
RIO - 'Mercado Persa do Crime'. É assim que os promotores classificam a Unidade de Polícia Pacificadora enquanto foi comandada pelo major Alexandre Silva Frugoni de Souza. O oficial e mais nove PMs foram denunciados pelos crimes de quadrilha armada, latrocínio (roubo seguido de morte), furto, fraude processual e peculato à Auditoria de Justiça Militar pelo Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp), do Ministério Público (MP). Eles pediram ainda à juíza Ana Paula Barros a prisão preventiva dos acusados. Até ontem, a magistrada não havia decidido.
O MP pediu ainda abertura de investigação contra a capitã Paula Andrasa das Chagas, mulher de Frugoni, e mais nove PMs por suspeita de infrações disciplinares. Como o blog Justiça e Cidadania publicou ontem em primeira mão, os denunciados à Justiça além de Frugoni, são os tenente Iago Ariel Cabral Calheiros; sargento Alexandre da Silva Lino; sargento André Luiz dos Santos Guedes; cabo Antônio Ariosan Costa Araújo; soldado Marcelo de Oliveira Sinflório; soldado Victor Félix Rosa da Silva; soldados Leandro dos Reis Lemos; André Miraglia Moura e Igor da Costa Pereira Drumond.
Frugoni chegou a ser preso em outubro do ano passado durante uma operação da Corregedoria da Polícia. À época, ele comandava a Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Caju. No local foram localizados um arsenal com mais de três mil balas de vários calibres na sala do comandante, armas raspadas e drogas sem procedência.
De acordo com o MP, o grupo atuou de 7 de março de 2016 até outubro do ano passado em áreas das comunidades da Coroa, Fallet/Fogueteiro e Caju. Os policiais roubavam até fuzil, como aconteceu em 14 de maio de 2017, por volta das 5h, na Rua Itapiru, na Coroa, quando ficaram com a arma de Francisco Glauber de Souza, o GB, e Raphael Santiago Rodrigues, o Canjica. O grupo fraudou ainda o local de crime para registro em delegacia, como foi o caso da remoção dos cadáveres de GB e Canjica. Eles foram mortos durante emboscada.
Para encobrir a ação criminosa contra GB e Canjica, os policiais que eram do Grupo Tático de Polícia de Proximidade da UPP Coroa, Fallet/Fogueteiro forjaram a apreensão de duas pistolas, drogas e três cadernos da contabilidade do tráfico. Mas câmeras de um posto de gasolina flagraram a ação.