Daniela Maia é empresária e há quatro anos é secretária de Turismo do Rio de Janeiro. Estudou Comunicação Social, no Rio, e Design de Moda na Parsons School, em Nova York, onde trabalhou no mercado corporativo, antes de integrar a administração pública. Presidiu a Riotur em 2021 e 2022, onde deu início às negociações do megashow da cantora pop Madonna na Praia de Copacabana, em maio de 2024. É filha do vereador e ex-prefeito do Rio Cesar Maia e irmã gêmea de Rodrigo Maia, ex-presidente da Câmara dos Deputados.
SIDNEY: Pelo terceiro ano consecutivo, a senhora está à frente da Secretaria Municipal de Turismo. Quais os projetos para a nova gestão?
DANIELA MAIA: Neste novo governo estamos dando continuidade a projetos que já realizamos desde 2023, como Observatório do Turismo, Nômades Digitais, Painel do Turismo, Aqui tem Memória e Inovatur, entre outros, além do incentivo a projetos relacionados à Bossa Nova, essa corrente musical que nasceu aqui, tão carioca. Vamos dar atenção especial à requalificação estrutural de alguns atrativos turísticos, começando pelo Cristo Redentor e a Escadaria Selarón. E a grande novidade para 2025 é dar início a um projeto que vem sendo conceituado e planejado desde o ano passado: o FavelaTur. A ideia é apoiar e qualificar empreendimentos já existentes, começando por favelas onde já existe programação turística, como Rocinha e Vidigal, considerando a importância desses espaços como atrativos turísticos e a relevância da presença do poder público nas favelas. Já estamos inclusive conversando com o Ministério do Turismo para uma possível parceria.
Este mês, o Rio foi a única cidade da América Latina incluída pela revista Time Out Global no ranking das melhores cidades do mundo, assim como acontece com alguns bairros da cidade que costumam ser citados. O Rio está na moda?
Sim, o Rio sempre está na moda. Existe no inconsciente coletivo mundial esse desejo de vir para o Rio de Janeiro, à Cidade Maravilhosa, à Cidade da Felicidade.
Muitos cidadãos questionam se os cachês milionários pagos a artistas internacionais, como acontecerá este ano com a Lady Gaga e foi com a Madonna, deveria ir para a saúde e a educação. O que a senhora tem a dizer sobre isso?
A Prefeitura trabalha para todas as áreas, cada Secretaria tem seu próprio orçamento e todos os segmentos recebem a atenção devida da administração pública. No caso do show da Madonna, o investimento foi mínimo considerando-se o impacto positivo para a imagem da cidade do Rio de Janeiro, verificado nas mídias nacionais e internacionais, com reconhecimento enorme do trade turístico. Daí a continuidade da ação, que gera um retorno econômico fenomenal para o município.
A prefeitura estima 6 milhões de pessoas para o Carnaval do Rio. O pré-Carnaval já está atraindo turistas?
Já estamos sentindo um impacto enorme. Com os blocos de rua e o acréscimo de mais um dia de desfiles do Grupo Especial na Sapucaí, a cidade vai ficar lotada.
Muitos blocos de Carnaval tradicionais estão encerrando suas atividades, como o Suvaco de Cristo e o Imprensa que eu gamo. É possível impedir que isto aconteça? A senhora teme esvaziamento se outros aderirem à ideia?
Toda manifestação cultural é orgânica, se ajusta com o tempo. É natural que uns surjam e outros se encerrem.
Como incentivar o turismo com a violência da cidade?
Desde 2021, no pós-pandemia, o turismo no Rio de Janeiro só vem aumentando. A maioria dos turistas que nos visita é impactada pela nossa cidade e diz que quer voltar. Este é o fato relevante.
Existe algum projeto integrando o turismo da capital com as cidades do interior?
Daremos continuidade ao trabalho de promover a cidade como destino gastronômico internacional, considerando a potência econômica e social deste segmento, e com novos projetos já se anunciando no horizonte. O turismo gastronômico se expande pelo Estado do Rio de Janeiro por fazer parte da nossa identidade. Envolve nossos produtores, nossos produtos, quem somos e a gastronomia que fazemos aqui. Esta é forma de vendermos o Rio para o mundo.
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