Caio Coppola - Divulgação
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Surge no rádio brasileiro um nome que deve dar o que falar em 2019. Por isso, a coluna de celebridades abre espaço neste domingo para falar de política e apresentar para quem ainda não conhece Caio Coppolla. Um jovem conservador, formado em direito na USP, irmão mais velho de uma família de três filhos, comentarista de política do 'Morning Show', na Rádio Jovem Pan, e que se destaca por não ter 'rabo preso' com ninguém e por fazer análises do comportamento e posicionamento político de diversos artistas e da onda de progressismo nas redes sociais. Por falar em internet, Coppola não tem Twitter e nem Instagram, e foi descoberto por seus vídeos e comentários em seu canal no Youtube.

Quem é Caio Coppola e como você chegou até ao 'Morning Show' da Rádio Jovem Pan?

Sou um jovem conservador. Fui parar na Jovem Pan por acaso. O produtor encontrou o meu canal e vendo a argumentação dos meus vídeos ele me convidou pra fazer os comentários de política no programa. Naquele dia acho que a gente estava analisando alguma crítica do governo Bolsonaro ou PT, e eu citei uma frase do Roberto Campos que é muito famosa, que diz: 'O PT é o partido dos trabalhadores que não trabalham, dos estudantes que não estudam e dos intelectuais que não pensam'. E eu complementei essa frase e disse que também, à luz dos acontecimentos da eleição, era o partido dos democratas que apoiam ditaduras e dos ateus que rezam e fazem primeira comunhão. E que esse nível de hipocrisia a população não ia tolerar mais. Por sorte esse vídeo viralizou. Fiz meu teste na rádio, em novembro de 2018, e fui para lá pelo acaso, apesar de já ter uma experiência de jornalismo na Gazeta do Povo.

No que você trabalhava antes da Jovem pan?

Sou formado em Direito e nunca exerci a profissão. Eu era produtor e roteirista de vídeos pra internet. Ganhava o suficiente, não tinha do que reclamar.

Você acha que o fato de ser um rapaz conservador na Jovem Pan esteja ligado ao atual momento político do Brasil e ao próprio posicionamento da sua empresa?

Não tem a ver com o viés da empresa, mas sim com o inconsciente coletivo das pessoas. Durante muito tempo teve um 'descolamento total' da voz da mídia, em geral progressista de esquerda, e da voz das ruas. Quando têm pessoas que dão voz a essa opinião pública latente a repercussão é boa, como tem sido a minha participação aqui. O que importa não é o veículo e sim a mensagem. Se a mesma mensagem que eu transmito tivesse sendo propagada, por exemplo, na Globo News, teria um excelente desempenho também.

Você diz que seu discurso seria aceito na Globo News. Mas você acha que você teria espaço lá?

Aí já são outras questões. Questões de linha editorial. A Jovem Pan sempre se notabilizou por priorizar a opinião da população. É uma empresa que foi anti-petista antes de ser moda.

Como o marketing ajudou a sua vida?

Na verdade é aquela história, casa de ferreiro espeto de pau. Pra você ter uma ideia até hoje eu não tenho nem Twitter nem Instagram. A minha conta fake parece que tem mais de 30 mil seguidores, é falso. Eu brinco que eu ainda não entrei na inclusão digital. Meu foco é aprender a fazer bem o que eu me propus, que é o rádio.

Se você fosse chamado pro governo Bolsonaro você iria?

Não, até porque esse é um desafio que estaria muito além da minha capacidade atual. Eu acho que você precisa de um certo grau de maturidade pessoal e técnica. Além disso, eu acho que eu consigo servir muito mais pra democracia atuando na mídia. A gente tem a realidade de uma mídia viciada em pautas progressistas que não trouxeram prosperidade ao nosso país. Pelo contrário. Então ocupar esse espaço é a melhor forma de ajudar e dar minha contribuição. Além disso eu não tenho aspirações políticas.

Houve propostas políticas?

Em um evento em que palestrei em 2018, fui chamado pelo Deputado Eduardo Bolsonaro para participar da corrida eleitoral e dei risada, disse que não era minha praia. As pessoas não gostaram muito, várias pediram para eu me candidatar de alguma forma. Mas não tenho essa aspiração, até porque quando você está na imprensa, você pode desenvolver muito mais o seu pensamento crítico.

Então você é capaz de criticar o governo Bolsonaro?

Sou. Se você resgatar vídeos que eu tenho sobre o caso Queiroz, sobre a ausência de critérios objetivos para a nomeação de ministros. Essa crítica tem que ser feita. O problema da mídia em geral é que o 'mainstream' sofre de 'afetação de imparcialidade' ou seja: você dá importância similar a questões completamente diversas. Não dá pra comparar o caso Queiroz ao 'Petrolão'.

Existe um caminho do rádio para a televisão. Você está nesse caminho?

Não estou me preparando pra televisão. O meu foco agora é dar o meu melhor aqui na Jovem Pan. Eu não recebi nenhuma proposta até agora. O desafio é treinar, ganhar experiência aqui. Mas eu não tenho medo de novos desafios, se de repente eu receber um convite, considerarei com muito carinho.

