São 6,6 milhões a mais de pessoas disputando um estoque de imóveis para alugar que não cresceu no mesmo ritmo no paísMagnific

A coluna volta ao tema sobre aluguel residencial trazendo orientações de como avaliar se o valor cobrado está caro. Dados do Índice FipeZAP, com um panorama de todo o país, mostra que preço médio do segmento subiu 2,45% no primeiro trimestre deste ano, resultado superior à inflação registrada no mesmo período. Essa valorização exige mais atenção dos inquilinos na hora de identificar se o preço da unidade está dentro da realidade do mercado. Victor Tulli, economista e diretor de Tecnologia e Novos Negócios da Administradora Nacional, lembra que cada família que desiste de comprar não some do mercado. Ela aluga. “É o que o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) vem registrando: a fatia de domicílios próprios caiu de 73% para 67% entre 2016 e 2025, e a de alugados subiu de 18,4% para 23,8%. O país passou de 12,3 milhões para 18,9 milhões de famílias de aluguel”, afirma Tulli.
Segundo ele, são 6,6 milhões a mais disputando um estoque que não cresceu no mesmo ritmo. “O investidor que compraria para alugar enfrenta o mesmo juro e tem a Selic, taxa básica de juros, remunerando o dinheiro sem risco de inquilino”, observa o diretor.
O executivo traz exemplos: um apartamento de 60 metros quadrados (m²) alugado pelo preço médio consome 48% da renda de uma família média brasileira; 47% no Rio e 48% em São Paulo. “A Fundação João Pinheiro, que calcula o déficit habitacional oficial, dá o tamanho do problema. São 3,6 milhões de famílias com renda de até três salários mínimos que gastam mais de 30% do que ganham com aluguel. Esse ‘ônus excessivo’ já responde por 62% do déficit habitacional. O déficit brasileiro hoje não é de gente sem teto. É de gente pagando um aluguel que não cabe na renda”, analisa Tulli.
Paulo Dornelle, CEO da Okre Imóveis, complementa que, diante destes fatores, é muito importante analisar diferentes elementos antes de fechar contrato, já que imóveis semelhantes podem apresentar diferenças significativas de preço dependendo da localização, das características e da demanda. “Em alguns estados, como no Rio de Janeiro, a valorização é ainda maior, com alta de 18,2%, de acordo com dados do Secovi Rio (Sindicato da Habitação). Em São Paulo, o preço do aluguel teve a sua 12ª alta consecutiva no mês de maio, segundo o IVAR (Índice de Variação de Aluguéis Residenciais)”, ressalta o CEO.
Para ajudar você a encontrar um novo endereço dentro da sua realidade financeira, confira seis orientações de Dornelle:
1 - Compare imóveis com características parecidas na mesma região: área útil, número de quartos, vagas de garagem, idade do prédio e infraestrutura do condomínio.
2 - Calcule o valor do metro quadrado. Para isso, basta dividir o custo mensal da locação pela área privativa (útil) e comparar o resultado com a média praticada na região.
3 - Imóveis próximos ao metrô, praias, polos comerciais, escolas ou hospitais costumam ter maior demanda e, consequentemente, preços mais elevados. Já os localizados em ruas menos movimentadas ou mais afastadas dos principais serviços tendem a apresentar valores mais competitivos. Faça essa análise também.
4 - Um imóvel recém-reformado normalmente justifica um aluguel maior. Por outro lado, unidades que exigirão gastos com pintura, pequenos reparos ou manutenção podem ter margem para negociação.
5 - Anúncios que permanecem disponíveis por muito tempo podem indicar que o preço está acima da realidade do mercado. Nesses casos, existe mais possibilidade de negociar com o proprietário.
6 - O aluguel não deve ser analisado isoladamente. Condomínio, IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), consumo de água, gás e outras despesas podem alterar significativamente o custo mensal da moradia.