Deputada estadual Lilian Behring (PCdoB)ASCOM Alerj
Lilian Behring presidiu o Conselho Regional de Enfermagem do Rio de Janeiro e integrou a Comissão Nacional de Emergência do Conselho Federal da categoria. É doutora em Enfermagem Cardiovascular e mestre em Cardiologia pela UFRJ, com especialização em Gestão em Saúde pelo IBMEC e formação em emergência e terapia intensiva pela UERJ, de onde é docente permanente do mestrado em Telessaúde. Integra a equipe do Hospital Universitário Pedro Ernesto e a Associação Brasileira de Enfermagem e a American Heart Association.
SIDNEY: Como profissional de saúde, quais são os seus principais projetos para a categoria?
LILIAN BEHRING: Como profissional de saúde, faço questão de transformar essa vivência em ação concreta no Parlamento. Em apenas um ano de mandato, protocolei mais de 45 projetos de lei — quase metade é voltada aos profissionais da saúde. Entre esses projetos, destaco três. Um projeto estabelece medidas de proteção contra a violência sofrida por profissionais de saúde, criando protocolos obrigatórios nas unidades, acionamento imediato das autoridades e acompanhamento psicológico. Outro projeto garante ambientes adequados de descanso para enfermeiros durante os plantões porque não existe cuidado de qualidade sem condições dignas de trabalho. E, finalmente, há um projeto que institui o programa "Ronda da Saúde" estadual de apoio psicológico para a categoria, com atendimento gratuito, espaços de escuta e ações voltadas à saúde mental desses trabalhadores. Além disso, tenho muito orgulho da minha primeira lei sancionada neste mandato que cria o Programa de Primeiro Emprego na Enfermagem. Esta lei garante capacitação gratuita, incentiva a contratação de recém-formados, promove a formalização dos vínculos e amplia oportunidades, especialmente para quem mais precisa. Valorizar os profissionais de saúde é fortalecer todo o sistema. E é isso que eu tenho feito: transformar a realidade da enfermagem em políticas públicas concretas.
Seus projetos também focam nas mulheres. Quais são os de maior destaque?
Sim, os projetos para mulheres são uma prioridade no meu mandato e eu destaco uma lei minha que já é realidade que institui o programa "Beleza Empoderada contra a Violência Doméstica". Ela capacita profissionais da beleza e estética para identificar sinais de violência e orientar mulheres sobre a rede de proteção. É uma política inteligente, porque transforma espaços do dia a dia em pontos de acolhimento, escuta e informação. Outro projeto de destaque é a Política Estadual de Prevenção e Enfrentamento ao Abuso contra Mulheres no Transporte Coletivo. Ele também estabelece capacitação para profissionais - no caso, de transporte -, campanhas educativas e protocolos diante de casos de violência. O transporte público precisa ser um espaço de segurança, não de medo. Também destaco a Sala Lilás nas unidades de saúde, um espaço estruturado para acolhimento humanizado de mulheres vítimas de violência, com privacidade, escuta qualificada, atendimento adequado e integração com a rede de proteção — evitando a revitimização e garantindo cuidado digno. O que guia o meu trabalho é transformar a realidade das mulheres em políticas públicas concretas, seja no enfrentamento à violência, na garantia de direitos ou no cuidado com a saúde.
A mídia vem noticiando casos de agressão aos profissionais de saúde. Diante disso, como anda a saúde mental da categoria?
Eu falo sobre isso com muita propriedade, porque são 30 anos como enfermeira vivendo de perto a realidade da categoria. É um cenário muito preocupante. A saúde mental dos profissionais está diretamente afetada pela sobrecarga, condições de trabalho e, principalmente, pelo aumento dos casos de violência. Desde o início do meu mandato, trato o tema como prioridade. No ano passado, articulei e presidi uma audiência pública na Alerj para discutir o assunto com parlamentares, sindicatos, conselhos de classe e representantes do governo. A reunião trouxe dados alarmantes: mais de 700 denúncias de violência contra enfermeiros, além de uma grande subnotificação, já que muitos ainda têm medo de denunciar. A partir da audiência, encaminhamos a criação da Frente Parlamentar em Defesa do Trabalhador da Saúde para não ser um debate pontual, mas uma política permanente. Essa construção não é isolada. Ela dialoga com uma luta histórica da enfermagem, que também é defendida por parlamentares como a deputada federal Enfermeira Rejane, parceira no projeto "Ronda da Saúde". Cuidar da saúde mental dos profissionais é garantir dignidade, segurança e qualidade no atendimento à população.
