Rafael Portugal fala da vida e da carreira - Carlos Armando/Divulgação
Rafael Portugal fala da vida e da carreiraCarlos Armando/Divulgação
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Rafael Portugal é cria de Realengo, Zona Oeste do Rio. Sempre focado em tudo que almeja, ele atropelou os obstáculos de uma infância classe média baixa e alçou voo rumo ao show business. O ator vive hoje a melhor fase de sua carreira como humorista. Ele roda o Brasil com seu stand up comedy, participa do 'Porta dos Fundos', e ainda se divide entre gravações de séries e filmes que serão lançados em breve. Além disso tudo, ele ainda reserva tempo para passar uma semana inteira na Argentina, por conta das gravações do 'A Culpa É do Cabral', programa que ele apresenta no canal Comedy Central. Suburbano nato, é na simplicidade das coisas que ele encontra a felicidade.

Quem é Rafael Portugal por trás do comediante? Disserte sobre.

O Rafael ama ficar em casa com a família. Sou chamado de "o velhinho" pela minha mulher, porque eu troco qualquer balada por um filme na sala comendo porcaria. Quando saio pra trabalhar eu amo voltar pra casa e encontrar minhas filhas.

Quando você se descobriu humorista?

Entrei para o teatro porque amava interpretar pessoas, mas ouvia muito que eu era "o engraçado da turma e da família". Entrei para o teatro porque queria mergulhar em personagens e dramas, mas a comédia está em mim. Acabava me destacando nela e me apaixonando mais por ela.

Na sua família tem mais comediantes como você?

O meu falecido pai era muito engraçado. Ele tinha boas tiradas e contava boas histórias. Lembro de quando criança passar algumas horas ouvindo e pedindo pra minha mãe contar piadas. Nos churrascos, via também meu tio Marcos imitar uma tia nossa que só chegava na hora da comida e isso tudo junto me fazia chorar de rir. Certeza que não são profissionais, mas a comédia está viva na minha família.

Seus pais te apoiaram quando você decidiu seguir essa carreira?

Minha mãe apoiou muito! Já trabalhei em muitas coisas na vida: de auxiliar de escritório até repositor de mercado. Quando queria ter tempo para ensaiar uma peça, a minha mãe era a primeira a falar: "abandona isso tudo é vai ensaiar para sua apresentação".

Sua zoeira acontece em qualquer lugar ou você sempre soube a hora de parar?

Até hoje, com 33 anos, eu fico tentando encontrar a hora de parar. Até tenho tido êxito algumas vezes nessa questão. Confesso que, às vezes, isso não é bom, mas é mais forte que a gente.

Você era daqueles que tomava um puxão de orelha da mãe fazendo piada ao mesmo tempo?

Sim, esse sou eu. A comédia me salvou de bons tapas da minha mãe e de algumas surras na rua.

Pra ser comediante tem que pensar rápido e abusar do improviso. Existe uma técnica pra isso ou esse talento você já nasce com ele?

Que existe técnica eu sei que existe. Alguns amigos ministram cursos para um caminho que te leve a fazer isso com uma facilidade maior. Mas eu sei também que tenho algo natural em mim e acho que ter esse natural é a parte principal para que tudo aconteça.

Você é suburbano de Realengo. Diga três coisas que só tem no subúrbio.

Bate bola, podrão (hambúrguer que vem tudo) e vizinhos com cadeira na calçada conversando. Na maioria, o tema é a vida do outro vizinho (risos).

Sua formação também é do subúrbio. Você encarou preconceito por não ter feito os grandes e mais caros cursos de teatro?

Que eu tenha sentido e vivido foi apenas uma vez, mas não doeu: me deu mais orgulho ainda. Estudei e me formei ator na Lona Cultural Gilberto Gil e minha companhia de teatro foi Atoa, do ator e diretor Eduardo Monteiro, com a sempre produção de Mauro Lima. Uma dupla que faz esse trabalho há muitos anos ali em Realengo.

Como foi estudar teatro diante da sua situação financeira na época, mesmo sabendo que você estava investindo em uma profissão que nem tão cedo te daria estabilidade?

Eu só estudava e amava fazer aquilo. Mesmo minha mãe tendo uma condição financeira difícil, ela sempre foi a primeira pessoa a falar que eu poderia continuar. Era isso que me dava esperança e força na fé que eu já tinha. Eu sabia que iria acontecer, talvez menos do que tenho vivido hoje, mas eu acreditava sim que iria acontecer. Mas a verdade é que amar fazer foi a diferença.

