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Vinicius de Moraes continua sendo homenageado em 2014

Marcos Sacramento relê o LP ‘Afro-Sambas’, com Zé Paulo Becker, e reclama: ‘Réveillon de Copa deveria ter sido só com canções dele’

Por daniela.lima

rio - A tradicional queima de fogos em Copacabana neste último Réveillon se debruçou sobre a animação gringa (mas dirigida pelo brasileiro Carlos Saldanha) ‘Rio 2’ — continuação do sucesso de bilheteria de 2011, que chega aos cinemas em 28 de março. No entanto, para o cantor carioca Marcos Sacramento, a presença da arara-azul Blu e de seus companheiros em meio ao foguetório foi algo equivocado. 

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“Se nossa sociedade fosse mais bacana, o Réveillon de Copacabana deveria ter sido só com canções de Vinicius de Moraes, não acha? Passarinho americano? Quem?”, provoca ele.
Para Sacramento e o violonista do Trio Madeira Brasil Zé Paulo Becker — com quem festejou o centenário de Vinicius em 2013 no show ‘Saravá!’, que será reapresentado hoje, no Teatro Rival — “não chegamos nem perto de uma digna homenagem” ao saudoso poeta no ano passado. “Vinicius deixou um legado muito forte. Quem se liga sabe”, reforça o cantor. 

Em ‘Saravá!’, a dupla interpreta na íntegra o LP ‘Afro-Sambas’, clássico de Vinicius em parceria com Baden Powell, lançado em 1966 e considerado um marco por sua fusão de elementos da música africana com o samba. Apesar de ter regravado o álbum em 1990, novamente acompanhado pelo Quarteto Em Cy, que participou também no LP original, Baden renegou a obra a certa altura de sua vida — ele morreu em setembro de 2000, aos 63 anos, devido a uma infecção generalizada em decorrência de uma pneumonia bacteriana.

“O Baden se converteu à igreja evangélica. Numa interpretação minha, acho que ele, por estar doente, começou a procurar ajuda nessa religião, que infelizmente antagoniza com o candomblé, que é a inspiração para o ‘Afro-Sambas’. Uma pena”, considera Sacramento.

DESAFIO

Zé Paulo Becker e Marcos Sacramento são nomes de uma geração de músicos talentosos que despontou há alguns anos na chamada revitalização da Lapa. Violonista de talento reconhecido, em carreira solo ou com o Trio Madeira Brasil, Becker sabe do desafio que é recriar o ‘Afro-Sambas’, e ressalta que o violão brasileiro não para de revelar novos nomes:

“Baden foi importantíssimo, pois foi o que levou o violão brasileiro mais longe e se destacou como um grande compositor popular”, derrete-se. “Da nova geração, destaco meu amigo Yamandu, sem dúvida o grande nome do violão brasileiro atual. Mas a cada dia, vejo um novo violonista e me assusto!”.

Marcos Sacramento aponta o surgimento de novos talentos também na poesia: “Mauro Aguiar, João Cavalcanti, Moyseis Marques, Alfredo Del-Penho, só pra citar alguns nomes da nova geração aqui do Rio. Não adianta, a poesia não morre. Muito menos em um país que teve Vinicius de Moraes. Tentam matá-la todos os dias, mas ela é mais forte!”.

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