A senhora tem alguma proposta para aumentar a segurança de cariocas e turistas?
Segurança em uma cidade como o Rio de Janeiro precisa ser tratada de forma integrada e inteligente. Precisamos investir em presença do Estado, inteligência, prevenção e políticas públicas que atuem diretamente nos territórios, especialmente onde a população está mais vulnerável. Isso passa por fortalecer a atuação das forças de segurança, ampliar políticas sociais, garantir iluminação, mobilidade, ocupação dos espaços públicos e acesso a serviços. Segurança também é cuidado, presença e dignidade. E quando falamos de turistas, esse olhar precisa ser ainda mais ampliado. Quem visita o nosso estado precisa se sentir seguro não só em relação à violência, mas também em situações de emergência. Criei um projeto que obriga estrutura de atendimento de urgência em pontos turísticos de grande circulação. Locais com grande fluxo passam a ter equipamentos de primeiros socorros, equipe capacitada, ambulância e integração com o SAMU e o Corpo de Bombeiros. Na prática, significa resposta rápida em situações críticas, mais segurança para quem vive e para quem visita o Rio, e valorização da vida em qualquer cenário. Segurança não é só prevenir a violência — é garantir que, diante de qualquer emergência, o Estado esteja preparado para agir.
Aumentam os casos de gestantes denunciando violência obstétrica. O que está sendo feito para combater essa situação?
Nos âmbitos estadual e nacional já existem diretrizes para combater o problema, como a humanização do parto, direito ao acompanhante, protocolos do SUS e políticas voltadas à saúde da mulher. Mas ainda existe uma grande distância entre o que está na lei e o que acontece na prática. Muitas mulheres ainda enfrentam desrespeito, negligência, procedimentos sem consentimento e até violência verbal durante um dos momentos mais importantes de suas vidas. Além de fiscalizar e cobrar a aplicação dessas políticas, é fundamental avançar com medidas concretas que garantam mais autonomia e proteção. Apresentei um projeto assegurando que toda mulher tenha o direito de escolher um enfermeiro obstetra ou uma doula para acompanhá-la durante o parto, parto e pós-parto, tanto na rede pública quanto privada. Isso dá mais protagonismo à mulher, garantindo que tenha ao seu lado um profissional de confiança, com uma abordagem mais humanizada, com respeito ao seu corpo e às suas decisões. Esta assistência reduz intervenções desnecessárias, melhora a experiência do parto e diminui situações de violência obstétrica. Estamos falando de respeito, de dignidade e de garantir que nenhuma mulher seja violentada no momento de dar à luz. As unidades de saúde não podem impedir pois há critérios e penalidades para quem descumprir — inclusive sanções administrativas e multas. Esta assistência não gera custo adicional à unidade e não substitui a equipe hospitalar, ou seja, soma cuidado, não gera conflito.
SIDNEY: Como profissional de saúde, quais são os seus principais projetos para a categoria?
LILIAN BEHRING: Como profissional de saúde, faço questão de transformar essa vivência em ação concreta no Parlamento. Em apenas um ano de mandato, protocolei mais de 45 projetos de lei — quase metade é voltada aos profissionais da saúde. Entre esses projetos, destaco três. Um projeto estabelece medidas de proteção contra a violência sofrida por profissionais de saúde, criando protocolos obrigatórios nas unidades, acionamento imediato das autoridades e acompanhamento psicológico. Outro projeto garante ambientes adequados de descanso para enfermeiros durante os plantões porque não existe cuidado de qualidade sem condições dignas de trabalho. E, finalmente, há um projeto que institui o programa "Ronda da Saúde" estadual de apoio psicológico para a categoria, com atendimento gratuito, espaços de escuta e ações voltadas à saúde mental desses trabalhadores. Além disso, tenho muito orgulho da minha primeira lei sancionada neste mandato que cria o Programa de Primeiro Emprego na Enfermagem. Esta lei garante capacitação gratuita, incentiva a contratação de recém-formados, promove a formalização dos vínculos e amplia oportunidades, especialmente para quem mais precisa. Valorizar os profissionais de saúde é fortalecer todo o sistema. E é isso que eu tenho feito: transformar a realidade da enfermagem em políticas públicas concretas.