Do que você mais sente saudade do subúrbio?

Eu estou por aqui ainda. Moro em Campo Grande. Mas se a palavra é saudade, sinto da minha infância. Não tenho dúvidas de que tive a melhor infância da minha vida e ter vivido ela no subúrbio é parte importante, se não a mais importante, nisso tudo.

Como é olhar pra trás, ver de onde você veio, como tudo começou e perceber onde você chegou hoje?

Eu penso nisso todos os dias. Quando sou parado na rua, quando vejo meu espetáculo lotado há mais de um ano, quando encontro no aeroporto artistas que sou fã falando que são meus fãs, quando me vejo no programa do Bial, no do Fábio Porchat, Danilo Gentili, quando estou na maiores rádios do Rio e falando com vocês, de verdade, isso é sempre o que vem na minha cabeça: "gente, o que aconteceu? O que é isso que eu estou vivendo?" (risos).

Defina o atual momento da sua carreira em uma palavra e explique.

Loucura. Estou em cartaz com meu espetáculo às quartas feiras no Teatro Miguel Falabella, gravando o Porta dos Fundos durante a semana, acabei de gravar três séries sem intervalos de tempo, estou indo fazer show em Portugal, volto para gravar dois filmes, mais uma série do Porta dos Fundos e tenho lançamento de um filme 'Chorar de rir', com Lele Hassum e a nova temporada do programa que eu faço, chamado 'A culpa é do Cabral'.

Como faz para conciliar as gravações do 'A Culpa É do Cabral' com seus projetos aqui no Rio? Como é o esquema das gravações na Argentina?

A gente grava todos em uma semana, então eu fico sabendo meses antes e minha empresária deixa essa semana separada só para o programa.

Em quem você se inspira para fazer esse trabalho?

Ser comediante hoje também é lembrar daqueles que me fizeram ver meus pais rindo pela primeira vez e que me fizeram rir pela primeira vez. Eu lembro de, com 6 anos de idade, ver meu pai literalmente chorar de rir vendo um homem interpretando um personagem: era o Tom Cavalcante. Lembro de ver meu pai e minha mãe na sala dando gargalhadas com Chico Anysio e lembro de me pegar rindo e me emocionando ao mesmo tempo assistindo o Chaves. Então Chico, Tom e Roberto Bolaños são pra mim como lendas, mestres. Um dia quero dar um abraço e contar isso para o Tom.

Você já se imaginou ou pensou em fazer outra coisa? Qual?

Eu treinava em uma escolinha de futebol mas era muito fominha! Não tocava a bola pra ninguém. Só corria por gol. Depois pensei sério em ser veterinário por conta do amor que tenho por bichos.

Teve alguma situação inusitada com algum fã?

A situação mais inusitada da minha vida foi na Disney. Uma fã que era já uma senhora estava com um grupo de brasileiros todos uniformizados na Disney, ela gritou meu nome, repetindo por diversas vezes que eu era o melhor do mundo e que merecia o Oscar. Aí ela perguntou se poderia beijar meus pés, falei que não precisava e já estava muito feliz, abracei ela e ela no final falou, manda um beijos pra sua mãe, e aí disse o nome da minha mãe. Sabia coisas da minha vida mesmo. Foi emocionante.

Você é casado. Pensa em ter filhos?

Tenho duas enteadas que são as melhores filhas do mundo.

Dá trabalho manter esses cachinhos de anjinho? Ele fica naturalmente assim ou tem alguma técnica pra deixar definido?

(risos) Ultimamente eu tenho cuidado bem mais deles, nem sempre foi assim. Eu descobri um creme pra cachos ótimo que só uma senhora de Campo Grande vende. De uns tempos pra cá, passei a ganhar também alguns muito bons de presente.

De zero a dez, quanto você é vaidoso?

Já fui zero, Juro!!! Hoje to no 7 caminhando para 10.

Existe algum sonho que você ainda não tenha realizado?

Eu quero poder viajar com meus amigos de infância pra Disney. Quero poder realizar isso com eles. Tenho alguns sonhos, mas acho que esse vai ser incrível.

Pensa em fazer novela, cinema, ou algo na TV aberta, por exemplo?

Sempre! Eu amo meu trabalho e caminhar com ele em outros lugares é incrível.

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