Maria Clara e Paulo MeloFoto: Reprodução

A Justiça do Rio de Janeiro concedeu medidas protetivas de urgência a Maria Clara Almeida Melo de Sá, de 21 anos, neta do pré-candidato a deputado estadual Paulo Melo, que acusa o avô e o próprio pai de abuso sexual desde os cinco anos de idade. A decisão, assinada pelo juiz Andrew Francis dos Santos Maciel, do Juizado de Violência Doméstica e Familiar de Saquarema, foi publicada em junho e determina que Paulo Melo, o filho Paulo César Júnior e a mãe da jovem, Taiti Coelho, fiquem a pelo menos 250 metros de distância de Maria Clara e sejam proibidos de qualquer contato com ela - por telefone, redes sociais, aplicativos de mensagens ou por meio de terceiros. O descumprimento pode levar à prisão imediata.
Segundo o processo, os relatos de Maria Clara às autoridades descrevem abusos que teriam começado quando ela tinha cinco anos, praticados pelo pai nos fins de semana em que ficava trancada em um quarto. Ela afirma que, por volta dos sete anos, passou a sofrer abusos também do avô durante visitas a uma fazenda em Rio Bonito. Já em 2022, quando foi morar com Paulo Melo em Saquarema para cursar a faculdade, a jovem diz que os abusos recomeçaram, com o avô invadindo seu quarto à noite sob ameaças de morte contra familiares caso ela falasse.
O caso ganhou força após a jovem procurar a Ouvidoria da Mulher do Ministério Público do Rio de Janeiro em novembro de 2025. Em vídeo nas redes sociais, ela disse ter decidido denunciar após anos de terapia. A mãe e a avó materna de Maria Clara, no entanto, negaram os abusos e afirmaram que a própria jovem teria admitido em conversas que a denúncia não seria verdadeira. A irmã mais velha também se manifestou publicamente em defesa do avô e do pai. Paulo Melo negou tudo e disse que as acusações teriam motivação política.
Diante das versões divergentes, a Justiça determinou um estudo psicológico antes de decidir sobre as medidas protetivas. O laudo, elaborado por perito do Tribunal de Justiça, não chegou a uma conclusão definitiva sobre a veracidade dos relatos - mas alertou que "não seria prudente descartar os fatos narrados". Já o Centro de Referência de Atendimento à Mulher de Saquarema atestou que Maria Clara apresenta crises de pânico, ansiedade severa, privação de sono e hipervigilância crônica. A Defensoria Pública, que representa a jovem, também relatou ao juiz que um carro preto com vidros escuros vinha monitorando a casa onde ela está abrigada e que mulheres desconhecidas tentaram forçá-la a sair do imóvel para conversar.
Com base em tudo isso, o juiz reformou a decisão anterior - que havia negado a proteção - e concedeu as medidas em caráter definitivo e por prazo indeterminado. Na decisão, ele destacou que a concessão não significa reconhecimento de culpa, mas uma medida de precaução enquanto as investigações seguem. O caso tramita em segredo de justiça.
A redação entrou em contato com Paulo Melo, que disse estar proibido de se manifestar por segredo de justiça.
Já Maria Clara afirmou que esse reconhecimento judicial está embasado em diversos laudos a que ela foi submetida, que atestam todos traumas sofridos pelos abusos.
"Não levarei isso a mídia, porque expõe a minha imagem. Aumentando os danos que já sofri injustamente. Eu confio na justiça", completou.