Vereador Pedro Abreu (REP) Reprodução
Sem economizar adjetivos, Pedro classificou como "sacanagem" e "covardia com o dinheiro público" a sequência de licitações previstas: mobiliário novo para gabinetes já equipados, louças para um plenário onde "nunca faltou uma xícara", livros jurídicos a R$ 800 cada, ampliação de um plenário que ele próprio descreveu como "talvez o melhor da Região dos Lagos" e até contratação de jardinagem para um serviço que, segundo ele, nunca foi terceirizado.
O ponto alto — ou mais explosivo — veio ao lembrar que uma licitação de mobília, inicialmente estimada em R$ 509 mil, só caiu para R$ 214 mil após denúncia pública feita por ele nas redes sociais. Para Pedro, o episódio seria prova de que, sem pressão, o dinheiro "iria embora sem necessidade nenhuma".
Mas o discurso foi além da planilha. Ao se definir como "Pedro explosivo", o vereador fez questão de marcar posição política e moral. "Nunca serei o Judas que beija, abraça e trai", disparou, numa fala que ecoou como recado interno e externo, mirando tanto colegas de plenário quanto a estrutura administrativa da Casa.
Ao afirmar que não depende do mandato para sobreviver e que não é "vereador de carreira", Pedro Abreu tentou se colocar como voz fora do sistema, prometendo fiscalização dura, rigor nas contas e vigilância permanente sobre cada centavo gasto. O tom deixou claro: a legislatura começa com tensão instalada e com um vereador disposto a transformar o plenário em trincheira.
Se o discurso vai gerar mudanças concretas ou apenas mais ruído político, ainda é cedo para dizer.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.