Indústria de materiais de construção prevê um faturamento bom para setembroPexels

O faturamento da indústria de materiais de construção cresceu 1,1% em agosto, na comparação com julho. E no recorte que analisa agosto de 2025, o avanço foi de 3,6%, indica o Pulso Abramat, relatório mensal da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção. Com o resultado do mês passado, a queda acumulada neste ano reduziu de 2,7% até julho para 1,7% entre janeiro e agosto.

O balanço diz ainda que a melhora dos últimos meses endossa a expectativa de redução gradual das perdas ao longo do segundo semestre. Para se ter ideia, em abril, o montante acumulado no ano teve queda de 4,8%. E em agosto, o recuo estava em 1,7%. Para Mauro Franco, presidente executivo da Abramat, o desempenho segue apoiado pelo bom desempenho das obras de infraestrutura e do programa Minha Casa, Minha Vida. “E mantemos uma expectativa de maior impacto do Programa Reforma Casa Brasil, que ganhou mais tração nas contratações nos últimos meses. Ainda assim, os juros elevados e o endividamento das famílias limitam uma recuperação mais forte da demanda", observa Franco.

Embora o faturamento tenha avançado em agosto, a percepção das empresas sobre as vendas ficou abaixo do esperado. Na pesquisa anterior, 85% das companhias projetavam para o período um mercado entre regular, bom ou muito bom. E na avaliação efetiva do mês, o percentual ficou em 63%.

Já para setembro, há uma expectativa de melhora mais clara: 43% projetam vendas boas ou muito boas, enquanto 47% esperam desempenho regular. A parcela que prevê resultado ruim ou muito ruim caiu para 10%.

Corte da Selic é diferente nos segmentos imobiliários

Paulo Dornelle, especialista em Inteligência de Mercado e fundador da Okre Imóveis, também falou à coluna sobre a queda da Selic (taxa básica de juros), agora em 13,75% ao ano. Segundo ele, se essa trajetória continuar, poderá ter um impacto cada vez maior sobre o mercado imobiliário, que tende a ser diferente entre os segmentos. “Enquanto o de alto padrão tem apresentado resiliência mesmo em um cenário de juros elevados, uma redução consistente da Selic pode favorecer especialmente o comprador que depende mais do crédito”, lembra Dornelle.

Outro fator é o comportamento dos aluguéis. De acordo com Dornelle, com a alta dos valores de locação, cresce entre alguns consumidores a comparação entre o custo mensal de permanecer no aluguel e a possibilidade de financiar um imóvel próprio. "Se o crédito começar a melhorar, essa conta fica ainda mais interessante", afirma o especialista.