Vamos tentar rapidamente analisar as empresas de comunicação. Você tem total liberdade aí na Pan né?

Muito. Quando eu comecei, perguntei se havia alguma restrição. Até porque se tivesse alguma mais séria, eu não concordaria com isso. Acho que é essa independência que eu tenho que tem chamado a atenção das pessoas. Então se eu preciso fazer uma crítica a Mônica Bergamo, por exemplo, eu faço. Fiz uma crítica ao Faustão, que a gente sabe que é uma pessoa legal, mas que deu uma declaração muito infeliz recente. Tanto oposição como situação entenderam que foi um recado para o Bolsonaro, então eu fiz uma crítica partindo do pressuposto que a crítica foi ao presidente. Mas quando o Faustão postou um vídeo esclarecendo que a fala não foi destinada ao Presidente, me retratei publicamente em duas oportunidades. Não tenho compromisso com o erro e dei o benefício da dúvida ao Faustão.

Quais outros veículos você já criticou?

Eu também já tive oportunidade de criticar o site Catraca Livre, que é a potência da mídia progressista, e várias outras figuras do meio jornalístico e televisivo. São críticas que um jornalista preocupado em fazer carreira não teria feito. Existe muito corporativismo e eu não tenho relação com isso porque eu não vim desse meio e não dependo disso. Acho que o componente que eu trouxe, da verdade, é importante. Não tenho rabo preso, isso assusta os políticos e a grande mídia, mas agrada ao ouvinte.

As emissoras de televisão tem os interesses políticos muito maiores do que qualquer tipo de independência dos seus funcionários?

Não, acho que é uma linha tênue.

A TV Globo tem?

Hoje eu citei, por exemplo, uma frase do Roberto Marinho. No Regime militar, quando pediram para ele entregar os seus de esquerda, ele disse: 'Dos meus comunistas cuido eu'. O Roberto Marinho que apoiou o regime militar, inclusive reiterou isso em edital.

E nunca pediu desculpas, certo?

O Roberto Marinho, não. E a retratação da Globo, após décadas, soou como uma tentativa de reescrever o passado. Percebemos alguma independência de alguns profissionais, mas nós temos que entender que a natureza governista da grande mídia no Brasil se deve ao fato de existir uma certa promiscuidade no País entre o público e o privado. É muito difícil você ter um jornalismo independente quando o principal cliente de todas essas emissoras é o governo. Muitas vezes você vê atores da Globo atuando contra o melhor interesse da sua empresa, tem esses casos. Aqui na Jovem Pan eu nunca fui cerceado, a minha liberdade nunca foi cerceada..

E se um dia reclamarem do que você fala na Jovem Pan?

Primeiro, a gente tem que ter sempre humildade de reconhecer se houve um excesso. Eu sou um cara que preza por debater ideias. Agora, se for cerceado a minha liberdade de expressão e a minha liberdade de manifestação política, eu com certeza vou repensar o meu futuro na rádio.

Sobre a TV Globo, você sempre se refere como o 'Projaquistão'?

Na verdade isso é uma ala da TV globo. Ela é todo um universo. Na Globo, é interessante, existem diversas linhas editoriais. Você tem o 'Jornal Nacional' que tem uma linha mais governista, a Globo News tem comentários com mais liberdade, e a ala artística, essa sim eu me refiro como 'Lacrosfera do Projaquistão'. São geralmente militantes políticos, artistas que fazem militância progressista, e de forma alguma isso reflete todo o universo da Rede Globo. Isso ficou muito claro na posse do Bolsonaro. Ouvimos um discurso maravilhoso da Michelle Bolsonaro e ouvimos um silêncio eloquente das feministas da Rede Globo. Então, como que você vê uma mulher com um protagonismo daqueles, quebrando protocolos e não se manifesta? Não faz sentido algum. Aí nesse caso a gente aponta o dedo para elas.

Se fosse um governo de esquerda, você acha que elas estariam celebrando ao máximo?

Sim. Por exemplo na posse de 2012, do Fernando Haddad, ele lascou um beijo na primeira-dama e a internet ficou em polvorosa. Então o que a Michelle fez é uma atitude maravilhosa que inclusive demonstra uma preocupação genuína, de longa data, em cuidar de uma minoria de fato, que é a população surda. Um discurso lindo daquele, feito por uma mulher, merecia uma nota, né? E não tem problema você ser feminista de esquerda, desde que você deixe claro que não é uma feminista e sim uma feminista de esquerda.

Você concorda que foi a internet que elegeu o Bolsonaro?

Sim. E, também, se não fosse a internet eu não estaria na Pan.

O que é ser conservador pra você?

Em primeiro lugar, o conservadorismo não é uma ideologia. É uma visão de mundo que busca preservar as conquistas da humanidade, reformando as Injustiças e adequando as normas aos costumes, que estão em permanente evolução. O Conservador é um cético que tem humildade intelectual para compreender sua própria limitação em resolver os problemas da humanidade. Já o revolucionário - oposto do conservador - mal arruma o próprio quarto, mas é arrogante a ponto de inventar um novo mundo da sua cabeça e sair ditando regra pros outros impondo suas supostas verdades.

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