Seus projetos também focam nas mulheres. Quais são os de maior destaque?
Sim, os projetos para mulheres são uma prioridade no meu mandato e eu destaco uma lei minha que já é realidade que institui o programa "Beleza Empoderada contra a Violência Doméstica". Ela capacita profissionais da beleza e estética para identificar sinais de violência e orientar mulheres sobre a rede de proteção. É uma política inteligente, porque transforma espaços do dia a dia em pontos de acolhimento, escuta e informação. Outro projeto de destaque é a Política Estadual de Prevenção e Enfrentamento ao Abuso contra Mulheres no Transporte Coletivo. Ele também estabelece capacitação para profissionais - no caso, de transporte -, campanhas educativas e protocolos diante de casos de violência. O transporte público precisa ser um espaço de segurança, não de medo. Também destaco a Sala Lilás nas unidades de saúde, um espaço estruturado para acolhimento humanizado de mulheres vítimas de violência, com privacidade, escuta qualificada, atendimento adequado e integração com a rede de proteção — evitando a revitimização e garantindo cuidado digno. O que guia o meu trabalho é transformar a realidade das mulheres em políticas públicas concretas, seja no enfrentamento à violência, na garantia de direitos ou no cuidado com a saúde.
A mídia vem noticiando casos de agressão aos profissionais de saúde. Diante disso, como anda a saúde mental da categoria?
Eu falo sobre isso com muita propriedade, porque são 30 anos como enfermeira vivendo de perto a realidade da categoria. É um cenário muito preocupante. A saúde mental dos profissionais está diretamente afetada pela sobrecarga, condições de trabalho e, principalmente, pelo aumento dos casos de violência. Desde o início do meu mandato, trato o tema como prioridade. No ano passado, articulei e presidi uma audiência pública na Alerj para discutir o assunto com parlamentares, sindicatos, conselhos de classe e representantes do governo. A reunião trouxe dados alarmantes: mais de 700 denúncias de violência contra enfermeiros, além de uma grande subnotificação, já que muitos ainda têm medo de denunciar. A partir da audiência, encaminhamos a criação da Frente Parlamentar em Defesa do Trabalhador da Saúde para não ser um debate pontual, mas uma política permanente. Essa construção não é isolada. Ela dialoga com uma luta histórica da enfermagem, que também é defendida por parlamentares como a deputada federal Enfermeira Rejane, parceira no projeto "Ronda da Saúde". Cuidar da saúde mental dos profissionais é garantir dignidade, segurança e qualidade no atendimento à população.
A senhora tem alguma proposta para aumentar a segurança de cariocas e turistas?
Segurança em uma cidade como o Rio de Janeiro precisa ser tratada de forma integrada e inteligente. Precisamos investir em presença do Estado, inteligência, prevenção e políticas públicas que atuem diretamente nos territórios, especialmente onde a população está mais vulnerável. Isso passa por fortalecer a atuação das forças de segurança, ampliar políticas sociais, garantir iluminação, mobilidade, ocupação dos espaços públicos e acesso a serviços. Segurança também é cuidado, presença e dignidade. E quando falamos de turistas, esse olhar precisa ser ainda mais ampliado. Quem visita o nosso estado precisa se sentir seguro não só em relação à violência, mas também em situações de emergência. Criei um projeto que obriga estrutura de atendimento de urgência em pontos turísticos de grande circulação. Locais com grande fluxo passam a ter equipamentos de primeiros socorros, equipe capacitada, ambulância e integração com o SAMU e o Corpo de Bombeiros. Na prática, significa resposta rápida em situações críticas, mais segurança para quem vive e para quem visita o Rio, e valorização da vida em qualquer cenário. Segurança não é só prevenir a violência — é garantir que, diante de qualquer emergência, o Estado esteja preparado para agir.
Aumentam os casos de gestantes denunciando violência obstétrica. O que está sendo feito para combater essa situação?
