Lucas BerlanzaAcervo pessoal

Lucas Berlanza é formado em Comunicação Social/Jornalismo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. É colunista e presidente da Diretoria Executiva do Instituto Liberal, além de membro e conselheiro de diversas organizações voltadas à difusão do liberalismo. Autor, coautor e organizador de 19 livros, também participa como articulista de coletâneas nacionais e internacionais. Ao longo de sua trajetória, atua na produção de conteúdos e debates sobre política, economia e liberalismo, contribuindo para a difusão dessas ideias no Brasil.

SIDNEY: O livro trata da figura pública de Juscelino Kubitschek e o impacto de suas decisões políticas e econômicas até os dias atuais. Qual a lição aprendida depois da transferência da capital para Brasília?

Lucas Berlanza: A base que usamos para analisar criticamente a questão é a obra do economista Roberto Campos, que inclusive trabalhou no governo de Juscelino e refuta as alegações de que Brasília garantiria a segurança da capital contra ataques marítimos — em tempos de guerra aérea — e de que era necessária para o desenvolvimento do interior do país, que se deveu muito mais a outros fatores. Projeto muito mais estético do que essencial, Brasília foi um monumento ao desperdício e à ausência de prioridades adequadas, nunca se tornando o polo econômico independente de subsídios estatais com o qual Juscelino sonhou.

Alguns críticos da mudança da capital dão conta que construir Brasília foi uma forma de distanciar as elites políticas das pressões populares? O senhor concorda?

Sim. A única alegação correta para a construção de Brasília, utilizada por algumas vozes da época, era a de afastar o centro político da pressão popular direta. De fato, isso acabou ocorrendo, uma vez que a transferência da capital contribuiu para criar uma maior distância entre a população e os principais centros de decisão do país. No entanto, a criação desse semi-enclave político não trouxe benefícios para a sociedade e acabou reforçando o isolamento da classe dirigente em relação às demandas e pressões populares.

JK estava sempre sorridente. A imagem otimista do ex-presidente ajudou a dificultar a análise do período econômico do seu governo?

Carlos Lacerda, um dos maiores opositores do governo Juscelino, reconheceu que era muito difícil antagonizar com ele depois de passar algum tempo em seu convívio. O carisma de JK era inegável e contribuiu decisivamente para a construção da atmosfera de otimismo que marcou seu governo.

De que forma a análise dos governos regionais de JK ajuda a compreender a sua atuação na presidência?

Favorecendo a identificação das linhas gerais de sua mentalidade política. Juscelino não nasceu politicamente na Presidência. Foi moldado por sua trajetória e experiências de vida. Estudar seus governos em Belo Horizonte e em Minas é essencial para compreender sua formação e suas decisões, ainda que discordemos da maior parte do caminho que escolheu.

O slogan do governo do ex-presidente Juscelino Kubitschek, "50 anos em 5", baseado no Plano de Metas, alcançou os objetivos e os resultados?

Após Juscelino Kubitschek, o Brasil tornou-se mais urbanizado e industrializado, cumprindo em grande parte seu objetivo desenvolvimentista. Porém, isso teve um custo. A promessa de transformar o Brasil em um país desenvolvido não foi cumprida.

Apesar do viés crítico da obra, o senhor destaca algum legado positivo na trajetória de Juscelino?

Juscelino foi um homem perseverante, um médico valoroso e, em relação ao Varguismo, representou um avanço por ser mais aberto ao capital estrangeiro. Também valorizou a democracia, como ao recusar a extensão do próprio mandato.
Colaboração de Isabella Rossino