Redução da taxa Selic, hoje em 14,75% ao ano, tende a acelerar a velocidade de vendas e estimular os lançamentosFreepik
Mercado imobiliário comemora redução da taxa Selic
Medida poderá viabilizar projetos, gerar mais empregos e facilitar o acesso à casa própria
O mercado imobiliário carioca reagiu com otimismo à redução da Selic, taxa básica de juros, que passou de 15% para 14,75% ao ano. Para os especialistas ouvidos pela coluna, mesmo sendo uma queda ainda tímida, a decisão poderá destravar projetos, gerar mais empregos e facilitar o acesso à casa própria, já que os bancos também começam a ajustar os seus juros. Confira as opiniões:
Cláudio Hermolin, presidente do Sinduscon-Rio (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Rio de Janeiro)
“A redução da taxa Selic em 0,25%, obviamente, é uma notícia boa para o setor da construção civil e para o mercado imobiliário. Apesar de ter sido um percentual abaixo das nossas expectativas no início do ano, o mais importante é que mostra que entramos em um momento de tendência de queda, que pode ser mais ou menos acelerada em função do que acontecer nos cenários macroeconômico e global. O fato é que o impacto dessa redução faz com que os bancos comecem também a revisar as suas taxas de financiamento, tanto para as empresas — o financiamento da produção — quanto para o comprador final. Isso certamente faz com que as incorporadoras tenham mais possibilidade de viabilizar os seus projetos, gerando mais oportunidades de emprego e de novas residências, assim como as pessoas passam a enquadrar a sua renda dentro da capacidade de pagamento e, consequentemente, também conseguem realizar o sonho da casa própria”.
João Eduardo Corrêa, presidente do Creci-RJ (Conselho Regional dos Corretores de Imóveis do Rio de Janeiro)
“Mesmo em um cenário global desafiador, a queda da Selic abre um novo ciclo de oportunidades para o mercado imobiliário, que já provou a sua força mesmo com os juros elevados. A redução é um fator decisivo para o mercado imobiliário em 2026, especialmente em um ano que se desenha desafiador, com conflitos geopolíticos e importantes eleições presidenciais ao redor do mundo. A decisão tende a facilitar o crédito imobiliário, ampliar o acesso ao financiamento e estimular a demanda. Isso ocorre em um momento em que o setor já demonstrou sua resiliência: em 2025, apesar da Selic em 15% ao ano, houve crescimento no volume de vendas. O mercado imobiliário tem uma característica própria: ele não depende exclusivamente do período econômico, pois está diretamente ligado à necessidade de moradia e à proteção patrimonial. E para 2026, a expectativa é de um ambiente mais favorável, ainda que com cautela. Será um ano desafiador, mas com oportunidades relevantes para compradores, investidores e profissionais do setor”.
Maurício Eiras, coordenador estatístico do Secovi Rio (Sindicato da Habitação)
“A queda da Selic, ainda que tímida, contribui para melhorar as condições de financiamento e pode destravar decisões que vinham sendo adiadas. No mercado imobiliário, isso tende a se refletir no aumento do interesse pela compra e no reaquecimento dos lançamentos. Mesmo em um cenário de juros elevados, o mercado já vinha apresentando bons resultados, especialmente na locação, e dados recentes da prefeitura indicam desempenho positivo também nas vendas residenciais. Com a redução da taxa básica, a expectativa é que os bancos avancem gradualmente na queda dos juros do crédito imobiliário, ampliando o acesso ao financiamento e impulsionando ainda mais a atividade do setor”.
Vitor Moura, sócio-presidente da Patrimóvel
“A redução da taxa de juros é uma notícia extremamente relevante para o nosso setor, que é altamente dependente de crédito. Hoje, entre 70% e 80% dos nossos clientes recorrem ao financiamento na hora de adquirir um imóvel. Essa decisão tem impacto ainda maior no segmento de imóveis na planta, já que o crédito costuma ser contratado apenas dois ou três anos depois, na entrega da unidade. Nesse cenário, a queda da Selic aumenta a expectativa de condições mais atrativas no momento do financiamento. Embora o recuo de 0,25 ponto percentual seja modesto, ele já sinaliza um possível ciclo de reduções ao longo do ano”.
Sanderson Fernandes, CEO da Avanço Realizações Imobiliárias
“A queda da Selic dá início a um cenário bastante positivo para o mercado imobiliário. Mesmo com os juros ainda em patamares elevados, o setor tem demonstrado resiliência, sustentado pela demanda reprimida e pela busca por ativos reais. Com o crédito mais acessível, haverá um aumento gradual na confiança do comprador, tanto para moradia quanto para investimento. Esse movimento tende a acelerar a velocidade de vendas e estimular os lançamentos. Para quem acompanha o mercado, fica claro que momentos de virada no ciclo de juros costumam representar boas oportunidades antes da valorização mais consistente dos ativos”.

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