Lopes: acusado de integrar esquema para não apurar aliados de Cabral - Reprodução
Lopes: acusado de integrar esquema para não apurar aliados de CabralReprodução
Por ADRIANA CRUZ

Por 16 votos contra um, os desembargadores do Órgão Especial do Tribunal de Justiça mantiveram em julgamento, na tarde desta segunda-feira, a prisão de Claudio Lopes, ex-procurador-geral de Justiça, e chancelaram o bloqueio de R$ 7,2 milhões, além de autorizar a quebra do sigilo bancário dele e de sua mulher, Ana Beatriz. A primeira decisão foi do desembargador Reinaldo Pinto Alberto Filho. Cinco magistrados alegaram impedimento, por motivos de foro íntimo, para não julgarem o caso. Lopes está preso desde o dia 8 na Unidade Prisional da PM, em Niterói, o BEP.

Único ex-procurador-geral de Justiça da história a ser preso, Lopes é acusado pelo Ministério Público (MP) de integrar esquema de corrupção montado pelo ex-governador Sérgio Cabral para não investigar seus aliados, como o ex-secretário de Saúde, Sérgio Côrtes. Lopes receberia mesada de R$ 150 mil, que chegou a R$ 300 mil, da quadrilha de Cabral.

O advogado de Lopes, José Carlos Tórtima, defendeu medida diversa da prisão, como o uso de tornozeleira eletrônica. Tórtima informou vai recorrer da decisão no Superior Tribunal de Justiça. "Não há fato contemporâneo relacionado ao caso para a manutenção da prisão", analisou José Carlos Tórtima. Em agosto, Lopes procurou uma promotora para falar sobre a tramitação de um inquérito de Campos. "Não houve ameaça alguma à promotora e o caso não está relacionado ao julgamento", defendeu Tórtima.

Mortes nos hospitais

"O Órgão Especial se vê diante de um esquema criminoso sem precedentes. É um esquema que coloca pessoas morrendo nos hospitais por falta de assistência", afirmou o procurador-geral em exercício, Ricardo Martins. Apontado como o responsável pelo vazamento de investigação do MP contra Sérgio Côrtes, em 2010, Lopes levou os documentos da investigação para casa e pressionou promotores que trabalhavam no caso a dar informações a respeito.

Conforme o blog Justiça e Cidadania adiantou, Claudio Lopes usou R$ 200 mil em dinheiro vivo para adquirir casa em Búzios, em 2011. O valor do imóvel era R$ 500 mil. Os R$ 300 mil restantes foram pagos em cheques. Também comprou imóvel por menos de R$ 1 milhão, considerado subfaturado pelo MP no Condomínio Portobello, em Mangaratiba, onde Cabral tinha mansão.

Claudio Lopes é suspeito ainda de lavagem de dinheiro. Ele mantinha a empresa Zorionak Comércio Varejista de Bebidas e Alimentos Eireli registrada no endereço de casa, mas que não funcionava, principalmente entre outubro de 2008 e 31 de dezembro de 2016. Há suspeita de ocultação de bens de 2014 a 2016. Lopes responde por formação de quadrilha, corrupção ativa e passiva e quebra de sigilo funcional.

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