Nos âmbitos estadual e nacional já existem diretrizes para combater o problema, como a humanização do parto, direito ao acompanhante, protocolos do SUS e políticas voltadas à saúde da mulher. Mas ainda existe uma grande distância entre o que está na lei e o que acontece na prática. Muitas mulheres ainda enfrentam desrespeito, negligência, procedimentos sem consentimento e até violência verbal durante um dos momentos mais importantes de suas vidas. Além de fiscalizar e cobrar a aplicação dessas políticas, é fundamental avançar com medidas concretas que garantam mais autonomia e proteção. Apresentei um projeto assegurando que toda mulher tenha o direito de escolher um enfermeiro obstetra ou uma doula para acompanhá-la durante o parto, parto e pós-parto, tanto na rede pública quanto privada. Isso dá mais protagonismo à mulher, garantindo que tenha ao seu lado um profissional de confiança, com uma abordagem mais humanizada, com respeito ao seu corpo e às suas decisões. Esta assistência reduz intervenções desnecessárias, melhora a experiência do parto e diminui situações de violência obstétrica. Estamos falando de respeito, de dignidade e de garantir que nenhuma mulher seja violentada no momento de dar à luz. As unidades de saúde não podem impedir pois há critérios e penalidades para quem descumprir — inclusive sanções administrativas e multas. Esta assistência não gera custo adicional à unidade e não substitui a equipe hospitalar, ou seja, soma cuidado, não gera conflito.
De acordo com levantamento do Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde, quatro unidades de saúde estaduais do Rio aparecem entre as 100 melhores das redes de saúde pública do Brasil (os hospitais da Criança e Vereador Melchiades Calazans, além dos Institutos de Cardiologia Aloysio de Castro e do Cérebro Paulo Niemeyer). Ao mesmo tempo, faltam médicos e há demora no atendimento da população fluminense. Como expandir a qualidade hospitalar para chegar até quem mais precisa?
O Rio de Janeiro tem, sim, unidades de excelência — e isso é fruto do trabalho especialmente da enfermagem, que sustenta o atendimento no dia a dia. Mas a qualidade não pode ser exceção. O principal desafio hoje não é só hospitalar — é estrutural. A sobrecarga dos hospitais acontece porque a atenção básica ainda não consegue absorver toda a demanda, faltam profissionais, há desigualdade entre os territórios e pouca integração entre prevenção e assistência. Ou seja, precisamos parar de olhar só para dentro do hospital e começar a organizar melhor o cuidado nas regiões ao redor. O programa "ENFVERDE RJ", que criei, conecta saúde, território e meio ambiente, além de fortalecer a atuação da enfermagem nas comunidades, especialmente nas áreas mais vulneráveis, com foco em prevenção, vigilância e resposta rápida a situações que impactam o sistema de saúde. Na prática, significa menos gente chegando em estado grave aos hospitais e mais cuidado antes da doença se agravar. O programa também prevê a criação de núcleos territoriais, formação continuada dos profissionais, produção de dados e integração com áreas como meio ambiente e Defesa Civil. A resposta não está só em ampliar hospitais — está em fortalecer a base, valorizar os profissionais e atuar onde a vida das pessoas realmente acontece. É assim que construímos um sistema mais eficiente, mais justo e que, de fato, chega a todos.
O Rio de Janeiro tem, sim, unidades de excelência — e isso é fruto do trabalho especialmente da enfermagem, que sustenta o atendimento no dia a dia. Mas a qualidade não pode ser exceção. O principal desafio hoje não é só hospitalar — é estrutural. A sobrecarga dos hospitais acontece porque a atenção básica ainda não consegue absorver toda a demanda, faltam profissionais, há desigualdade entre os territórios e pouca integração entre prevenção e assistência. Ou seja, precisamos parar de olhar só para dentro do hospital e começar a organizar melhor o cuidado nas regiões ao redor. O programa "ENFVERDE RJ", que criei, conecta saúde, território e meio ambiente, além de fortalecer a atuação da enfermagem nas comunidades, especialmente nas áreas mais vulneráveis, com foco em prevenção, vigilância e resposta rápida a situações que impactam o sistema de saúde. Na prática, significa menos gente chegando em estado grave aos hospitais e mais cuidado antes da doença se agravar. O programa também prevê a criação de núcleos territoriais, formação continuada dos profissionais, produção de dados e integração com áreas como meio ambiente e Defesa Civil. A resposta não está só em ampliar hospitais — está em fortalecer a base, valorizar os profissionais e atuar onde a vida das pessoas realmente acontece. É assim que construímos um sistema mais eficiente, mais justo e que, de fato, chega a todos.
Colaboração de Claudia Villas Boas
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