Judoca Flávio Canto, fundador do Instituto ReaçãoDivulgação

Flávio Canto iniciou no judô aos 13 anos, integrando a Seleção Brasileira por cinco anos. Em 2003, fundou o Instituto Reação, que alia esporte e oficinas pedagógicas, atendendo 4 mil crianças e jovens em cinco estados. Em 2004, ganhou medalha de bronze nas Olimpíadas de Atenas. Apresentou programas esportivos. Em 2019, lançou a Cicclo, startup voltada à integração social e ao desenvolvimento humano. Recebeu o VI Prêmio EMERJ Direitos Humanos, do TJRJ, e o prêmio A Força do Legado, no evento "GQ Men of the Year".

SIDNEY: O Instituto Reação atua hoje em cinco estados brasileiros. Quais foram os maiores desafios para expandir o Instituto para além do Rio de Janeiro sem perder a essência do projeto?

FLÁVIO CANTO: Nossa estratégia de crescimento para fora do Rio foi acontecendo como uma espécie de MNA social (fusão de projetos sociais). Juntamos força com projetos com pessoas que traziam características parecidas com as nossas. Voluntários que há anos já tocavam projetos com judô no centro. Foi assim em Cuiabá (Mato Grosso), São Paulo e Minas Gerais. Amigos que já admirávamos e que precisavam de suporte pra seguir. Só o Rio Grande do Norte que teve a ver com a mudança de estado do Geraldo Bernardes (ex-técnico da Seleção Brasileira de Judô, vencedor de várias medalhas de ouro), nosso Sensei e um dos fundadores do Reação.

Depois de consolidar sua trajetória como atleta, comunicador e empreendedor social, inclusive com a criação da Reação Consultoria, qual é o próximo grande sonho ou desafio que deseja realizar por meio do esporte?

Além do Reação, tenho com amigos uma startup chamada "Cicclo", que tem como missão levar o esporte para um lugar de mais protagonismo na educação. Temos o currículo inteiro da Educação Física e de diversas modalidades no contraturno (período fora do horário das aulas para atividades extracurriculares) com nosso programa de habilidades socioemocionais. Hoje, estamos em cerca de 70 escolas. Nossa missão é crescer e, quem sabe um dia, tornar esse programa uma política pública.

Ao longo de mais de 20 anos, o Instituto Reação já impactou mais de 90 mil pessoas. Qual foi o momento em que percebeu que o projeto tinha ultrapassado o tamanho de um sonho pessoal e se tornado um movimento coletivo?

Desde o início já considerava o Reação um sonho coletivo. Ainda não éramos muitos, mas sabia que aquela ideia era muito maior que eu.

A judoca Rafaela Silva fala em "devolver" tudo o que recebeu do Reação quando criança. Como incentivar atletas formados no projeto a ajudarem como professores e exemplos aos mais novos?

Nossa missão é formar transformadores e não transformados. Se nossos alunos não levarem pra si a responsabilidade de levar adiante o que aprenderam teremos falhado. Nossa visão de sucesso é apoiada na metáfora por trás do nosso nome - reação - tem a ver com a quantidade de vezes que nos levantamos mais a quantidade de pessoas que levantamos.

Depois de tantas conquistas no esporte, na comunicação e no empreendedorismo social, o que mais te move hoje?

Estamos numa nova fase, entendendo que temos também a missão de promover encontros que normalmente não ocorrem. Trocamos nossa missão "lutar contra a falta de oportunidade na largada" por "transformar cada um pra transformar o todo". Passamos a enxergar a missão de "inclusão reversa" como fundamental para ampliarmos nosso impacto social. As ações e estratégias por trás dessa ideia tem me motivado bastante. Acho que encontramos um bom caminho.
Se pudesse voltar ao Flávio adolescente que começou no judô aos 13 anos, qual conselho daria a ele sobre propósito, impacto social e legado?

Não perca tempo. A vida passa rápido.