Antes de reformar ou demolir uma casa, é preciso levar em consideração o estilo de vida dos moradoresPexels

Comprar uma casa é a realização de um sonho para muitos e pode também levantar uma dúvida: vale mais a pena reformar ou demolir e construir novamente? Essa decisão, afirma o arquiteto Paulo Tripoloni, costuma envolver questões técnicas, legais, ambientais e, às vezes, até emocionais, além de um equilíbrio entre orçamentos e expectativas. "É natural que as pessoas pensem que reformar sempre será mais barato do que demolir. Mas, em muitas situações, quando falamos de casa, reforçar uma estrutura antiga sai mais caro e menos eficiente do que começar do zero. A demolição, quando bem planejada, deve ser entendida como uma etapa de reconstrução, nunca como destruição sem propósito", alerta o especialista.
Para orientar na decisão, o arquiteto dá dez dicas:
1 - Se você já tem uma casa ou está pensando em comprá-la, é preciso realizar uma avaliação profissional sobre a estrutura existente. Esse diagnóstico permite identificar problemas como fissuras, recalques, fundações frágeis ou paredes portantes que inviabilizam mudanças de layout, pois são as que recebem o peso da casa. Para tanto, é inevitável a contratação de um profissional, seja arquiteto ou engenheiro.
2 - Em muitos imóveis antigos, alterações feitas ao longo dos anos comprometem a estabilidade, como paredes retiradas sem cálculo adequado, fundações frágeis e improvisos construtivos, que podem inviabilizar uma reforma de qualidade.
3 - Quando o imóvel tem ou não a planta original, é sempre preciso realizar um levantamento cadastral mais detalhado, sendo recomendado também, em áreas externas, o estudo topográfico, que traz dados precisos sobre o terreno e evita erros de projeto.
4 - A infraestrutura é um dos grandes desafios em reformas, pois em geral, a parte hidráulica precisa ser totalmente substituída em imóveis antigos, já que tubulações desgastadas apresentam vazamentos ocultos e não suportam sistemas modernos de aquecimento ou pressurização. Da mesma forma, a parte elétrica raramente atende às demandas atuais.
5 - O cronograma também é determinante, pois reformas tendem a ser mais imprevisíveis, já que durante a execução surgem surpresas estruturais que demandam tempo e investimento. Já a demolição, embora pareça mais radical, pode oferecer maior previsibilidade, já que se sucede de uma base nova e controlada.
6 Mas afinal, quando demolir é mais vantajoso? Para essa resposta, é preciso considerar sinais claros como comprometimento estrutural grave, layout ultrapassado que exigiria uma demolição interna pesada e infraestrutura hidráulica e elétrica obsoletas. Em geral, quando a soma dessas intervenções ultrapassa 60% do valor de uma nova construção, reconstruir se torna a decisão mais lógica e eficiente.
7 - Há também a parte burocrática, pois, toda demolição precisa ser licenciada junto à prefeitura, com apresentação de laudos e projetos. Em imóveis tombados ou em áreas de preservação, o processo é ainda mais rigoroso. Por isso, não dá para iniciar esse tipo de obra sem respaldo legal, sob risco de multas e embargos.
8 - E reformar? Quando a escolha é pela reforma, algumas adaptações são praticamente imperativas para adequar o imóvel aos padrões atuais. Entre elas estão infraestrutura de gás e aquecimento central; instalação de ar-condicionado e automação; revestimentos e acabamentos modernos; integração de ambientes para melhor circulação; e instalação de sistemas sustentáveis, como painéis solares e reuso de água.
9 - Reformar pode ser uma ótima alternativa quando há valor histórico ou afetivo envolvido. Muitas famílias querem manter memórias vivas, preservando pisos, portas ou a fachada original. O desafio do arquiteto é conciliar esse respeito à história com a funcionalidade que a vida moderna exige. Quando bem equilibrado, o resultado pode ser único.
10 - Jamais tome decisões precipitadas. A pressa em começar pode levar a erros caros e a frustrações. Avaliar com calma, planejar bem e considerar todos os fatores técnicos, financeiros, ambientais e estéticos, é o caminho para que a obra seja um sucesso e realmente atenda às necessidades de quem vai morar ali.