Rio?

Ele estava com o objetivo de estimular candidaturas próprias do PT em muitos lugares do país, mas aqui no Rio está bem encaminhado. No dia 18, Lula virá ao Rio para fazer um evento de agradecimento no Circo Voador para conversar sobre o cenário político brasileiro. Ele será uma peça importante para esse novo caminho para o Brasil e o Freixo só ganha com isso.

O senhor foi condenado, este ano, por improbidade administrativa, acusado de fazer promoção pessoal em material distribuído à população de Nova Iguaçu, quando foi prefeito da cidade. Isso não te prejudicaria em 2020?

O juiz me acusou de promoção pessoal, porque a Prefeitura usou a marca de um sol. Primeiro, eu não sou do PSOL. Se pelo menos fosse uma estrela, poderiam dizer que era o símbolo do PT. Isso mostra uma justiça partidarizada. É incompreensível.

Qual o maior desafio para a frente progressista da esquerda encarando o momento de um estado massivamente conservador?

Para nós, o Rio é o laboratório mais avançado do conservadorismo no Brasil. Aqui é um lugar mais difícil porque nos territórios existe uma presença muito forte da milícia. São, praticamente, políticas territoriais armadas, que tem candidatos a vereador e prefeito.
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